Agronegócio

Preço do leite tem alta de 11,58% em Minas Gerais no mês de abril

Redução da oferta e entressafra elevam preços do leite em Minas e no Brasil, com expectativa de novas altas no curto prazo.
Preço do leite tem alta de 11,58% em Minas Gerais no mês de abril
Na média do Brasil, aumento do preço do leite foi de 11,46%; principal fator de reação nos valores foi redução da oferta no campo devido à entressafra | Foto: Reprodução Adobe Stock / T.kolesnikov

Os preços do leite no campo registraram forte alta no pagamento de abril. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em Minas Gerais, a alta chegou a 11,58%, com o litro do leite cotado, em média, a R$ 2,45. Na média do Brasil, o aumento foi de 11,46%. O principal fator que promoveu a forte reação nos valores foi a redução da oferta de leite no campo, resultado do período de entressafra e da maior cautela adotada pelos produtores em relação aos investimentos na atividade.

Conforme a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, a alta é importante para os produtores mineiros, que vinham, há meses, registrando quedas na cotação do leite. A tendência é de nova alta no pagamento de maio, referente à produção entregue em abril.

“O Cepea apontou uma alta de 11,58% no leite entregue em março e pago em abril, e o Conseleite Minas aponta uma nova alta no leite entregue em abril a ser pago em maio de 9,3%. O cenário se repete: nós estamos em um momento de recuperação de preços, uma vez que o setor viveu nove quedas consecutivas no preço do leite ao longo de 2025”, disse.

Ainda conforme Mariana, em Minas Gerais, o movimento de alta vem acontecendo pela recuperação de importantes derivados lácteos, como o leite em pó, o leite UHT e o queijo mussarela, que são os principais produtos comercializados no Estado.

“Alia-se a isso o fato de que passamos pelo momento, agora, da entressafra, em que temos uma menor oferta nacional de leite. Com isso, nesse maior equilíbrio entre oferta e demanda, estamos tendo esses reajustes de preço, tanto na gôndola ao consumidor quanto ao produtor rural”.

A pesquisadora do Cepea, Natália Grigol, explica que a alta registrada no preço do leite pago ao produtor em abril, referente à produção de março, foi a terceira consecutiva e cumpriu a expectativa dos agentes de mercado de que a redução na oferta puxaria para cima as cotações, em intensidade superior à observada nos meses anteriores. Em Minas Gerais, o litro do leite já havia registrado altas de 1,79% no pagamento de fevereiro e de 6,77% no de março.

Mesmo com o aumento, o preço ainda está 18,7% abaixo do registrado em março de 2025, na média brasileira. Em Minas Gerais, o valor de R$ 2,45 recebido no pagamento de março ficou 14,33% inferior aos R$ 2,86 praticados em igual período de 2025.

Natália explica que o movimento de alta seguiu sendo explicado pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru, já que a oferta segue restrita. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) caiu 3,9% de fevereiro para março na média Brasil, acumulando queda de 11,1% neste primeiro trimestre.

“O recuo na produção ocorre devido à sazonalidade, que afeta negativamente a oferta de pastagem e eleva o custo com a nutrição animal, e à maior cautela de investimentos na atividade, diante de margens mais estreitas ao longo de 2025”, explicou a pesquisadora no relatório do Cepea.

A situação dos produtores de leite segue desafiadora com o aumento dos custos e das importações de leite em pó. Conforme o Cepea, em março, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, registrando alta de 0,46% e acumulando avanço de 2,11% no primeiro trimestre. Ao mesmo tempo, as importações cresceram 33% em março, somando, no primeiro trimestre de 2026, uma aquisição de 604 milhões de litros em equivalente leite (EqL).

“A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização em abril, mas esse movimento deve perder intensidade a partir de maio. Isso porque o consumo mostra resistência aos preços mais altos na gôndola, afetando as cotações dos derivados. Ao mesmo tempo, importações seguem sustentadas e existe expectativa de reação da produção – o que eleva a cautela da indústria em realizar novos repasses ao campo entre maio e junho”, explicou Natália.

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