Minas tem a maior área de florestas plantadas do País | Crédito: AMS/Divulgação

A indústria florestal em Minas Gerais está passando por uma fase positiva, o que deve estimular o retorno dos investimentos no plantio de florestas em 2021. Com a demanda aquecida e preços rentáveis, o setor inicia um processo de recuperação após um período longo de crise. O Estado possui a maior floresta plantada do País, com 2,3 milhões de hectares de área cultivada, distribuídos em 74% dos municípios de Minas.

De acordo com a presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), Adriana Maugeri, o setor vinha mostrando sinais de recuperação já nos primeiros meses de 2020. Ela explica que as expectativas já eram positivas devido às tendências de crescimento do PIB, de recuperação da economia e de sinalizações do governo em relação à simplificação e desburocratização dos processos, da lei ambiental e da aprovação de reformas necessárias como a tributária e a fiscal.

“Estávamos com expectativas muito positivas, tanto para a produção florestal quanto para a indústria que demanda a madeira e os subprodutos. Isso é muito relevante no setor florestal porque, em Minas Gerais, se plantou muito pouca floresta nos últimos anos, em função da crise. Tivemos muitas áreas reconduzidas, mas sem novas áreas e, isso, preocupava bastante”.

Antes mesmo da pandemia de Covid-19 chegar ao Brasil, o setor já estava cauteloso, uma vez que a China, um dos principais demandadores dos produtos que impactam na demanda por carvão, enfrentou problemas logo no início do ano. Com planejamento estratégico e experiência de crises vividas anteriormente, o setor se organizou para proteger o caixa das empresas frente às incertezas provocadas pela pandemia.

“No início da pandemia no Brasil, nós fechamos quase todas as empresas e adotamos medidas para proteger o caixa, justamente pelas incertezas. Mas, logo nas primeiras semanas, o setor foi declarado como essencial por fornecer insumos importantes para a produção de papel, metal, aço e inox que são provimentos para materiais de saúde. Com isso, as perspectivas começaram a melhorar”.

Mercado externo – Ainda segundo Adriana, enquanto o mercado interno estava sendo fechado para contenção da pandemia, o externo começou a reabrir, o que elevou a demanda pelo aço e pelo gusa, aumentando também a procura pelos produtos da indústria florestal.

“Ao contrário das crises anteriores, a atual foi sanitária e não marcada pela falta de recursos financeiros. As empresas estavam capitalizadas e protegeram o caixa esperando a fase crítica passar para retomar as atividades e os investimentos. Nós tivemos adiamento dos projetos, mas não tivemos cancelamentos. Isso foi essencial”.

Impacto da pandemia foi aquém do esperado

Com a demanda externa aquecida, a retomada da interna e grande parte dos setores industriais consumidores de produtos da industrial florestal sendo considerados como essenciais, o impacto negativo no setor foi menor que o estimado inicialmente, fazendo com que as indústrias não parassem.

O carvão vegetal, segundo a presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), Adriana Maugeri, está com perspectivas excelentes, e não vivenciadas pelo setor há anos. Mesmo sem divulgar as cotações, por fazer parte das regras da associação, ela explica que os valores estão rentáveis e que vão estimular o plantio de novas áreas.

“A indústria metalúrgica – aço, gusa e ligas especiais – continuou demandando e consumindo até mais. Daqui para frente, as expectativas são positivas, com o mercado interno retomando. Além disso, há uma maior preocupação com a dependência de produtos vindos da China e o mercado interno começa a pensar em projetos de nacionalização de equipamento e ferramentas, por exemplo. A pandemia alertou a indústria do nível de dependência que tínhamos da China, e que nós realmente, no que pudermos, precisamos fabricar e reduzir a importação”.

Uma das indústrias que deve reduzir a dependência dos importados e fortalecer a produção nacional é a automobilística, o que é importante para a indústria metalúrgica. A construção civil – que está com demanda elevada e muitos projetos – também vai contribuir para puxar os resultados do setor de floresta plantadas.

“A indústria metalúrgica e a construção civil são muito importantes e puxam a nossa indústria. Por isso, os preços do carvão têm perspectivas boas. Hoje, os preços estão remunerando os produtores, que amargaram prejuízos por muito tempo”.

A tendência é de aumento da produção. De acordo com os dados do Instituto Estadual de Florestas (IEF), em 2019, o volume de carvão comercializado e oriundo das florestas plantadas de Minas Gerais foi e 4,75 milhões de toneladas, maior em 4,5% frente a 2018. Com o retorno financeiro e a tendência de um mercado aquecido, a expectativa é que as empresas retomem os projetos de expansão em 2021.

“Houve um acréscimo significativo no consumo de carvão em 2019 e no fechamento de 2020, que será feito pelo IEF em janeiro, com certeza, os resultados serão muito positivos. Esperamos uma retomada mais forte para o ano que vem, inclusive, com a possibilidade de atração de investimentos estrangeiros, que querem investir em atividade limpa, de longo prazo e com alta rentabilidade”, disse Adriana.