Quilo do frango vivo era negociado por R$ 4,15 na última terça-feira em Minas Gerais, o que representa alta de 22% | Crédito: Ueslei Marcelino/Reuters

O aumento expressivo dos preços das carnes suínas e bovinas tem provocado a migração de consumo para proteínas com valores mais acessíveis, como o frango, por exemplo. Com a demanda doméstica e exportações elevadas, os preços do frango vivo também foram alavancados e atingiram patamares recordes em Minas Gerais.

No fechamento do dia 8 de setembro, o quilo do frango vivo foi negociado a R$ 4,15, o que representa uma alta de 22% sobre o valor praticado no mesmo período do ano passado.

Apesar da elevação, os avicultores estão trabalhando com margens de lucro reduzidas, uma vez que os custos com a alimentação das aves também foram alavancados pelo encarecimento da soja e do milho.

De acordo com o analista de mercado da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o preços do frango vem subindo de forma significativa. No fechamento da última semana, a cotação em Minas Gerais, estava variando de R$ 3,90 a R$ 4,00, valor que, segundo representantes do setor, já subiu para R$ 4,15 no dia 8 de setembro.

Utilizando o valor médio de R$ 4,15 pelo quilo do frango vivo, registrado pela Avimig, na comparação com o mesmo período do ano passado, o frango vivo já acumula alta de 22%, uma vez que em setembro de 2019 o quilo estava em torno de R$ 3,40. No acumulado do ano, a elevação é de 18,57 e no último mês de 6,41%.

“Minas Gerais vem registrando preços recordes para o frango vivo. Essa alta foi puxada pela demanda maior no mercado doméstico e nas exportações. Com elevações significativas nos preços dos bovinos e suínos, o consumidor migrou para proteínas mais acessíveis e o frango é uma opção muito viável”, disse Iglesias. 

Competitividade – A coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, reforça que a demanda elevada tem estimulado os preços pagos pelo frango vivo, uma vez que as demais carnes, em função do aumento significativo das exportações, principalmente para a China, têm encarecido os produtos no mercado interno.

“Esse cenário de elevação dos preços do frango vivo se deve à competitividade da proteína no mercado doméstico frente às carnes de bovinos e de suínos que estão com os embarques aquecidos”, explicou Aline.

Os embarques de carne de frango seguem aquecidos em relação ao volume, que acumulam alta de 24,2% em volume, 63,2 mil toneladas, exportadas de janeiro a agosto de 2020, frente a igual período do ano anterior. Porém, em receita, US$ 102,3 milhões, foi registrada queda de 17,1%.

Custo de produção aperta as margens de lucro

Apesar da alta verificada nos preços do frango vivo, a atividade está com as margens de lucro bem ajustadas e, dependendo do tipo de produção, o avicultor está registrando prejuízos. No sistema integrado, devido aos altos volumes de compras de insumos, o custo com a alimentação acaba sendo mais competitivo do que nos criadores independentes.

A valorização da soja e do milho é a principal justificativa para a redução dos ganhos, já que os insumos são os principais da atividade e estão com os embarques crescentes. O preço da soja passou de R$ 78, em agosto de 2019, para R$ 115 no fechamento do mesmo mês em 2020. Já o milho, no mesmo período, subiu de R$ 30 para R$ 45, por saca de 60 quilos.

“O produtor não está registrando ganhos altos porque os preços recebidos e os custos estão bem ajustados. Em algumas localidades, os produtores estão estrangulados e a viabilidade da produção é delicada”, disse coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso.

Exportações brasileiras crescem 11,3% em agosto

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) apresentaram alta de 11,3% no mês de agosto, alcançando 362,4 mil toneladas, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). No ano passado, foram exportadas 325,7 mil toneladas no mesmo período.

Em receita, houve decréscimo de 10%, com saldo de US$ 497,8 milhões, contra US$ 553,3 milhões em agosto de 2019.

No acumulado do ano (janeiro a agosto), as exportações totalizaram 2,833 milhões de toneladas, volume 1,8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, com 2,784 milhões de toneladas. Em receita, houve retração de 11,3%, com total de US$ 4,14 bilhões em 2020, contra US$ 4,66 bilhões em 2019.

“O movimento mensal das exportações foi positivo em praticamente todos os grandes importadores da carne de frango do Brasil. A tendência de alta nas exportações contribui para reduzir os impactos do aumento de custos com o enfrentamento da pandemia e da alta dos grãos”, ressalta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Retomando o segundo lugar nas exportações, os embarques para a Arábia Saudita foram incrementados em 24% no mês de agosto na comparação com o mesmo período do ano passado, com total de 46,7 mil toneladas no mês. Outro destaque do Oriente Médio foram os Emirados Árabes Unidos, que aumentaram suas importações também em 24%, chegando a 25,8 mil toneladas no mês.

Seguindo na dianteira entre os principais destinos, a China aumentou suas importações em 46% em agosto em relação ao mesmo mês de 2019, totalizando 54,7 mil toneladas no mês. Ainda na Ásia, as exportações para a Coreia do Sul aumentaram em 25%, com total de 14,2 mil toneladas.

Outro grande mercado consumidor do frango brasileiro, a União Europeia aumentou suas importações em 14% no mês de agosto, totalizando 21,8 mil toneladas.