Programa Colmeia Minas quer transformar o Estado em referência na produção de mel
O programa Colmeia Minas, lançado recentemente, tem o propósito de fortalecer a cadeia produtiva da apicultura e da meliponicultura de Minas Gerais. A iniciativa reunirá diversos integrantes da cadeia produtiva, desde associações de produtores, passando por instituições de pesquisa, extensão rural, governo e entidades de ensino, em busca do desenvolvimento sustentável das atividades e, para isso, integrará conhecimento científico, inovação e ações de fortalecimento da cadeia produtiva.
O objetivo é promover a adoção de práticas sustentáveis, a profissionalização de pequenos produtores, a preservação das populações de abelhas e a articulação entre produtores, cooperativas, universidades, pesquisadores e instituições públicas. A professora do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) – Campus Bambuí, Ana Cardoso, explica que o programa Colmeia Minas é uma iniciativa estruturante para o desenvolvimento sustentável da apicultura e da meliponicultura em Minas Gerais.
“O programa vem para abraçar a apicultura, abraçar esse desenvolvimento territorial. Nós, dos institutos federais, temos atuação nas cadeias produtivas dos territórios, estamos interiorizados em Minas Gerais, então, com o programa, vamos trabalhar em todas as regiões do Estado. O nosso objetivo é transformar Minas Gerais em referência nacional na apicultura e na meliponicultura, unindo ciência, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento. Assim, queremos gerar renda, proteger as abelhas e construir um futuro promissor para o setor”.
A iniciativa tem planejamento de curto, médio e longo prazo, com duração prevista de 10 anos. O programa está estruturado em seis eixos, que incluem governança e inteligência setorial; produtividade e capacitação; qualidade e rastreabilidade; defesa sanitária e sustentabilidade ambiental; inovação e bioeconomia; e território e regulamentação.
Entre os resultados esperados estão o aumento da produtividade dos itens apícolas, a qualificação dos produtores, a melhoria da qualidade dos produtos, o fortalecimento da rastreabilidade, o avanço da defesa sanitária e o desenvolvimento de práticas sustentáveis.
Para que isso aconteça, os desafios precisam ser superados. Hoje a atividade enfrenta gargalos que incluem a mortalidade de abelhas, a baixa profissionalização dos produtores e as fraudes em produtos apícolas. Também será preciso avançar na regularização da meliponicultura e na maior adoção de boas práticas de manejo.
Segundo Ana Cardoso, a pesquisa aplicada será um dos instrumentos essenciais para enfrentar esses problemas. “Precisamos buscar conhecimento, ciência e tecnologia aplicadas para levar aos apicultores. A pesquisa aplicada é uma ferramenta que nós precisamos ter na apicultura”, disse.
A professora destacou ainda que as soluções desenvolvidas devem ser construídas em conjunto com entidades do setor, assim serão mais precisas frente às reais demandas da atividade. “O Colmeia de Minas está antenado com a Federação Mineira de Apicultura e com as associações de apicultores. Não adianta fazer coisas que ninguém usa, vamos desenvolver soluções que realmente atendam ao setor. Inovação é quando a pessoa começa a utilizar aquele conhecimento de forma prática e é isso que queremos para o setor”, afirmou.
Atualmente, Minas Gerais conta com cerca de 60 associações, seis cooperativas e aproximadamente 9 mil produtores ligados ao setor. A expectativa é que o Colmeia de Minas contribua para integrar esses atores e consolidar ações de desenvolvimento para a apicultura e a meliponicultura ao longo da próxima década.
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