Preço da cebola na Ceasa Minas atingiu R$ 2,29/quilo, o montante representa uma queda de 27%, segundo a Conab | Crédito: Eugênio Sávio / Divulgação Usada em 24/09/2019 Usada em 18/09/2020

O aumento da oferta tem contribuído para a redução de preços de importantes hortaliças que compõem o IPCA. O 9º Boletim Prohort, feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostrou que na Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas), em agosto, houve queda importante nos preços da batata, que recuou 14,86% e da cebola, com queda de 27%, frente a julho. Já no caso das frutas, das cinco pesquisadas, quatro ficaram mais caras com destaque para melancia, que aumentou 24,24%, e mamão, com elevação de 31,89%.

Sem detalhar dados estaduais, o estudo da Conab mostrou ainda que em todas as centrais já está havendo uma retomada mais forte da comercialização das hortaliças, resultado da maior flexibilização das medidas de isolamento para controle da Covid-19.

“Ainda que a comercialização das hortaliças esteja abaixo dos volumes registrados em agosto de 2019, com queda de 2% no Brasil, houve avanços importantes nos volumes quando comparados com abril, com alta de 10% no geral. Abril foi o mês em que se iniciaram as medidas de combate à Covid-19 e tivemos redução de compras dentro das centrais de abastecimento. Essa recuperação foi sentida em todos os grupos de hortaliças. No caso das folhosas, o aumento foi de 25%, em hortaliças frutos de 4% e de 12% para raízes e tubérculos”, explicou a gerente de modernização do Mercado Hortigranjeiro da Conab, Joice Fraga.

Em relação aos preços, segundo os dados da Conab, na Ceasa Minas, ao longo de agosto, foi registrada queda de 27,06% no preço da cebola, cujo quilo foi comercializado, em média, a R$ 2,29. O levantamento mostra que a queda está atrelada à maior oferta, que desde junho já vinha apresentando sinais de alta.

“Apesar do movimento de queda nos valores, os patamares de preços ainda estão elevados, sendo rentáveis para o produtor”, disse Joice.

No caso da batata, o quilo foi negociado a R$ 1,26, resultando em uma queda de 14,86% frente a julho. A redução dos preços também está atrelada à maior oferta. Em agosto, o abastecimento do mercado se deu, principalmente, pela safra de inverno dos estados de Minas Gerais e São Paulo. No período, Minas Gerais respondeu por 35% do total de batata comercializado nos mercados atacadistas e São Paulo ficou com participação ainda maior, 50% do abastecimento nacional. Ainda em período de safra, a tendência para setembro é de uma oferta suficiente para atender a atual demanda, não exercendo pressão nos preços.

“Desde junho, estamos percebendo queda nos preços da batata, em função de uma oferta maior. O consumo também caiu, resultado das medidas de isolamento”, explicou.

A alface manteve a mesma cotação de julho, R$ 3,34 por quilo. Segundo Joice, em função das temperaturas mais amenas, em agosto, tanto a oferta de alface quanto o consumo, ficaram menores, o que contribuiu para a manutenção dos preços.

Alta – Já o tomate, aumentou 34,43% no período e teve o quilo negociado a R$ 1,64. A oferta mineira para o mercado de Belo Horizonte diminuiu cerca de 8% e participa com 98% da comercialização total na central atacadista.

A cenoura apresentou alta de 1,27%, com o quilo negociado a R$ 1,27. A pesquisa da Conab aponta que a oferta, neste ano de 2020, está bem abaixo da verificada em 2019, algo em torno de 10%, diminuição essa provocada pela menor oferta da região de São Gotardo, em Minas Gerais. Esta região ofertou, em agosto deste ano, 15% menos que no mesmo mês de 2019. A queda é resultado da menor área plantada de cenoura nesta safra de inverno. Além da área reduzida para esta safra, a produtividade vem registrando 75 toneladas por hectare, volume aquém do esperado para o período, que era de 86 toneladas por hectare. Diante a baixa oferta, a tendência é de manutenção dos preços em alta.

Frutas encareceram em agosto

Em relação às frutas, das cinco mais comercializadas e que mais impactam na formação do IPCA, quatro apresentaram alta no Ceasa Minas. Mesmo com uma oferta 3,46% superior, a maior elevação de preços foi verificada na melancia, cujo valor do quilo que subiu 31,89% e foi negociado a R$ 1,54. A demanda aquecida e em níveis maiores que o aumento da oferta, contribuiu para a alta.

Alta expressiva também foi vista nos valores do mamão. O quilo foi negociado a R$ 2,25, aumento de 24,24% frente a julho. O aumento é justificado pelo menor volume disponível da fruta e pelo controle da disponibilização feita pelos produtores. Com clima mais ameno, o que retarda o amadurecimento, produtores têm segurado o fruto no campo. Na unidade do Ceasa Minas a disponibilidade foi 7,69% inferior.

A maçã teve os preços reajustados em 18,47% elevando para R$ 5,09 o preço por quilo. A maça manteve o movimento de alta pela oferta restrita, o que deve ser revertido em setembro. Na unidade mineira, a oferta da fruta recuou 12,43% frente a julho.

No caso da laranja, o quilo foi comercializado a R$ 1,35, valor 15,06% maior. A oferta ficou 15,54% maior na unidade mineira. De acordo com a Conab, os preços foram alavancados pela boa demanda por cítricos e pelo bom ritmo dos trabalhos de moagem na indústria produtora de suco em São Paulo. Além disso, a safra é menor que a anterior, o que enxugou o volume de boas frutas e restringiu os carregamentos que foram para os consumidores finais.