Os preços pagos aos usineiros tiveram recuperação em maio, com alta de 10% | Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

O isolamento social para o controle do novo coronavírus impactou de forma negativa a demanda por etanol hidratado em abril. Em Minas Gerais, de acordo com os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no quarto mês, foi verificada retração de 31,4% no consumo frente igual período de 2019.

No acumulado do primeiro quadrimestre, a queda na demanda pelo biocombustível é de 11,8%.

Para maio, ainda é esperado um consumo menor, porém, a queda deve ser inferior à registrada em abril. A retomada da competitividade dos preços do etanol frente à gasolina e a reabertura gradual de parte das atividades econômicas irão contribuir para que a demanda mostre recuperação, ainda que em pequena escala.

Uma retomada melhor, caso não ocorra algum imprevisto, é projetada para junho.

De acordo com os dados da ANP, em Minas Gerais, ao longo de abril, foram comercializados 169 milhões de litros de etanol, volume 31,4% inferior aos 246,5 milhões de litros registrados em abril de 2019. No acumulado do ano, a venda do biocombustível alcançou 865,16 milhões de litros.

Surpresa – Para o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, o setor, a princípio, esperava por uma retração no volume maior que a registrada.

Com as medidas de isolamento impostas para a contenção do novo coronavírus, que reduziram a demanda pelos combustíveis, as informações repassadas, inicialmente, pelas distribuidoras e postos de combustíveis era de uma queda entre 50% e 70% no volume de consumo, variando conforme o tamanho e a localização das cidades.

“O mercado de combustíveis, como um todo, ele teve retração em relação ao ano passado. Em Minas Gerais, somando etanol e gasolina (ciclo otto) a queda foi de 15,6% em março e de 29,3% em abril na comparação com iguais meses de 2019. No acumulado do ano, o ciclo otto está caindo 10,4%. As quedas, obviamente, impressionam, mas, frente aos números estimados inicialmente, ela foi surpreendente. Pelas saídas do etanol nas usinas, a gente já começava a ver que a queda de 50% a 70% não era real”, destacou.

Para maio, a tendência é de um cenário próximo ao vivenciado em abril. A estimativa para o mercado do etanol hidratado, em Minas Gerais, é de uma retração entre 25% e 30% sobre o ano passado.

“Para maio, esperamos uma queda pouco menor que a registrada em abril, mas ainda persistente. Acho que, em junho, haverá uma recuperação melhor, se não tivermos nenhuma surpresa. Já estamos vendo um fluxo maior de carros nas ruas, e a retomada gradual das atividades econômicas será importante para a recuperação de parte das vendas de combustíveis”, afirmou.

Desde maio, os preços do etanol estão em recuperação. No acumulado do mês, houve um avanço de 10% nos preços recebidos pelo produto, que chegou ao último dia de maio cotado a R$ 1,53 por litro. Mesmo com a recuperação, o valor médio registrado em maio, R$ 1,44 por litro, ainda está 13% inferior ao praticado em maio de 2019, quando a média ficou em R$ 1,65.

“Por enquanto, os preços do etanol estão em recuperação e se mantendo competitivos frente aos da gasolina, que também registrou alta. No momento atual, os players de mercado estão em busca de um equilíbrio entre o que será ofertado de etanol, a curva de retorno da economia e o que será demandado. Estamos acompanhando de perto os preços internacionais da gasolina e do câmbio, o que também interfere no mercado do etanol”, explicou.

#abasteçacometanol – Para estimular o consumo do biocombustível, a Siamig, em conjunto com diversas entidades nacionais, estaduais e municipais, está fazendo uma campanha de conscientização da importância do etanol na economia do Estado. Além de ser um combustível renovável, o uso do etanol é um estímulo à produção local, que gera riquezas no Estado, contribuindo para a criação e manutenção dos empregos, renda e arrecadação.

“A campanha #abasteçacometanol é importante para promover a valorização dos produtos nacionais frente aos importados. Também ressalta a importância de buscar a recuperação das nossas indústrias seja em âmbito nacional ou estadual. Além disso, queremos focar no consumo local e incentivar o que é produzido na região. Minas Gerais não produz petróleo nem gás natural, mas temos a cana-de-açúcar, que é capaz de produzir açúcar, etanol e energia elétrica”, disse Campos.