A queda na receita da pecuária de leite foi pequena para a maioria dos produtores | Crédito: Francois Blazquez

A pandemia de Covid-19 está interferindo nos setores produtivos, porém, na pecuária, atividade essencial, os impactos estão mais suaves do que os apresentados por outras áreas.

Pesquisa feita pela Ideagri mostra ainda que, diante das dificuldades impostas pela pandemia, os pecuaristas seguem em busca de alternativas para se manter atualizados e enfrentar possíveis efeitos negativos.

Desenvolvedora de software utilizado por cerca de 5.000 fazendas de leite e corte de todos os estados do Brasil, a Ideagri ouviu em torno de 3% dos clientes em uma pesquisa on-line com 15 perguntas sobre economia, gestão, comportamento e comunicação. Das 150 respostas recebidas na pesquisa, 83 foram provenientes de produtores de Minas Gerais.

Segundo a pesquisa, 73,5% dos produtores de leite e técnicos não sentiram ou tiveram leve queda de receita frente ao projetado. Apenas 12% registraram uma redução grande no faturamento, enquanto 10,9% aumentaram a receita. Em relação aos custos, 76,2% não notaram ou notaram pequeno aumento de despesas em relação às já previstas desde março, quando o isolamento social foi adotado em todos os estados brasileiros.

Também foi identificado que 86,3% das propriedades que responderam a pesquisa não reduziram a equipe de trabalho. Entre as ações emergenciais adotadas pelos produtores para o enfrentamento da crise, houve cortes em investimento de infraestrutura (52%), redução de despesas administrativas (50%) e a redução de gastos com fornecedores e matéria-prima (49%).

Para enfrentar os efeitos negativos da pandemia, os pecuaristas optaram também pelas renegociações de prazos de pagamentos (30%) e concessão de férias e licenças não remuneradas (21%). Apenas 14% dos entrevistados acessaram linhas de crédito ou assumiram dívidas de curto prazo com bancos e suspenderam ou cancelaram contratos com fornecedores.

“A pecuária, como setor essencial, foi menos afetado que os demais. Apesar dos impactos sentidos, a dinâmica do mercado para o setor não muda muito por ser alimento essencial. Porém, os produtores estão preocupados com a insegurança provocada pela pandemia e pelo empobrecimento da população. Mas a maioria está conseguindo trabalhar dentro do esperado e se adaptando ao novo cenário e às novas oportunidades”, explicou a CEO da Ideagri, Heloise Duarte.

Dentre os fatores que têm deixado os pecuaristas receosos estão as incertezas políticas econômicas, fato apontado por 65,3% dos produtores e técnicos entrevistados. A recessão econômica (88,4%) e o aumento do desemprego (83%) são as principais preocupações dos pecuaristas. Também existe grande receio frente ao colapso na saúde (46,3%) e ao desabastecimento (21,1%).

Mesmo que o impacto do Covid-19 não tenha sido muito significativo na atividade, os pecuaristas de leite estão cautelosos em relação à recuperação da economia nacional. A pesquisa da Ideagri mostrou que 21,1% dos entrevistados esperam que o retorno aconteça em até um ano, enquanto 36,7% acreditam que serão necessários entre um e dois anos. Outros 14,3% não esperam uma recuperação antes de dois anos.

Agro on-line – Um dos pontos positivos registrados pela pesquisa foi a maior abertura dos pecuaristas para a busca de informações e capacitações pelos canais on-line.
Segundo a pesquisa, 84% dos entrevistados buscam informações na internet para se manter atualizados.

As informações por redes sociais são buscadas por 31% dos entrevistados e os grupos de WhatsApp são adotados por 22%. Cerca de 42% se atualizam através de programas de televisão e por veículos impressos são 22% dos entrevistados.

A participação em eventos on-line cresceu substancialmente no período de isolamento social. De acordo com Heloise, antes da pandemia, apenas 42% dos pecuaristas e técnicos do setor acompanhavam eventos virtuais, índice que subiu para 91% durante os meses de isolamento. Do total, 99% conseguiram absorver as informações passadas nos eventos on-line.

Dos entrevistados, 98% pretendem acompanhar os eventos de forma remota mesmo após a pandemia.

“Os pecuaristas e técnicos que tinham muito receio em participar dos eventos on-line, ao não ter alternativa com a pandemia e com a suspensão de eventos presenciais, participaram e viram que o resultado é positivo e vantajoso. Além do tempo poupado com o deslocamento, a absorção de informações foi positiva. Por isso, a tendência é de que eles sigam utilizando a tecnologia”, destacou Heloise.