Mesmo com retração no preço da arroba, tendência é de que valores continuem firmes - Crédito: Wilson Ferreira

Após registrar valorização significativa nos preços em novembro, em função da baixa oferta e demanda elevada, a quantia paga pela arroba do boi gordo apresentou recuo no Estado. Em Minas Gerais, depois de alcançar o valor mais alto, que foi de R$ 214 por arroba em novembro, a média diminuiu e, em 6 de janeiro, encerrou a R$ 187,25, o que representa uma queda de 12,5%. Apesar do recuo, a tendência ainda é de preços firmes, mas não tão elevados como os verificados em novembro.

De acordo com a analista de mercado da Scot Consultoria, Thayná Drugowick, a retração nos valores começou a ser sentida em dezembro, após os preços subirem no mercado final e o consumidor reduzir as compras. Antes do recesso de final de ano, na primeira quinzena de dezembro, a média registrada em Minas Gerais foi de R$ 190,50 por arroba.

“Em novembro, tivemos uma alta atípica do boi, que chegou a registrar preços recordes. Esta valorização esbarrou no consumo interno, que foi reduzido devido aos altos preços, provocando o início da retração dos valores da arroba. Em meados de dezembro, os preços recuaram e, logo depois, em função da parada do mercado, os valores se mantiveram estáveis. Acredito que estamos chegando a um ponto de equilíbrio, e, com a retomada do mercado nesta semana, as indústrias vão testar o mercado”, avaliou.

No fechamento do dia 6 de janeiro, a média do preço pago pelo boi gordo em Minas Gerais ficou em R$ 187,25, valor 12,5% inferior aos R$ 214 registrados na média de novembro no Estado e 1,7% menor frente aos R$ 190,5 observados no fechamento da primeira quinzena de dezembro.

Apesar do recuo inicial, a tendência ainda é de preços firmes, uma vez que a oferta de animais terminados segue restrita, o que vai sustentar os preços em patamares mais elevados do que a média dos anos anteriores.

Além da oferta de bovinos baixa, as exportações aquecidas também contribuirão para a sustentação dos preços do boi em níveis rentáveis para os pecuaristas. A demanda proveniente, principalmente, da China, que enfrenta um surto de Peste Suína Africana (PSA) que já matou em torno de 40% do rebanho de suínos, deve se manter em alta, já que os asiáticos estão substituindo a carne suína pela bovina.

“Para o mercado do boi gordo, a tendência é de que os preços se manterão firmes, sem expectativa de queda. Além disso, a demanda do mercado chinês segue aquecida e a oferta de animais terminados ainda é restrita”, disse Thayná.

Exportações – No País, impulsionadas pela procura chinesa, as exportações totais de carne bovina alcançaram o recorde de 1,847 milhão de toneladas em 2019, alta de 12,4% ante o volume embarcado em 2018. De acordo com os dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o faturamento do ano passado também foi recorde e atingiu US$ 7,59 bilhões, variação positiva de 15,5% frente ao ano anterior.

Com base nos resultados positivos registrados em 2019, as estimativas da entidade é de que o ritmo de crescimento se mantenha em 2020, puxado pela possível habilitação de novas plantas para a China e abertura de novos mercados. Com isso, a expectativa é de que os volumes exportados cresçam 13%, alcançando 2,067 milhões de toneladas. Em relação ao faturamento, a projeção é de um crescimento de 15%, com receita de US$ 8,5 bilhões.