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Custos do agronegócio devem subir com fábrica de fertilizantes fechada

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Com menos opção, agricultor deverá estudar melhor a aplicação de fertilizantes em sua produção - Crédito: Scott Audette/Reuters

A confirmação do fechamento da Araucária Nitrogenados S/A (Ansa/Fafen-PR), fabricante de fertilizantes pertencente à Petrobras e localizada na cidade de Araucária, no Paraná, vai deixar o setor agropecuário ainda mais dependente das importações do insumo, o que pode elevar os custos de produção em todo o País.

A unidade é a terceira do segmento a ser hibernada pela Petrobras; antes, foram fechadas as indústrias localizadas na Bahia e em Sergipe. A Ansa/Fafen-PR é a única fábrica de fertilizantes do País que opera as matérias-primas amônia e ureia.

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Usando resíduo asfáltico (Rasf), a unidade do Paraná é capaz de produzir diariamente 1.303 toneladas de amônia e 1.975 toneladas de ureia, que são utilizadas nas indústrias químicas e de fertilizantes.

A planta também fabrica 450 mil litros por dia do Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32), aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas. A unidade ainda pode produzir, por dia, 200 toneladas de CO2, que é vendido para produtores de gases industriais; 75 toneladas de carbono peletizado, vendido como combustível para caldeiras; e seis toneladas de enxofre, usado em aplicações diversas.

Segundo o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, com o fechamento da unidade, o País se tornará dependente da importação do insumo.

De acordo com as informações divulgadas pela FUP, a unidade do Paraná é a única produtora de ureia no Brasil, insumo básico para a produção de fertilizantes. O volume produzido na unidade corresponde atualmente a cerca de 10% do que é consumido em território nacional – outros 90% são importados.




Ainda conforme os dados da FUP, a produção da Fafen-PR, somada às das Fafens da Bahia e de Sergipe, que foram arrendadas pela Petrobras no fim de 2019, garantiam cerca de 30% da produção de insumos para fertilizantes. A paralisação de mais essa unidade deixa o País ainda mais exposto ao mercado internacional de fertilizantes, trazendo impacto direto para o agronegócio e aumento do preço das commodities.

Dependência externa – “Com o fechamento da unidade do Paraná, a agroindústria ficará totalmente dependente do mercado internacional, o que pode significar aumento dos custos de produção. Além disso, existem outros problemas. Hoje os principais exportadores são a China, a Rússia e alguns países na África, como a Nigéria, por exemplo. Os fornecedores ou estão em áreas de conflitos ou como na China e na Rússia, que por decisões macroeconômicas podem suspender ou limitar as vendas. Na China e na Rússia, o gás natural também é utilizado para o aquecimento das casas, por isso, em alguns períodos, há redução da destinação do gás para a fabricação do fertilizante, o que reduz a oferta e eleva os preços”, explicou Bacelar.

Para a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, o fechamento da unidade do Paraná trará consequências muito difíceis para o agronegócio de todo o País.

“Para o agronegócio, o fechamento é bastante delicado. A gente tem uma necessidade de produção de insumos para a agropecuária no País, não é só na área de fertilizantes, isso é fato. Estamos em busca e existe a necessidade de realizar investimentos internos que melhorem as ações do setor. Outro ponto delicado com o fechamento é a redução da concorrência entre fábricas e fornecedores de insumos para a produção do agronegócio. Também poderemos ficar à mercê das importações, o que pode elevar os custos com o câmbio desvalorizado, como visto ao longo do último ano”, avalia.

O impacto mais relevante poderá ser sentido nas produções de soja e de milho, que são lavouras temporárias de ciclo mais rápido.

Uso direcionado – Ainda segundo Aline, a indicação é que o produtor rural faça as análises necessárias do solo para identificar as carências e a real necessidade de aplicação dos produtos. Dessa forma, irá utilizar somente o volume necessário, reduzindo os custos e evitando prejuízos.




“Os fertilizantes são utilizados para correção do solo, para a melhoria do sistema produtivo e aumento da produtividade das lavouras. Como uma das consequências do fechamento da unidade pode ser o aumento dos custos, o produtor precisa ter o controle efetivo da gestão, dos custos e fazer análises do solo e investir na assistência técnica direcionada para a atividade para ter melhor resultado”, disse Aline.

Prejuízos levaram à suspensão de atividades

Em comunicado emitido pela Petrobras, a decisão de suspender as atividades da Araucária Nitrogenados S/A (Ansa/Fafen-PR) veio após recorrentes prejuízos registrados desde que a unidade foi adquirida em 2013.

“Os resultados da Ansa, historicamente, demonstram a falta de sustentabilidade do negócio: somente de janeiro a setembro de 2019, a Araucária gerou um prejuízo de quase R$ 250 milhões. Para o final de 2020, as previsões indicam que o resultado negativo pode superar R$ 400 milhões. No contexto atual de mercado, a matéria-prima utilizada na fábrica (resíduo asfáltico) está mais cara do que seus produtos finais (amônia e ureia) e as projeções para o negócio continuam negativas”.

O diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, explica que a indústria começou a operar no negativo após a mudança da política de preços da Petrobras, que passou a se balizar pela cotação do barril de petróleo no mercado internacional. Com a mudança, a matéria-prima (resíduo asfáltico) teve os preços elevados. Para o representante da FUP, a modificação foi injusta, uma vez que o resíduo é fabricado pela própria empresa e deveria ser repassado para a indústria subsidiária a preço de custo.

A paralisação da Ansa/Fafen-PR vai provocar a demissão de cerca de 1.000 pessoas, gerando grande impacto negativo na economia local e regional. Cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) apontam que somente o município de Araucária, onde está instalada a Ansa/Fafen-PR, vai sofrer impacto negativo de R$ 75 milhões anuais com a demissão dos trabalhadores e a perda de suas rendas. O prejuízo se estende também aos cofres do governo do Paraná, que pode deixar de recolher cerca de R$ 50 milhões em ICMS.

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