Agronegócio

BDMG reúne empresas para acelerar descarbonização da economia mineira

BDMG promove evento sobre descarbonização e destaca investimentos em projetos sustentáveis e energia limpa em Minas Gerais.
BDMG reúne empresas para acelerar descarbonização da economia mineira
Crédito: Reprodução Adobe Stock

A descarbonização dos setores produtivos tem ganhado cada vez mais relevância no mercado e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) apoia a construção de um setor produtivo mais resiliente, sustentável e competitivo. Em busca de fomentar o desenvolvimento de um futuro mais verde, o BDMG realiza, no dia 10 de junho, o “Conexão Verde BDMG”, iniciativa voltada à promoção de projetos de descarbonização e sustentabilidade no setor produtivo mineiro. Entre os cases de sucesso, está a Usina Cerradão, de Frutal, na região do Triângulo, que investiu em um dos maiores turbogeradores movido a biomassa instalado no País e ampliou a produção de energia limpa.

O Conexão Verde BDMG, a partir das 14 horas, na sede da instituição, na Capital, reunirá empresas que investem em soluções verdes e terá como foco a troca de experiências, a divulgação de boas práticas e a apresentação de linhas de financiamento voltadas à transição para uma economia de baixo carbono. Além da Usina Cerradão, estarão presentes representantes da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) – parceira do BDMG na agricultura regenerativa -, Heineken, Net-Zero, Coca-Cola, VLI, MRV, Localiza e Novo Nordisk.

O diretor-presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto, explica que a busca pela descarbonização é essencial e o setor produtivo tem investido em ações. Por isso, a proposta do evento é conectar empresas que já desenvolvem projetos ambientais inovadores e estimular novos aportes.

“O evento é extremamente importante por permitir a realização de várias conexões entre as indústrias que estão inovando e investindo em projetos verdes. Também teremos a possibilidade de apresentar as nossas linhas e contribuir para que esse processo seja o mais fortalecido possível”, explicou Viégas.

O banco de desenvolvimento trabalha com a linha BDMG Verde,específica para financiar projetos sustentáveis, incluindo iniciativas de descarbonização. A modalidade oferece taxas a partir da Selic, além de prazo alongado, de até 144 meses para pagamento e carência de até dois anos. “A condição dessa linha é muito atrativa, primeiro pelo custo, que é extremamente competitivo. Além disso, o empresário terá um período alongado para que consiga implantar o projeto, maturar e começar a faturar, melhorando a performance do negócio e, assim, começar a pagar com mais tranquilidade”, disse.

Agronegócio é um dos setores que mais investe na descarbonização

O agronegócio está entre os principais setores contemplados pela linha verde do BDMG. Os recursos podem ser destinados à recuperação de pastagens, adoção de sistemas de irrigação mais eficientes e implantação de sistemas agroflorestais, modelo que integra árvores, produção agrícola e criação animal, contribuindo para a melhoria da saúde do solo. Além do campo, médias e grandes empresas da indústria também têm recorrido ao financiamento para aquisição de equipamentos e implantação de projetos voltados à sustentabilidade.

Em 2025, o banco desembolsou R$ 448 milhões em projetos enquadrados em linhas verdes. Para este ano, a meta é alcançar R$ 700 milhões em financiamentos destinados a iniciativas sustentáveis. “Apesar da meta super desafiadora, a gente entende que a jornada já está sendo muito bem sucedida. Até o dia 27 de maio, a gente já havia liberado R$ 276 milhões, ou seja, 140% a mais do que nós fizemos no mesmo período do ano passado”, explicou Viégas.

Com financiamento do BDMG, Usina Cerradão amplia geração de energia e abre nova fonte de receita

Durante o Conexão Verde, serão apresentados exemplos de projetos apoiados pelo banco. Entre eles está o caso da Usina Cerradão, com sede em Frutal. A empresa obteve, em 2021, financiamento de R$ 31 milhões junto ao BDMG, o que permitiu a ampliação da capacidade de geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar e a criação de uma nova frente de receitas por meio da comercialização de créditos de carbono. O crédito foi destinado à aquisição de um turbogerador movido a biomassa e entrou em operação em 2022.

Segundo o gerente executivo Administrativo-Financeiro da Cerradão, Rodrigo Rezende, a parceria com o BDMG acompanha a trajetória de crescimento da empresa desde os primeiros anos de operação.

“O BDMG foi nosso parceiro desde o primeiro momento. Foi o banco líder do nosso consórcio lá no início e teve participação importante no nosso crescimento. Ao longo desses anos, nos apoiou em diversos projetos e esse financiamento para o turbogerador foi um deles”, afirmou.

O financiamento feito junto ao BDMG contou com taxa de juros de cerca de 3% ao ano, dentro de uma linha voltada ao incentivo de projetos de energia limpa. A ampliação da capacidade instalada permitiu aumentar a exportação de energia produzida a partir da biomassa gerada no processamento da cana. A produção prevista para a safra atual equivale ao consumo anual de uma cidade de aproximadamente 900 mil habitantes.

O gerente executivo de Excelência Operacional, Otávio Amaral, afirma que o investimento teve impacto direto na geração de energia e na capacidade de aproveitamento de oportunidades relacionadas à agenda ambiental. Uma dessas oportunidades está relacionada ao mercado de créditos de carbono. Segundo Amaral, a expansão da geração de energia renovável permitiu à empresa habilitar-se a um mecanismo de reconhecimento ambiental vinculado à produção de eletricidade de fontes renováveis.

“Toda a energia que a gente exportou nos últimos anos pôde ser convertida em créditos. Agora estamos na etapa de buscar compradores, o que pode representar uma receita de alguns milhões de reais para a companhia. O acesso a esse mercado foi possível porque já atendiamos a requisitos ligados às práticas de sustentabilidade e governança exigidos pelas regulamentações do setor”, explicou.

Safra 2026

A expectativa da Cerradão é registrar na safra 2026 o maior volume de produção de sua história. A projeção é processar cerca de 7,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume que coloca a unidade entre as maiores do País. A produção estimada é de aproximadamente 530 mil toneladas de açúcar, 260 milhões de metros cúbicos de etanol e cerca de 600 GWh de energia elétrica.

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