Maior liquidez e demanda têm favorecido o cultivo da soja, que deve atingir 5,4 milhões de t - Crédito: Jonas Oliveira

Com as condições climáticas favoráveis registradas até o momento, Minas Gerais caminha para mais uma safra recorde de grãos. De acordo com o 3º Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2019/20 divulgado, ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa é de colher 14,3 milhões de toneladas de grãos, volume 0,7% superior à safra passada, que até então era o recorde estadual. Os destaques são a soja e o milho primeira safra.

De acordo com o levantamento, houve uma expansão de área em 1,2%, somando 3,49 milhões de hectares em produção. A produtividade média estimada, quatro toneladas por hectare, ficou praticamente estável, com pequena variação negativa de 0,6%.

“Em Minas Gerais houve um atraso das chuvas em outubro, o que atrasou o plantio. Porém, com a regularização das chuvas, o desenvolvimento da safra segue dentro do esperado”, explicou o gerente de levantamento e avaliação de safras da Conab, Fabiano Vasconcelos.

Soja – No Estado, o maior destaque em produção será a soja. A projeção é colher 5,4 milhões de toneladas, volume 6,6% maior que o registrado na safra anterior, quando Minas Gerais produziu 5 milhões de toneladas. A maior liquidez e a demanda forte fizeram com que a área dedicada à cultura crescesse 2%, com o uso de 1,6 milhão de hectares. O clima favorável e os pacotes tecnológicos utilizados vêm garantindo uma expansão de 4,5% na produtividade, que pode alcançar 3,3 toneladas por hectare.

“Como os produtores utilizam sementes precoces e super precoces, a expectativa é de que a colheita da soja, apesar do atraso no plantio, aconteça na época planejada, o que pode preservar a janela de plantio para a segunda safra e incentivar maiores investimentos no plantio do milho e do algodão, principalmente”, explicou Vasconcelos.

Na produção do milho é esperado incremento de 4,2%, com um volume de 4,78 milhões de toneladas na primeira safra. A produtividade, 6,3 toneladas por hectare, tende a crescer 2,9%. A área plantada está 1,3% maior e somando 758,4 milhões de hectares.

Para a segunda safra de milho, a Conab ainda não divulgou os números atualizados, mas, com a demanda maior do mercado chinês pelas carnes – que têm os grãos como insumo na ração animal – e os preços atrativos do milho, caso as condições climáticas sejam favoráveis, a tendência é de aumento do plantio no período.

“Na primeira safra não é possível dizer que o aumento da produção está ligado a maior demanda pelas carnes, mas, para a segunda safra, caso as condições de clima e preços estejam favoráveis, pode haver um incremento na produção”, explicou Vasconcelos.

Destaque também para a produção de feijão primeira safra. De acordo com a Conab, a expectativa é de uma produção 22% superior, com a colheita de 193,2 mil toneladas. Neste período produtivo, a área plantada ficou em 153,5 mil hectares, expansão de 2,3% frente ao mesmo período do ano-safra anterior. A produtividade média das lavouras tende a crescer 19,2%, com a colheita por hectare estimada em 1,2 tonelada.

“No ano passado, a primeira safra de feijão em Minas Gerais foi muito prejudicada pela falta de chuvas. Até o momento, o regime pluviométrico vem sendo favorável e, por isso, há uma recuperação da produtividade em relação à mesma safra do ano anterior”.

Algodão em baixa – Já para o algodão, a previsão é de queda. Minas deve colher 155,8 mil toneladas de algodão em caroço, retração de 7,6%. A área destinada à produção é de 39,8 mil hectares, espaço 5,2% menor. Na produtividade média, a tendência é de recuo de 2,6%, com o rendimento de 3,9 toneladas por hectare.

Projeção para o País também é de avanço

A terceira estimativa da safra 2019/20 de grãos sinaliza para uma produção de 246,6 milhões de toneladas, com aumento de 1,9%, equivalente a 4,6 milhões de toneladas sobre a safra 2018/19. Os números que registram novo recorde da série histórica foram divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ontem.

A área semeada mantém a expectativa positiva de crescimento superior à safra passada, com variação de 1,5%, alcançando 64,2 milhões de hectares. É bom lembrar que as culturas de segunda e terceira safras, além das de inverno, terão seus indicativos atualizados mais adiante, perto do período de cultivo.

Para a soja, há tendência de crescimento de 2,6% na área plantada em relação à safra passada e a estimativa aponta também para uma produção de 121,1 milhões de toneladas. As chuvas irregulares registradas no início do ciclo, em estados da região Centro-Oeste e Sudeste, por exemplo, apresentaram melhoras a partir do mês de novembro, o que favoreceu o avanço das operações de plantio. Já no Matopiba, que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, as mudanças climáticas interferiram na evolução da semeadura, mas a perspectiva é de que o plantio seja realizado dentro do calendário próprio para a região.

O milho primeira safra, que tem crescimento de área de 1,2% e totalização de 4,2 milhões de hectares, continua perdendo espaço para a soja neste período. Nesta primeira fase, a estimativa de produção é de 26,3 milhões de toneladas. Com a colheita da soja, a partir de janeiro, inicia-se a semeadura da segunda safra de milho, que representa 72% da produção total do cereal no País.

A área do algodão, que apresentou grandes aumentos nas últimas duas safras, registra agora um acréscimo de 1,6%, devendo situar-se em 1,6 milhão de hectares. A produção estimada do algodão em caroço é de 6,8 milhões de toneladas e a da pluma, de 2,7 milhões de toneladas, similares, portanto, à da safra anterior.

Já para o feijão primeira safra, a estimativa é de redução de 1,3% na área em comparação com a temporada passada. A cultura também perde espaço para a soja e o milho, que apresentam melhor rentabilidade. Também o trigo, que já está com 97% da produção colhida, deve alcançar 5,2 milhões de toneladas e redução de 3,9% em relação a 2018. (Com informações da Conab)