Valorização do leite é positiva para pecuaristas do Estado por ajudar a compensar o aumento nos custos de produção | Crédito: Arnaldo Alves - SECS

A oferta restrita e a maior competição entre as indústrias para garantir a compra do leite no campo alavancaram os preços pagos aos produtores em julho, referente à entrega feita em junho.

Em Minas Gerais, houve um avanço de 16% na cotação frente a junho, com o litro negociado em média a R$ 1,77, segundo os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A valorização do leite é considerada importante no atual momento em que os custos estão em alta devido à desvalorização do real frente ao dólar e ao período de entressafra. A tendência é de preços firmes, uma vez que a estimativa é de oferta limitada em função do período de entressafra do leite.

Os dados do Cepea mostram que o valor mínimo recebido pelo produtor de leite em julho, referente à produção de junho, em Minas Gerais, foi de R$ 1,56 e o máximo de R$ 1,90, o que gerou um valor médio líquido de R$ 1,77 por litro.

No campo, a oferta restrita em junho resultou em disparada no valor do leite spot (negociação entre as indústrias). Na média de junho, o preço do leite spot em Minas Gerais ficou 45% acima do de maio, em termos nominais, chegando a R$ 2,28 por litro.

De acordo com o presidente da Comissão Estadual de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e coordenador do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado de Minas Gerais (Conseleite-Minas), Eduardo Pena, a alta nos preços está ligada a maior demanda pelo produto e a menor oferta de leite em Minas, já que o período é de entressafra. Um dos fatores que estimulou a demanda foi o pagamento, por parte do governo federal, do auxílio emergencial.

“O pagamento do auxílio tem elevado a demanda pelos produtos lácteos e favorecido o produtor, já que a oferta de leite no campo, no período, é menor. Essa valorização vista nos preços do leite é importante uma vez que os custos de produção estão em alta”, explicou.

A pesquisa do Cepea mostrou que os custos estão bem mais altos. No caso do milho, em junho, foram necessários 35,2 litros de leite para a aquisição de uma saca de 60 quilos do cereal. Em junho de 2019, eram necessários 24,9 litros por saca de 60 quilos. Dessa forma, o poder de compra do produtor de leite diminuiu quase 30% na comparação anual.

Importações – Ainda conforme Pena, a desvalorização do real frente ao dólar impacta diretamente a pecuária de leite. Se por um lado os custos ficam mais caros, uma vez que estamos exportando maiores volumes de soja e milho, produtos utilizados para a fabricação de ração e alimentação do rebanho no período de seca, por outro, as importações de leite ficam restritas, por isso, as indústrias demandam maior volume do produto nacional.

“Normalmente, no período de entressafra, as indústrias importam leite de países como a Argentina e o Uruguai, o que reflete de forma negativa na formação de preços aos produtores locais. Este ano, com o dólar elevado, as importações estão menores e o produtor rural está sendo remunerado. Com os custos em alta, se não houvesse uma valorização do leite, a produção poderia ficar comprometida. Para se ter ideia, no Brasil, em junho, as importações de leite movimentaram US$ 28 milhões. Em anos anteriores, no mesmo período, o valor chegava a US$ 60 milhões, US$ 70 milhões, sendo o recorde de US$ 120 milhões”, disse.

A tendência para o próximo pagamento é de nova valorização. “A oferta tende a se manter restrita e os preços valorizados. A estimativa é de que o litro fique cotado próximo a R$ 2. Os valores de referência para o pagamento de setembro, feito pelo Conseleite-Minas, devem ficar entre R$ 1,60 e R$ 2,02, dependendo da qualidade e volume do leite entregues”, explicou Pena.