A Coopercam estima uma colheita de 550 mil sacas de café na safra deste ano | Crédito: Geraldo Aureliano / Sakey Comunicação

O clima adequado permitiu o desenvolvimento e colheita de uma maior safra de café, que também apresentou melhor qualidade na bebida. Este ano, com a colheita praticamente encerrada, a Cooperativa dos Cafeicultores de Campos Gerais e Campo do Meio Ltda (Coopercam), com sede em Campos Gerais, no Sul de Minas, receberá cerca de 550 mil sacas de 60 quilos de café, o volume está 45% maior que o colhido em 2019 e equivalente a 2018, período em que a bienalidade também foi positiva.

As estimativas em relação ao mercado são positivas, com os estoques mundiais reduzidos os preços estão valorizados. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar também contribui para uma melhor remuneração.

De acordo com o presidente da Coopercam, José Márcio Rocha, a safra 2020 de café na região foi muito positiva e atendeu as expectativas dos produtores tanto em volume como em qualidade.

“Já colhemos cerca de 500 mil sacas e a qualidade do café está extraordinária. Ainda estamos concluindo a colheita e esperamos encerrar essa safra com um volume de 550 mil sacas, o que é muito positivo”.

Com a colheita de 550 mil sacas, a produção da cooperativa será 45% maior que as 300 mil sacas colhidas em 2019. Rocha explica que o clima contribuiu para o bom desenvolvimento da safra. A falta de chuva no período da colheita permitiu o ganho em qualidade, o que vai garantir ao produtor maior remuneração e bons resultados em concursos de qualidade do café.

Em relação aos preços pagos pelo grão, os valores foram considerados rentáveis e importantes para que os cafeicultores recuperassem prejuízos registrados nas safras anteriores e investissem na produção.

“O início da safra começou com um mercado bem fraco, pela tendência de uma safra maior, e foi melhorando até a saca de café de boa qualidade atingir valores próximos a R$ 650. Depois houve um recuo, com o avanço da safra, e agora parece que o mercado vem sendo sustentando com preços razoáveis pelo receio dos impactos da seca na próxima safra”.

A estiagem prolongada após o período de alta produção tem causado grande receio em relação ao desempenho produtivo na safra 2021, que já terá uma colheita menor, em função da bienalidade negativa. Com o tempo seco e a falta de chuvas, as lavouras podem ser comprometidas, reduzindo ainda mais a produção.

Ainda segundo Rocha, o bom desempenho da safra é importante para o cafeicultor, que este ano, irá participar de vários concursos de qualidade. Além disso, o café vem sendo comercializados no mercado externo, através de tradings, o que também tem agregado valor. Parte da produção da Coopercam é enviada para o mercado japonês. A cooperativa está desenvolvendo um projeto para que nos próximos anos, possa exportar o grão também de forma direta.

Entre os fatores que contribuíram para os resultados em Campos Gerais está o clima favorável | Crédito: Geraldo Aureliano / Sakey Comunicação / Divulgação

Demanda domésticaEm relação ao consumo interno, Rocha explica que apesar da queda vista na demanda vinda de cafeterias, restaurantes e hotéis, o consumo no lar ficou maior, já que as pessoas estão confinadas. “Tomar um café é um momento relaxante e agradável, principalmente nesse período de pandemia”, explicou.

A pandemia da Covid-19 não interferiu de forma expressiva no processo de colheita dos associados. Rocha explica que vem sendo feito um trabalho amplo junto aos cafeicultores para a adoção de medidas que impeçam a proliferação da doença. Com isso, foram poucas as interferências.

Ao contrário das regiões montanhosas, onde a colheita é praticamente toda feita manualmente, na região de Campos Gerais e Campo do Meio a maior parte do processo é mecanizada, o que também foi positivo e não demandou grandes volumes de trabalhadores.

Com cerca de 1,4 mil associados ativos, sendo que 70% são de pequenos produtores, Rocha ressalta que o cooperativismo é importante para a melhoria de vida e renda dos cafeicultores da região.