Lavoura e pecuária surpreendem e dão força ao PIB agropecuário no ano
Safra recorde de vários produtos e pecuária aquecida fizeram o PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária crescer 6,8% no segundo trimestre deste ano, em relação a igual período do ano passado.
O período de maio a junho registrou uma produtividade acima do que estava previsto nas lavouras e um mercado bastante aquecido no setor de carnes, principalmente na bovina.
O PIB do primeiro semestre soma 3,6%, e o dos últimos quatro trimestres, 6,2%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No setor de lavouras, soja e café são os destaques do trimestre. A produção total de grãos para este ano está estimada em 353 milhões de toneladas, segundo o IBGE. Desse volume, 93% são soja, milho e arroz.
Os dois últimos não estão cooperando muito com o PIB, uma vez que a produção de milho praticamente fica estável neste ano, e a de arroz cai.
Já o volume esperado para soja é de 175 milhões de toneladas, 5,3% a mais do que no ano passado e um patamar recorde. A oleaginosa puxa fortemente a atividade agrícola durante todo o ano, uma vez que o plantio ocorre nos últimos meses do ano e a colheita no primeiro semestre do período seguinte.
A produção de café também interferiu na evolução do PIB da agropecuária. Neste ano, o volume a ser produzido sobe para 3,96 milhões de toneladas, 15% a mais do que em igual período anterior. Esse volume é puxado pelo café arábica, que terá uma safra de 2,66 milhões de toneladas, 21% a mais do que no ano passado, segundo o IBGE.
A produção de milho está em patamares elevados, mas não consegue superar a do ano passado. A segunda safra, a principal do setor, recua para 112 milhões de toneladas, 3,6% a menos do que no ano passado.
A produção total do cereal no ano, incluindo a primeira safra, chegará a 142 milhões de toneladas. Cana-de-açúcar e laranja, que também têm colheitas no segundo trimestre, não se destacam neste ano.
Uma das grandes pressões de desaceleração do PIB é o trigo. Desincentivados pela baixa possibilidade de renda, os produtores reduziram a área de plantio, e a produção brasileira recua para 6,4 milhões de toneladas, 19% a menos do que foi no ano passado.
O PIB do próximo trimestre deve apontar os efeitos dessa redução. Já o sorgo surpreende. Pouco valorizado nos anos recentes, a área cresceu, e a produção brasileira já se aproxima da de trigo, somando 5,8 milhões de toneladas. Além de novos usos internos para o produto, a demanda externa cresce.
A pecuária elevou sua participação no indicador principal da economia brasileira, e o setor de bovinos é um dos responsáveis. No primeiro semestre deste ano, conforme dados ainda provisórios, o abate de bovinos subiu para 21 milhões de cabeças, 3,5% a mais do que no mesmo período do ano passado.
A produção de carne bovina foi a 5,4 milhões de toneladas equivalentes carcaça, 6% a mais do que a de janeiro a junho do ano passado. Os abates de suínos e de frango tiveram evolução no segundo trimestre, mas com ritmo menor do que os de bovinos.
As negociações no setor de carne estiveram aquecidas, com destaque para a proteína bovina, devido a antecipações de compras em vários mercados. À medida que a cota de importação imposta pela China sobre a carne brasileira estava sendo preenchida, o mercado acelerou as compras para se livrar da tarifa extra de 55%, que entraria em vigor quando preenchido o patamar de 1,1 milhão de toneladas.
As barreiras colocadas pela União Europeia ao produto brasileiro, que deverão entrar em vigor nesta semana, também incentivaram o mercado europeu a fazer antecipações. Os Estados Unidos, após a redução das elevadas tarifas impostas ao produto brasileiro, também foram importantes para as exportações do primeiro semestre. Essa procura externa maior pela proteína brasileira acelerou as atividades no campo, impulsionando o PIB.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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