Representando 40% das vendas do Agro para fora, o café totalizou US$ 2,56 bi no acumulado de 2020 | Crédito: Amanda Perobelli / Reuters

Com um crescimento de 9,2% na receita e 28,4% no volume, as exportações do agronegócio de Minas Gerais já atingem US$ 6,42 bilhões no acumulado entre janeiro e setembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, foram embarcadas mais de 10 milhões de toneladas em produtos.

O subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), João Ricardo Albanez, destaca a importância do agro para a economia de Minas Gerais, uma vez que o setor representou 34,4% das exportações de todo o Estado.

“Isso é um resultado muito positivo para a economia de Minas. O Estado teve um pequeno declínio no valor geral das exportações, mas, se não tivéssemos o agronegócio, teríamos uma queda ainda maior. No saldo da balança comercial, o agro contribuiu com US$ 5,9 bilhões, valor que representa 46% do saldo comercial mineiro”, complementa Albanez.

Segundo Manoela Teixeira de Oliveira, assessora técnica da Superintendência de Inovação e Economia Agropecuária (Siea) da Seapa, este bom resultado está atrelado a dois principais fatores: o câmbio favorável ao comércio exterior e a alta demanda de compras da China. “Cerca de 30% das nossas exportações foram para a China. Em comparação com 2019, as compras do país asiático cresceram 125% neste ano”, destaca.

Destinos – Nestes nove meses, a agropecuária mineira enviou os seus produtos para 168 países, sendo os principais China (US$ 1,88 bilhão), Estados Unidos (US$ 621,41 milhões), Alemanha (US$ 599,27 milhões), Itália (US$ 391,83 milhões) e Japão (US$ 249,65 milhões).

“Minas Gerais tem conseguido manter seus produtos competitivos no mercado internacional, mesmo nesse período de pandemia. A oferta regular de café, soja, açúcar e carnes vem garantindo boas negociações e acumulando recordes históricos neste ano”, acrescenta Manoela.

Mas os bons resultados não foram apenas no acumulado do ano. Considerando apenas as vendas de setembro, as exportações alcançaram US$ 730,38 milhões. Este valor foi o melhor resultado para o mês desde 2014.

O superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, Carlos Eduardo Bovo, faz uma boa projeção para o período pós-pandemia.

“A gente percebe que alguns países como China, Estados Unidos e Alemanha, entre outros, vêm ampliando a procura por alimentos e produtos agropecuários e agroindustriais, que é um fator favorável. O Estado está preparado para aproveitar essas oportunidades devido ao bom desempenho que estamos acompanhando ao longo dos últimos anos, com safras recorde, aumento de produtividade e produtos de qualidade”, argumenta Bovo.

Café lidera – A pauta exportadora do agronegócio de Minas Gerais segue liderada pelo café e seus derivados, que representam 40% de todas as vendas, com um total de US$ 2,56 bilhões. Ao todo, foram embarcadas 12,5 milhões de sacas de 60 kg.

“O café mineiro foi enviado, principalmente, para a Alemanha, que adquiriu neste ano 4 milhões de sacas, totalizando US$ 540 milhões, um aumento de quase 10% na comparação com o ano anterior”, pontua Manoela.

As vendas do complexo soja também seguem aquecidas, principalmente pelo envio do grão à China, que ocasionou um aumento de quase 37% na receita (US$ 1,66 bilhão) e 43% no volume exportado (4 milhões de toneladas) em comparação com o período de janeiro a setembro de 2019.

Outro setor que teve um bom desempenho até então foi o complexo sucroalcooleiro, tanto nas vendas de açúcar como nas de álcool. “As negociações desses itens totalizaram US$ 767 milhões. No caso do açúcar, principal item, as vendas obtiveram acréscimos de 62% no valor e 64% no volume. Já para o álcool, o crescimento ultrapassa 156% no valor e 210% no volume”, complementa a assessora técnica.

Carnes – Com uma receita de US$ 744 milhões e um volume de 240 mil toneladas, as carnes também seguem com as vendas aceleradas em 2020. Os principais destinos foram a China, Hong Kong e Arábia Saudita, que, juntos, responderam por cerca de 75% dos envios.

Representando 77% de todas as carnes exportadas, a bovina registrou um incremento de 7% no valor e de 8% no volume exportado, totalizando US$ 572 milhões. Mas a carne suína também teve bons números, com US$ 31 milhões. (Com informações da Seapa)

País tem negociação recorde de café

São Paulo – As exportações de café do Brasil em setembro, incluindo café verde, solúvel e torrado & moído, atingiram recorde histórico para o mês de 3,8 milhões de sacas de 60 kg, com alta de 8,6% na comparação anual, disse o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) ontem.

Já as exportações de café verde em setembro somaram 3,51 milhões de sacas, salto de 11,5% na comparação com mesmo mês do ano passado, segundo os dados da entidade setorial.

As vendas externas de café arábica somaram 2,838 milhões de sacas no período, com avanço de 1,4% na comparação anual, enquanto as da variedade robusta atingiram 672,465 mil sacas, salto de 93,8% ante mesmo mês de 2019, acrescentou o Cecafé.

“Observamos também que os resultados poderiam ter sido ainda melhores, na ordem de 10% a 15%, se não fossem os problemas logísticos de falta de contêineres e espaços nas embarcações”, disse em nota o presidente da entidade, Nelson Carvalhaes.

Ainda assim, os volumes acumulados nos primeiros três meses do ano-safra 2020/21 “demonstram o melhor resultado histórico para as exportações no início da safra”, apontou o Cecafé em relatório.

A receita cambial gerada pelas exportações chegou a US$ 458 milhões em setembro, com avanço de 3,6% ante mesmo período do ano passado.

Na conversão cambial, no entanto, a receita somou R$ 2,5 bilhões, crescimento de 35,7% ante setembro de 2019, segundo o Cecafé.

“Estamos muito satisfeitos com os resultados de exportação do café em setembro. O volume de vendas foi recorde em relação ao mesmo mês nos anos anteriores e, além disso, tivemos um aumento muito significativo na receita total em reais”, disse Carvalhaes.

Segundo ele, a safra 2020/21 tem registrado “uma excelente performance tanto na quantidade quanto na qualidade”, apesar dos desafios gerados pela pandemia de coronavírus para o setor.

No acumulado do ano civil, de janeiro até setembro, as exportações de café totalizaram quase 30,5 milhões de sacas, recuo de 0,6% na comparação ano a ano, com receita cambial de US$ 3,9 bilhões.

As exportações de café verde de janeiro a setembro foram de 27,5 milhões de sacas no período, baixa de 0,5% na comparação anual.

As vendas externas de café arábica somaram 23,76 milhões de sacas (-3,3%) no período, enquanto as de robusta totalizaram 3,73 milhões de sacas (+22,3%).

Os principais destinos do café brasileiro, até o momento no ano civil, foram os Estados Unidos, que importaram 5,6 milhões de sacas (18,5% do total embarcado no período), Alemanha (5,1 milhões de sacas), Bélgica (2,4 milhões de sacas) e Itália (2,3 milhões de sacas), segundo o Cecafé. (Reuters)