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Agronegócio

Faemg aponta alternativa para crise na oferta de fertilizantes

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A análise criteriosa sobre os nutrientes do solo dará ao produtor um parâmetro sobre a necessidade de fertilizantes | Crédito: Divulgação

A crise mundial na oferta de fertilizantes não deve afetar produtores mineiros na safra atual (21/22). Mas a preocupação existe em relação ao próximo período produtivo (22/23). Uma saída imediata para o problema passa pela análise da reserva de nutrientes do solo. Uma alternativa mais demorada, mas que se mostra cada vez mais necessária, seria uma nova revolução agrícola a partir do uso de bioinsumos. As afirmações são do analista de Agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Sistema Faemg), Caio César Coimbra.

Segundo ele, a falta de fertilizantes no mundo e a consequente alta no preço desses insumos têm três causas principais. Uma delas está relacionada à China, principal fornecedor para o Brasil, e teve início no auge da pandemia com o governo chinês impondo racionamento em sua matriz energética, bastante dependente do carvão. “O governo chinês estabeleceu cotas no uso da energia em algumas províncias e isso afetou fabricantes de fertilizantes, que passaram a produzir menos e, consequentemente, exportar menos”, explicou Coimbra.

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Outro motivo está relacionado a uma política protecionista da Rússia, outro importante fornecedor, que mudou a política de exportação para ampliar a oferta interna de alimentos. “Ao perceber a pressão inflacionária nos alimentos, a Rússia reduziu as cotas de exportações”, informou o analista. Na semana passada, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, garantiu que a Rússia manterá importações de fertilizantes ao Brasil. O anúncio veio após uma interlocução da pasta com representantes do governo russo.

O terceiro fator e não menos impactante que os anteriores é a crise logística mundial da falta de contêineres. “Mercados do mundo inteiro ficaram parados no período mais crítico da pandemia. A retomada veio de uma vez e em várias partes do mundo, e isso fez com que faltassem contêineres, alavancando uma alta nos custos logísticos”, acrescentou Coimbra. “Tudo isso junto elevou os preços dos fertilizantes. Em alguns produtos, a alta chega a 300%”, completou.

 Caio Coimbra frisou que, como os produtores mineiros fazem compra de insumos com antecedência, não faltará fertilizantes para a safra atual. “A preocupação, caso a questão não se resolva, é com a próxima safra (22/23)”.

 O temor está relacionado principalmente ao custo do fertilizante, que pode encarecer muito a produção.

Alternativa viável

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Diante do cenário, o especialista orienta que, os produtores façam uma análise criteriosa da reserva de nutrientes do solo.

“Dessa forma, os produtores vão otimizar o uso de fertilizantes, conforme a necessidade do solo e não perder em produtividade. Mas é importante frisar que essa análise deve ser feita por um profissional qualificado, que é o engenheiro agrônomo”. Ainda de acordo com Coimbra, o Sistema Faemg está desenvolvendo diversas ações no sentido de orientar os produtores em relação ao manejo do solo.

O analista de Agronegócios acrescentou que, para diminuir a dependência brasileira de fertilizantes, é preciso uma nova revolução agrícola voltada ao uso dos bioinsumos.

“O Brasil tem tecnologia desenvolvida para o uso de insumos biológicos. Tem pesquisa e muito potencial. Há diversas experiências que comprovam a qualidade do uso”, completou o analista de  Agronegócios da Faemg.

Independência passa por uso de bioinsumos

O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, segundo dados de uma audiência pública realizada na última quinta-feira (2) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A dependência de outros países e uma busca por solução para o problema da falta do insumo foi tema de audiência da Comissão de Agropecuária da ALMG. Entre os participantes, o ex-ministro da Agricultura e presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, propôs uma nova revolução no setor.

O engenheiro agrônomo de 85 anos e candidato ao Prêmio Nobel da Paz em 2021 disse que a base da agricultura deve ser natural, biológica, e não mais química, como é hoje. “Essa é uma grande chance para o Brasil. Os países ricos querem esses alimentos mais naturais”, apontou. Ele acredita que o Brasil pode desenvolver um modelo agrícola de alta produtividade, com oferta constante de produtos sustentáveis e de alta qualidade.

Paolinelli defendeu na audiência, da qual participou remotamente, o investimento na agricultura sustentável. Essa forma de produção tem como pressupostos o uso da biotecnologia na fabricação de insumos e fertilizantes para enriquecer o solo e produzir alimentos naturais.

De acordo com o também ex-deputado constituinte, o Brasil conta com rochas que têm os elementos químicos necessários para produção de insumos agrícolas. O material das rochas, interagindo com microorganismos, resulta em insumos que já produzem resultados positivos na agricultura. “Em 2050, teremos 10 milhões de pessoas no planeta, só que muito mais ricas. Será que não vamos aproveitar isso?”, provocou.

Paolinelli: Brasil está diante de uma grande oportunidade | Crédito: Abramilho

Sequestro de carbono – Também apostando no uso desses insumos, Tarcísio Gonçalves, professor da Universidade Federal de Lavras (Ufla), afirmou que já existem estratégias simples e baratas apontando nessa direção. “Temos que melhorar a fertilidade do solo, mas como? Consumindo mais o gás carbônico, colocando-o nas plantas”, sugeriu.

Na avaliação dele, a redução no uso de fertilizantes químicos é uma realidade que o uso da biotecnologia, de rochas e microorganismos propicia. O pesquisador dá sua receita para um sistema de produção sustentável: com a melhoria de suas propriedades físicas, o solo vai atender melhor a planta. Então, faz-se o plantio com sementes tratadas. Posteriormente, é importante ativar as plantas de modo que estejam propensas a serem nutridas.

Para o pesquisador Fernando Valicente,  da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a fabricação de produtos biológicos tem aumentado muito no Brasil, chegando a um total de 411 registrados, entre fungos, bacilos e baculovírus. Com atuação na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas, ele confirma que os chamados bioinsumos já são conhecidos dos agricultores, que utilizam os produtos no manejo biológico. Essa técnica inclui o controle de pragas e doenças e, ainda, o uso de biofertilizantes para otimizar o crescimento das plantas e não deixar resíduos tóxicos nelas e no solo.

Fernando Valicente destacou na audiência pública, a pesquisa desenvolvida com o Bacillus Thuringiensis. Já registrada, essa bactéria tem ação comprovadamente eficaz: no controle de pragas, atuando como biopesticida e transgênico, na agricultura; e em outras áreas, como destruidor de células cancerígenas e de vermes humanos.

Por fim, o pesquisador divulgou que a Embrapa desenvolve projetos com o Ceará e com Níger e Costa do Marfim, na África. Nessas ações, são fornecidas cepas de Bacillus Thuringiensis para 40 mil produtores rurais daquele Estado e 400 mil para as nações africanas. (Com informações da ALMG)

Pesquisadores apontam experiências disponíveis ao produtor

O sócio da Biochar Technology, Paulo Sérgio Correia, também participou da audiência pública na Assembleia. Segundo ele, o mundo vive uma crise na oferta de fertilizantes.. “De cada cinco pratos de comida no mundo, um vem do Brasil, ou seja, 20% da produção mundial de alimentos. Mas 82% dos fertilizantes são importados”, alertou.

Ele também defendeu que o País invista na produção desse insumo. “Temos que explorar as jazidas nacionais, como as de potássio, por exemplo. Hoje, importamos 90% desse mineral”, criticou.

Paulo Correia falou ainda das pesquisas com nanotecnologia. E citou a Universidade Federal de Lavras (Ufla) que, com o uso desse método, está conseguindo substituir a adubação no solo pela adubação foliar. Com isso, a planta passa a produzir mais biomassa com a mesma produção de grãos, e com a vantagem de não aumentar a acidez no solo.

O executivo também é favorável à reciclagem de nutrientes, com reaproveitamento de resíduos E citou que já existem alguns projetos com essa característica no País, como um de integração entre um frigorífico e uma usina de açúcar, em Goiás. “Há potencial para se produzir 40 milhões de toneladas de fertilizantes de alta performance, aproveitando esses resíduos”, afirmou.

Já Paulo César de Melo, professor da Ufla, falou na audiência sobre suas pesquisas com algas marinhas para uso na agricultura. De acordo com ele, esses organismos possuem mais de 70 nutrientes e podem substituir os fertilizantes.

Ele divulgou experiência desenvolvida em lavoura de milho em Lavras, que vinha sendo atacada por pragas. Com a aplicação do produto a base de algas, as pragas sumiram.

Emater – Zenaido Lima, extensionista da Emater em Arcos (Centro-Oeste), destacou que o alto custo dos insumos convencionais é um dos motivos que levou o produtor a buscar formas mais naturais de lidar com a terra. “Temos trabalhado com agricultores a importância de preservar a fertilidade do solo”, lembrou.

Ele abordou um projeto desenvolvido no município de criação de suínos em cama sobreposta. Os animais ficam em cima de tablados e as fezes caem embaixo e são misturadas a palha de arroz, que juntas se transformam num excelente composto orgânico. O sistema não gera mau cheiro nem poluição e contribui para reduzir o consumo de água. Como o bem-estar do animal é maior, ele engorda mais rápido, aumentando a produtividade.

O deputado Antonio Carlos Arantes disse que o desenvolvimento dos bioinsumos é algo irreversível, pois eles garantem a sustentabilidade ambiental e a saúde de todos. Isso sem falar no aspecto econômico, já que os fertilizantes tradicionais triplicaram de preço, segundo o parlamentar. Ele aproveitou a audiência pública para divulgar o projeto de lei de sua autoria, PL 3032/21, que cria a Política Estadual de Bioinsumos. (Com informações da ALMG)

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