Produtores de leite unem forças em Ituiutaba
Crédito: Eduardo Seidl/Palácio Piratini

Os cuidados corretos com as bezerras durante o primeiro ano são fundamentais para a produtividade dos animais ao longo de toda a vida.

De acordo com a sexta edição do Índice Ideagri do Leite Brasileiro, matrizes que tenham o primeiro parto dentro de limites adequados, entre 24 e 26 meses, podem produzir até 14% mais leite na primeira lactação.

O que geralmente atrasa o parto são falhas registradas no primeiro ano de vida do animal, como doenças e nutrição aquém do necessário, por exemplo.

A pesquisa do Índice Ideagri do Leite Brasileiro (IILB) foi feita no rebanho nacional, com predominância de matrizes de raças leiteiras europeias, principalmente, a raça holandesa.

A CEO da Ideagri, Heloise Duarte, explicou que, quanto mais tardio o primeiro parto, menor será a produção de leite na primeira lactação, principalmente, quando o parto ocorre após 28 meses. Este atraso e a menor produção impactam diretamente na produtividade das fazendas ao longo de toda a vida do animal.

Ao avaliar mais de 11 mil primeiras lactações individuais de matrizes de raças leiteiras europeias, o estudo apontou que matrizes com primeiro parto aos 24 meses produzem, em média, na primeira lactação, 8.951 litros em 305 dias, contra 8.464 litros para matrizes com primeiro parto a partir dos 28 meses.

Nas avaliações por média de rebanho, matrizes com idade média de primeiro parto menor ou igual a 25 meses produzem, em média, 8.429 litros por animal na primeira lactação, contra 7.276 litros por animal quando a idade do primeiro parto (IPP) é maior ou igual a 28 meses.

Rentabilidade – De acordo com os dados do levantamento, considerando uma margem líquida de R$ 0,30 por litro, a IPP de 25 meses indica o retorno de R$ 2.528,70 por animal. Já com IPP a partir de 28 meses, o retorno é de R$ 2.182,80, ou seja, R$ 345,90 a menos, uma diferença de 14% na margem líquida na primeira lactação.

“Quando o parto é tardio, além da queda no volume de leite produzido e do menor retorno financeiro com a produção, o pecuarista ainda acumula custos mais altos com a manutenção do animal na fazenda por mais tempo e, isso, impacta diretamente na lucratividade dos negócios”, destacou a CEO da Ideagri, Heloise Duarte.

Heloise explica que o fator que contribui para a menor produção de leite é também a causa da matriz ser menos precoce no primeiro parto, e, geralmente, são questões vividas pelo animal durante o primeiro ano de vida.

“Se a matriz está preparada com 24 meses e não pariu foi porque teve alguma falha no processo. Seja por doenças, como a diarreia, pneumonia, ou pela alimentação inadequada ou pelo local que o animal é criado”.

Ela afirma ainda que os cuidados com as bezerras são fundamentais não só para que se tenha uma quantidade de bezerras que cheguem vivas até 1 ano, mas porque os tratos impactam na produção e na idade do primeiro parto.

“Muitas vezes, os cuidados não demandam grandes investimentos. No caso de doenças como a tristeza, a diarreia e a pneumonia, é questão de bom senso e de manter os bezerros em locais adequados, sem que sejam expostos ao vento intenso, por exemplo.

Também é preciso cuidados especiais com a higiene e a alimentação”.
Apesar dos benefícios promovidos pela idade de parto precoce, apenas 45% dos rebanhos analisados registram primeiro parto na faixa mais produtiva, que é até 25 meses.

“Há uma importante parcela de propriedades que podem melhorar os índices zootécnicos e a rentabilidade”, disse Heloise Duarte.

Gestão – Apesar de ainda baixos, quando comparados com outros países produtores, a gestão do gado leiteiro brasileiro vem melhorando. A sexta edição do IILB avaliou o maior volume de rebanhos da série histórica, 985, correspondente a 25% do total de rebanhos leiteiros gerenciados pelo sistema de gestão Ideagri em todo o País.

No Brasil, o IILB alcançou 4,24 pontos em 10, sendo que na primeira avaliação o índice ficou em 3,97 pontos. Minas Gerais, na sexta edição, alcançou 4,29 pontos, valor maior que os 4,05 pontos registrados na primeira edição do índice.

A produção diária dos rebanhos avaliados ficou em 3,3 milhões de litros por dia, ou 1,2 bilhão de litros ao ano. “Notamos a crescente melhoria do Índice Ideagri, cuja nota geral Brasil, na sexta edição, alcançou 4,24 pontos em 10 pontos possíveis. Reconhecemos o esforço do produtor de leite brasileiro, mas a nota mostra que há muito espaço para melhorar”.

Governo inclui leite em PAA

Brasília – O Ministério da Cidadania publicou no Diário Oficial da União de sexta-feira (3) uma resolução com normas para a distribuição de leite a pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional.

Para ter acesso a esse benefício será necessário registro no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com prioridade àqueles com perfil do Bolsa Família.

Além de contribuir para a complementação alimentar de famílias em situação de vulnerabilidade social ou em estado de insegurança alimentar e nutricional, a resolução pretende fortalecer o setor produtivo local e a agricultura familiar, garantindo a compra de leite, “a preços justos”, de agricultores familiares, “com prioridade para aqueles agrupados em organizações fornecedoras e/ou inscritos no CadÚnico”.

Pretende também incorporar o leite aos demais circuitos de abastecimentos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), política pública criada em 2003 com o objetivo de comprar produtos da agricultura familiar para distribuí-los a entidades filantrópicas e famílias carentes.

A resolução publicada na sexta-feira descreve os procedimentos relativos a cadastro, aquisição e beneficiamento do leite, a serem seguidos pelas organizações fornecedoras e inscritos no CadÚnico para participar do programa, bem como a forma de distribuição.

Detalha também como serão calculados e atualizados os preços a serem pagos pelo produto. Em geral, terão como referência a média dos preços pagos ao produtor nos últimos três meses, em cada unidade da federação. “Nos estados em que não houver série histórica de preços, será utilizado preço médio dos estados de atuação do PAA Leite”, diz a resolução.

O valor a ser pago pela pasteurização será calculado mediante reajuste pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País, do último valor definido. (ABr)