Produtividade da palma é quase dez vezes maior que do milho | Crédito: Caio Coimbra

O programa Palmas para Minas, que tem o objetivo de estimular o plantio e o uso da palma forrageira no semiárido mineiro para suprir parte da alimentação dos rebanhos de bovinos em período de seca, terá mais um avanço.

A cultura será introduzida nos cursos do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) promovidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Minas), entidade integrante do Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg).

A iniciativa tem o objetivo de apresentar aos produtores rurais do semiárido as vantagens do uso da palma como opção para a alimentação do rebanho e as formas de cultivo.

De acordo com o engenheiro agrônomo, analista de agronegócio da Faemg e coordenador do programa Palmas para Minas, Caio Coimbra, com a introdução da cultura nos cursos de assistência técnica voltados para a bovinocultura de corte e de leite nas regiões do Jequitinhonha e Mucuri, a estimativa é atingir cerca de 1.500 produtores rurais por ano.

No próximo dia 30 de junho, haverá um seminário virtual para capacitar técnicos e supervisores na área de produção, cultivo e alimentação do rebanho com a palma forrageira.

“Serão cerca de 60 profissionais treinados que estarão aptos a levarem a tecnologia da palma para os produtores rurais. A estrutura dentro do Sistema Faemg / Senar Minas garante uma grande capilaridade e, com isso, conseguiremos chegar aos produtores, ofertando uma nova prática que poderá gerar resultados positivos e mudar a vida destas famílias”, destacou Coimbra.

O programa Palmas para Minas foi lançado em 2017, pelo Sistema Faemg junto com diversas entidades, e tem o objetivo de levar uma nova opção para substituir parte do milho na alimentação dos rebanhos.

A iniciativa é considerada importante, principalmente, em regiões secas, onde a oferta pode ser comprometida por problemas climáticos e a palma, se bem cultivada, pode complementar a alimentação do rebanho e reduzir os custos de produção.

Alta produtividade – Segundo Coimbra, a cultura da palma pode produzir volumes superiores a 200 toneladas de matéria verde por hectare. Em alguns experimentos, foi possível produzir um volume acima de 400 toneladas por hectare.

“Para se ter uma ideia, quando pegamos a produção de milho para silagem – quando muito bem feita – é possível colher 45 toneladas por hectare. Então, a palma produz quase dez vezes mais que o milho”.

Ainda segundo o coordenador do programa Palmas para Minas, quando ofertada ao rebanho como volumoso, é possível substituir até 50% da silagem.

“Se a vaca em lactação come de 40 quilos a 45 quilos de silagem de milho por dia, 50% desse volume pode ser substituído pela palma. Essa substituição é interessante porque quando o preço do milho estiver muito alto, o produtor pode reduzir os gastos ofertando a palma como alimento, o que também reduz o custo da produção de leite. Outra vantagem é que, em época de seca, quando normalmente não se tem milho para alimentar o gado, a palma será uma segurança alimentar para o rebanho e uma segurança produtiva para o pecuarista que está na área de vulnerabilidade climática”.

Outra vantagem da palma, segundo Coimbra, é que se a cultura tiver uma boa condução, com o produtor fazendo a adubação, a correção do solo e os tratos culturais de forma adequada, a planta pode fornecer alimento para o rebanho por cerca de 15 anos. “Existem experimentos, em Pernambuco, que duram até 19 anos se bem conduzidos”, disse Coimbra.

Em relação aos custos de implantação, o plantio de um hectare de palma custa cerca de R$ 10 mil e a cultura dura cerca de 15 anos. No caso do milho, o investimento por hectare está em torno de R$ 4 mil e é feito todo ano. Em três anos, os gastos com a palma se equivalem aos do milho.

“A recomendação é que o produtor comece o plantio em uma área de 0,2 ou 0,3 hectare, que demandará um menor investimento. Após um ano, ele terá mudas suficientes para multiplicar o tamanho do campo. As mudas de palma já são vendidas no e-commerce da CNA, o que facilita o acesso do produtor que quer iniciar na atividade”, explicou Coimbra.

PalmaTech – Para estimular o cultivo da palma, ainda este ano, em novembro, será realizado o PalmaTech, evento que vai reunir diversos especialistas, pesquisadores, produtores e instituições relacionados à produção de palma no Brasil. O evento será em Janaúba, no Norte do Estado.

A iniciativa é considerada fundamental para ampliar o cultivo e o uso da palma em Minas Gerais. O evento será composto por simpósio técnico, capacitação de produtores, visitas em campo e encontro de inovação. O objetivo é divulgar e discutir as pesquisas e avanços da cultura. Também será feito um hackathon da palma para levantar problemas e buscar possíveis soluções.