Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

Brasília – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projeta crescimento de 2,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário brasileiro. O resultado considera os efeitos da pandemia de Covid-19.

De acordo com a Carta de Conjuntura, divulgada ontem pelo órgão, o crescimento tem como base a previsão de safra anunciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Ipea, caso se considere a safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o aumento deve ser de 2,3%.

No caso da pecuária, o resultado leva em consideração o volume de produção estimado pelas Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha do IBGE e pelas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, consideradas no modelo econométrico do Ipea.

O levantamento do instituto vai além do cenário-base e, projetando um eventual cenário de estresse, no qual parte da produção seja afetada por eventos relacionados ao coronavírus, chegou a um resultado em que o desempenho é positivo, mas com um crescimento menor, de 1,3% para 2020. De acordo com o Ipea, esse crescimento seria sustentado principalmente pela lavoura.

“A lavoura tem um avanço projetado de 2,8%, sustentado pelas produções de soja e café (6,7% e 1,5%, respectivamente). A cana-de-açúcar é a cultura que pode sofrer maior impacto decorrente do Covid-19 e da redução do preço internacional do petróleo, e, neste contexto de estresse, pode ter queda de 1,9% na produção”, detalha o Ipea.

Mudanças no consumo – De acordo com o economista e pesquisador do Ipea Fábio Servo, foi possível observar que o distanciamento social imposto pela pandemia resultou em mudança nos padrões de consumo da população, resultando em “picos de demanda” que impulsionaram os preços de produtos como arroz, banana, café e ovos.

“Verificamos queda nos food services e preferência por cortes de carne menos nobres. Ainda assim, a produção da lavoura sustentou o resultado positivo do setor agropecuário”, afirmou o pesquisador.

Com relação às exportações, os produtos agropecuários registraram aumento de 7% entre janeiro e abril de 2020 na comparação com o mesmo período do ano passado.

Comparando os quatro primeiros meses deste ano com 2019, o levantamento mostra que as exportações de carne bovina cresceram “fortemente” e atingiram 26,5%.

Segundo o documento, parte do resultado é explicada pela reabertura da carne in natura, em fevereiro, para o mercado chinês. As exportações para aquele país registraram um crescimento de 138% entre janeiro e abril na comparação com os quatro primeiros meses do ano passado.

Importações – Já as importações de produtos agroindustriais registraram queda de 5,5% entre janeiro e abril de 2020 na comparação com o mesmo período de 2019. O Ipea, no entanto, lembra que o valor das importações brasileiras desses produtos (agroindustriais) é “muito inferior ao das exportações” e que, por isso, o impacto na balança comercial do agronegócio é pequeno.

“O trigo e o malte – os dois produtos de maior valor da pauta – foram responsáveis por esse resultado, com reduções de 8,2% e 11,3%, respectivamente, no valor importado”, diz o estudo. (ABr)

Governo garante abastecimento do País

São Paulo – O Brasil continua com abastecimento de alimentos garantido em meio à pandemia de coronavírus, disse ontem a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, acrescentando que o País manteve todos os contratos comerciais com o exterior durante a crise.

Em entrevista coletiva do governo, Tereza ressaltou que, desde o primeiro momento da pandemia, o Ministério da Agricultura trabalha para garantir o abastecimento do País, citando a grande safra de verão e a logística “absolutamente normalizada”, além do funcionamento dos portos no Brasil.

“Temos tido sucesso com isso. Além do abastecimento dos 212 milhões de brasileiros, também temos conseguido cumprir a nossa missão de provedores de alimentos do mundo”, afirmou a ministra.

O posicionamento foi reforçado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, no mesmo evento. “Estamos com a logística funcionando no Brasil inteiro. Os ativos estão operando dentro da normalidade. O setor do agro funcionou bem, tivemos safra recorde.

Isso está sendo importante para manter nosso fluxo de exportações nesse período de crise”, disse o ministro.

“Não está havendo desabastecimento, estamos conseguindo superar a crise com as prateleiras abastecidas”.

As afirmações foram feitas no momento em que o Brasil se torna o segundo maior foco da doença no mundo, atrás dos EUA, o que gera preocupações de alguns participantes do mercado.

Contudo, o Brasil tem exportado volumes expressivos de soja e carnes, registrando marcas históricas, com países como a China garantindo ofertas.

Na mesma ocasião, a ministra da Agricultura mencionou que a segurança dos trabalhadores de frigoríficos é um “assunto delicado”, uma vez que os funcionários das plantas de processamento de carne trabalham em aglomeração.

Ela disse que atualmente há duas unidades fechadas por causa do coronavírus no País, uma em Pernambuco e outra em Santa Catarina – esta, segundo ela, deve ser reaberta até o final desta semana.

“Eles (frigoríficos) estão funcionando satisfatoriamente, fazendo com que a produção de proteína animal no Brasil esteja funcionando perfeitamente”, afirmou. (Reuters)