O câmbio e a demanda do mercado incrementam as exportações de soja, estimulando o plantio | Foto: Ivan Bueno/APPA

A demanda aquecida pela soja aliada à desvalorização do real frente ao dólar, o que gera maior retorno financeiro com os embarques, tem impulsionado o comércio da oleaginosa e vai estimular o plantio da nova safra. Até o momento, a expectativa, com base na série histórica e no cenário atual, é de um aumento da área plantada acima da média tradicional, variando de 3,5% a 5%, em Minas Gerais. A produção estadual tende a superar em torno de 5% o volume recorde de 6,2 milhões de toneladas colhidas na safra 2019/20, podendo superar 6,5 milhões de toneladas.

Durante o evento “Abertura Nacional do Plantio da Soja da Safra 2020/2021”, que aconteceu na Fazenda Dois Corações, em Capinópolis, no Triângulo Mineiro, o vice-presidente imediato da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), Antônio Galvan, ressaltou que a expectativa do produto rural é positiva e que eles estão aproveitando o momento de preços elevados da soja para comercializar o grão de forma antecipada e garantir a cobertura dos custos, que estão elevados em função do dólar valorizado.

“A expectativa em relação à safra é muito positiva, teremos uma expansão na área considerável pelo momento muito positivo, principalmente, em relação aos preços pagos”.

A cotação da oleaginosa vem acumulando altas importantes em Minas Gerais. De acordo com o analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Caio Coimbra, a saca da oleaginosa está cotada, em média, a R$ 120, valor que supera em torno de 50% o preço praticado na safra passada.

Com o preço valorizado, a estimativa, baseada no cenário atual, é de aumento entre 3,5% e 5% na área plantada em Minas Gerais, o que está acima da média. Com esse aumento e os investimentos em pacotes tecnológicos, a tendência é que Minas Gerais tenha mais uma safra recorde em 2020/21, com a colheita podendo superar 6,5 milhões de toneladas de soja.

“Minas Gerais vem se destacando na produção de soja. Hoje somos o sexto maior produtor e a tendência é de aumento da produção. Até o momento, o cenário é muito positivo, os preços vêm registrando patamares recordes, com a saca sendo negociada em torno de R$ 120 no Estado, o que garante um bom retorno ao produtor. Também existe uma tendência de que a La Niña traga um regime de chuvas mais favorável para a safra”, explicou Coimbra.

Clima – O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Minas Gerais (Aprosoja-MG), Wesley Barbosa, também esta otimista com os rumos da safra. Segundo ele, os produtores estão preparados para o plantio e o sucesso dependerá do clima.

“Nossa atividades depende de vários fatores. Trabalhamos a céu aberto e precisamos de clima favorável, sol e chuva. O que depende do produtor para termos uma safra alta, nós fazemos com maestria. São anos de trabalho em melhoramento de solo para, a cada ano, melhorarmos a qualidade e a fertilidade. Assim, podemos aumentar a nossa produtividade. O dever de casa está cumprido, basta chegarem as chuvas para podermos semear e termos uma excelente colheita”.

Produtores antecipam as vendas

A demanda pela soja no mercado mundial está elevada e os produtores estão aproveitando a alta rentabilidade para negociar a safra de forma antecipada. De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz Pereira, as negociações seguem aceleradas e já existem contratos firmados até mesmo para a safra 2021/22, o que é inédito.

De acordo com os dados da Aprosoja Brasil, mais de 50% da safra nacional 2020/21 já foi negociada de forma antecipada e contratos já estão sendo feitos para a temporada 2021/22, que já está com cerca de 15% do volume vendido. Pereira explica, que as vendas antecipadas trazem certa segurança aos produtores, que podem travar preços e cobrir os custos, reduzindo os riscos caso ocorra alguma mudança no mercado.

“Vemos um mercado forte, pujante e puxado pela alta do dólar. O produtor tem aproveitado o momento e avançado nas negociações. É importante aproveitarmos o cenário porque, se caso, a nossa economia avançar e as reformas planejadas pelo governo sejam aprovadas, teremos um dólar baixo e pode ser prejudicial. Imagina plantarmos uma safra com o dólar a R$ 5,50 e vendermos a R$ 4,50, seria um prejuízo de mais de 30%. Por isso, o produtor precisa estar bem preparado e assessorado para tomar decisões, mesmo vendendo no mercado futuro e correndo riscos com o desenvolvimento da safra”, explicou.

As operações de venda antecipadas da safra 2021/22 estão sendo feitas através de contratos de Barter e trocas de insumos. As negociações são consideradas essenciais para reduzir os riscos, principalmente, em relação a preços.

“Essas negociações como da safra 2021/22 são inéditas. Isso mostra que as empresas ofereceram aos produtores uma garantia para que ele possa fazer o plantio na próxima safra. O produtor brasileiro necessita desse tipo de negociação, já que não tem uma proteção contra riscos. Vender parte antecipada faz com que ele saia dos riscos, principalmente dos preços”.