Objetivo de lives é orientar agricultores com informações importantes principalmente diante do momento delicado imposto pelo Covid-19 | Crédito: Ueslei Marcelino/Reuters

O produtor rural de Minas Gerais enfrenta diversos desafios para manter a produção e abastecer o mercado interno e externo. Para minimizar os gargalos, o acesso a informações, a capacitação, o uso da tecnologia e a gestão da propriedade são considerados essenciais.

Com os eventos presenciais voltados para o setor comprometidos em função da pandemia do Covid-19, o Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg), em comemoração ao Dia do Produtor Rural, promove, a partir de hoje, uma série de lives que tratarão de assuntos relevantes para o setor.

De acordo com o presidente do Sistema Faemg, Roberto Simões, o Dia do Produtor Rural Mineiro foi instituído na mesma data do aniversário da Faemg, 7 de julho, como forma de homenagear os homens e mulheres do campo, que trabalham dia a dia para produzir alimentos.

“A pandemia do Covid-19 trouxe novos desafios. Com a impossibilidade de promover esta comemoração presencialmente, para evitar a propagação do coronavírus, optamos por planejar uma programação voltada para os interesses dos produtores. Serão dez lives, nas quais iremos abordar as condições do cenário atual de enfrentamento à pandemia, reflexões sobre o futuro, além de soluções práticas relacionadas a aspectos tributários, meio ambiente, tecnologias, e novas ideias para que o homem do campo produza mais e com qualidade, sempre procurando satisfazer o consumidor”, disse.

Hoje, às 17h30, será realizada a primeira live, que terá como tema “O Agro Mineiro: agora e depois da pandemia”, com o presidente do Sistema Faemg, Roberto Simões, e a secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Valentini. A transmissão será pelos canais da Faemg.

Com as lives, o objetivo é levar informações importantes para os agricultores, o que é considerado essencial para a evolução do setor, principalmente, no atual cenário, onde as incertezas são muitas e os negócios vêm sendo afetados pela crise econômica provocada pela pandemia.

“O setor produtivo está diretamente afetado pelos reflexos da pandemia na economia, especialmente quanto às perspectivas de consumo e de gastos das famílias. Se por um lado o alimento é essencial e há demanda direta, alguns setores e cadeias produtivas sentiram e ainda poderão sentir uma diminuição da demanda ou sua variação e alteração nas formas de consumo, dada a potencial redução da renda e desemprego”, explicou.

Adaptação x sobrevivência – Com a pandemia do Covid-19, os produtores precisam estar atentos ao mercado e buscar formas de inovar. Com a suspensão de alguns canais de comercialização, como as feiras, por exemplo, muitos estão se adaptando e buscando alternativas, como as vendas on-line.

Outra mudança que ocorreu no setor foi a adaptação dos processos produtivos para evitar a proliferação do Covid-19, principalmente, na produção de café, que está em período de colheita, e em outras atividades, que também envolvem o uso de maior volume de mão de obra. Com as modificações provocadas para a contenção do vírus, muitos problemas já enfrentados no campo foram ampliados.

“Historicamente, temos alguns gargalos que ficaram mais evidentes, como a inadequação da infraestrutura, especialmente de telecomunicações e energia elétrica, e que são necessárias para as ações de comercialização, uma vez que eventos presenciais estão restritos ou impedidos. Também enfrentamos e estamos trabalhando nas adequações trabalhistas e nos planos de contingência para a continuidade dos negócios, da colheita de café e das plantas frigoríficas para abate dos animais, por exemplo, que demandam grande contingente de mão de obra. Outros agentes da cadeia produtiva e o próprio órgão de defesa estão envolvidos. Plano de contingência para evitar a disseminação do vírus e manutenção das atividades produtivas são essenciais”, destacou Simões.

Ainda segundo Simões, o setor produtivo do agronegócio mineiro ainda enfrenta outros gargalos antigos, como a burocracia, a falta de armazenagem e necessidades de adequação das políticas públicas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), excesso de legislações sanitárias, assuntos ambientais, insegurança pública e jurídica, problemas fundiários, incidência de tributação no agronegócio (nos insumos – energia elétrica), endividamento e falta de seguro rural.