Crédito: José Roberto Gomes/Reuters Usada em 02-12-19 Usada em 21-02-20 Usada em 08-04-20

Com um faturamento de R$ 4,2 bilhões em 2019, o que representa uma elevação de 10,8% frente a 2018, a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) está repassando aos cooperados o total de R$ 77,1 milhões referentes à participação nos resultados da cooperativa obtidos em 2019. O valor é o maior já repassado na história da Cooxupé.

Em relação à safra 2020, as estimativas são positivas e, até o momento, tende a ser maior em volume e em qualidade. Além disso, os preços estão em torno de R$ 500 por saca, o que é rentável para o setor. A pandemia do novo coronavírus não está interferindo no mercado da Cooxupé, que irá manter os planos de investimentos em torno de R$ 50 milhões em 2020.

De acordo com os dados da Cooxupé, cooperativa com sede em Guaxupé, no Sul de Minas Gerais, dos R$ 77,1 milhões que estão sendo repassados aos cooperados, cerca de R$ 57,8 milhões são referentes aos resultados de 2019 e em torno de R$ 19,3 milhões ao pagamento do Programa de Restituição de Capital por Idade (PRCI) implantado no final do ano passado. Em 2019, o valor repassado ficou próximo a R$ 50 milhões.

O recebimento de cada produtor varia de acordo com a proporção das operações específicas realizadas com a Cooxupé no decorrer do ano.

Segundo o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, o primeiro semestre de 2019 foi difícil para o setor, porém, os bons resultados foram obtidos com a maior participação dos produtores nos mercados físico e futuro.

“Tivemos preços baixos e ficamos muito preocupados com os resultados. Porém, no final do ano, o mercado ofereceu oportunidades para que o associado fizesse vendas no mercado físico e futuro. Os cooperados fizeram operações com preços altos, o que trouxe resultados positivos tanto para eles, quanto para a Cooxupé. Isso nos proporcionou uma distribuição da ordem de R$ 77,1 milhões. É importante enfatizar que esse é o resultado mais expressivo já distribuído em toda a história da cooperativa”, disse.

Safra 2020 – Ao longo de 2019, a Cooxupé registrou faturamento de R$ 4,2 bilhões, alta de 10,8% ante os R$ 3,79 bilhões obtidos em 2018. Para 2020, ainda não foi possível estimar um faturamento, uma vez que a colheita foi iniciada por agora. Porém, até o momento, o cenário é favorável, com preços remuneradores e tendência de safra maior em volume e qualidade.

“Até agora, o mercado é positivo. A saca de 60 quilos está cotada em torno de R$ 500 e remunera. A postura de operacionalização no mercado por parte do nosso associado tem contribuído para o sucesso. Iniciamos a colheita agora, mas a tendência é de um ano promissor”, avaliou.

Sem sofrer impactos negativos pela pandemia do novo coronavírus, a estimativa, até o momento, é de manter os investimentos já planejados para este ano, que devem alcançar em torno de R$ 50 milhões. Os aportes, segundo Melo, serão feitos na ampliação das estruturas, modernização, tecnologia de informática e capacitação.

“Nossos investimentos serão mantidos, visto que até então a pandemia não nos afetou financeiramente. Todos os investimentos em expansão, tecnologias e inovação estão previstos dentro deste orçamento”.

Em relação aos volumes, em 2019, foram recebidas 5,1 milhões de sacas de 60 quilos de café e as vendas alcançaram 6,4 milhões de sacas, somados os volumes destinados aos mercados interno e externo. O total exportado pela Cooxupé atingiu 5,4 milhões de sacas, que foram embarcadas para mais de 50 países.

Para 2020, a tendência é de um maior volume a ser recebido. A estimativa é receber 5,5 milhões de sacas de café de 60 quilos de cooperados e mais 1,5 milhão de sacas de terceiros, somando 7 milhões de sacas de café. Deste volume, cerca de 5 milhões devem ser exportados.

“A colheita está se iniciando e, dentro das expectativas de recebimento, ela abrange 6%. Podemos dizer que será uma colheita boa em quantidade e qualidade, se assim o tempo permitir. Se a colheita ocorrer com um tempo bom e sem chuvas, com certeza teremos uma safra de alta qualidade”, destacou.

Cuidados na colheita – Melo ressalta que, com a pandemia, os cuidados com a colheita devem ser ampliados para evitar a contaminação dos trabalhadores, dos cafeicultores e das famílias. Foram elaboradas cartilhas com as orientações e cuidados que devem ser adotados.

“Todos os anos os cuidados com a saúde no campo e, principalmente, na colheita são necessários. Porém, este ano, que façamos esta colheita protegendo melhor tanto as famílias de trabalhadores quando as dos produtores. É preciso adotar todos os cuidados de ordem pessoal, de transporte, de alojamento e de acompanhamento de saúde, ou seja, por médicos. Temos que colher o café, mas com todos os cuidados necessários”, explicou Melo.