Apesar da retração, a demanda em alta pelas carnes mineiras tem contribuído para evitar maior queda no comércio internacional - Crédito: Divulgação

As exportações do agronegócio em Minas movimentaram US$ 7,2 bilhões entre janeiro e novembro de 2019. O valor é 1,5% menor que o registrado no ano anterior. Uma das influências negativas veio do complexo soja, que registrou queda de 29,4% na receita. Por outro lado, a demanda pelas carnes mineiras segue em alta. Nos onze primeiros meses de 2019, o faturamento do grupo das carnes cresceu 24,7%, respondendo a uma maior demanda vinda, principalmente, da China. As exportações de café também ficaram maiores, com faturamento crescendo 14,6%. Os dados são da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

Ao longo dos primeiros onze meses de 2019, foram embarcados 9,55 milhões de toneladas de produtos agrícolas e pecuários, retração de 4,5%. Em relação ao preço médio da tonelada, US$ 754,92, houve um aumento de 3,11% frente à média praticada em igual intervalo de 2018.

Do total de 168 parceiros comerciais, os cinco principais destinos dos produtos mineiros no mercado internacional foram China (US$ 1,76 bilhão – 25%), Estados Unidos (US$ 814,94 milhões – 11%), Alemanha (US$ 718,81 milhões – 10%), Itália (US$ 421,65 milhões – 6%) e Japão (US$ 375,45 milhões – 5%).

Carnes – Entre janeiro e novembro, o grupo das carnes faturou com os embarques US$ 950 milhões, valor 24,7% superior. Em volume, houve um acréscimo de 2,6%, somando 267,8 mil toneladas. O destaque ficou por conta dos embarques de carne bovina. No período, o aumento em volume chegou a 24,3% e alcançou 164,7 mil toneladas. O faturamento subiu 33%, encerrando o período em US$ 728,2 milhões.

Na carne suína, o incremento nos ganhos ficou em 11,7%, movimentando US$ 21,7 milhões. O volume embarcado, 13,1 mil toneladas, está 27,5% superior. Em carne de frango, foi verificada alta de 8,4% no faturamento das exportações, encerrando o período em US$ 185,3 milhões. Já em volume embarcado, 84,4 mil toneladas, a queda foi de 22,6%.

De acordo com o subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Seapa, João Ricardo Albanez, a demanda chinesa pela carne brasileira e mineira vem contribuindo para a expansão das exportações do grupo. A tendência é de que as exportações de carne continuem em alta.

“As exportações do grupo de carnes, com destaque para a carne bovina, estão crescendo, e isso tem ocorrido pela demanda maior da China, que é nosso principal comprador. É um fato interessante, uma vez que o setor vinha sofrendo com os preços baixos, questões de seca e abate de matrizes. A oportunidade de exportação para China acontece devido à Peste Suína Africana (PSA) que dizimou o rebanho em cerca de 50%. Com isso, os chineses entraram no mercado adquirindo maiores volumes”, explica.

Ao contrário do grupo das carnes, o complexo soja encerrou os primeiros onze meses de 2019 com queda nos embarques. Ao todo, o setor foi responsável por uma movimentação financeira de US$ 1,3 bilhão, valor que retraiu 29,4% frente aos US$ 1,89 bilhão registrados em igual período do ano passado. Em volume, os embarques caíram 23,1%, com a exportação de 3,5 milhões de toneladas. A comercialização da soja em grão com o exterior foi responsável por um faturamento de US$ 1 bilhão, variação negativa de 36,8%. A redução em volume ficou em 28,5%, com a exportação de 3 milhões de toneladas. Os embarques de farelo de soja cresceram 34,2% em volume (497 mil toneladas) e 28,3% em faturamento, US$ 254,3 milhões.

“A China é o principal importador de soja e utilizava o produto processado para alimentar o rebanho. Como houve redução do número de animais, reduziu-se também a compra de soja. Mas esse movimento é importante porque estamos agregando valor à soja – que passou a ser utilizada no mercado interno – ao exportar a carne”.

Café – O café, principal produto da pauta exportadora do agronegócio mineiro, que responde por 44,3% das exportações do setor, apresentou elevação de 14,8% no faturamento gerado com os embarques, que encerrou o período em US$ 3,19 bilhões. Em volume, a alta ficou em 31,8%. Ao todo, foram destinadas ao mercado internacional 1,4 milhão de toneladas de café.

As exportações de produtos florestais renderam a Minas Gerais US$ 626 milhões, retração de 10,5% se comparado com o faturamento gerado em igual período do ano anterior, quando a movimentação financeira chegou a US$ 700 milhões. Em volume, foi registrada alta de 21,1%, com a destinação de 1,2 milhão de toneladas de produtos florestais ao mercado internacional.

Queda foi verificada ainda nas exportações do setor sucroalcooleiro, que retraíram 8,5% em faturamento, encerrando os primeiros onze meses de 2019 em US$ 668 milhões. Em volume, o recuo foi de 2,1%, com a exportação de 2,3 milhões de toneladas.