A oferta de hortifrutigranjeiros na Ceasa Minas aumentou 2,7% | Crédito: DIvulgação

A produção agrícola e pecuária em Minas Gerais, até o momento, segue ocorrendo normalmente em meio às medidas de combate ao coronavírus, o que é importante para manter o abastecimento do mercado interno e atender a demanda externa.

De acordo com as entidades representativas do setor agropecuário, as medidas preventivas necessárias para conter o avanço do vírus no País estão sendo adotadas pelos produtores e por toda a cadeia agropecuária.

De acordo com o subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), João Ricardo Albanez, por enquanto, a tendência é de que a produção no campo siga o fluxo esperado.

“Estamos vivendo um momento de incertezas em relação aos impactos do coronavírus, mas, até o momento, a produção no campo segue o fluxo normal. A produção agrícola e pecuária não para de uma hora para outra. A produção de grãos está ocorrendo, assim como a de café, de frango, suínos, bovinos, leite, entre outras. Tudo está fluindo, sem nenhuma situação de risco de abastecimento no momento”, explicou.

Ainda conforme Albanez, as entidades ligadas ao setor produtivo, como a Associação dos Avicultores do Estado de Minas Gerais (Avimig) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), informaram que a produção e comercialização dos itens ainda não foi prejudicada. No caso do Cecafé, a informação é de que a comercialização e os embarques seguem dentro do esperado e que não houve, ainda, cancelamento de contratos.

Em comunicado da Avimig, a entidade reforça que é importante manter a produção em funcionamento, mas adotando práticas que evitem a disseminação do vírus, como restrição de acesso, cancelamento de viagens, suspensão de visitas técnicas e trabalho de conscientização e prevenção sobre o coronavírus junto aos funcionários e produtores.

“Diante da vital relevância do setor alimentício para o mundo e da distribuição dos nossos produtos da avicultura mineira em todo o território nacional e global, reforçamos a importância das empresas do setor continuarem operando todas as suas unidades. Devem ser tomados todos os esforços possíveis, com medidas preventivas internas e externas, para assegurar a continuidade dos nossos processos sem alterações, oferecendo segurança e alimentos de qualidade para a população nesse momento desafiador”, disse em nota.

Ceasa Minas – Na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a oferta de hortifrutigranjeiros não foi afetada em razão da pandemia do coronavírus. O levantamento realizado pelo departamento técnico aponta que o volume ofertado no setor, que inclui hortaliças, frutas e ovos, aumentou 2,7%, de 1º a 18 de março, em relação ao mesmo período de fevereiro. O preço médio foi de R$ 2,43 por quilo, o que representou uma alta de 3% em relação ao mês anterior. O aumento no preço médio é considerado normal para esta época, em razão de condições climáticas e de sazonalidades que afetam determinados produtos.

Segundo Albanez, devido às incertezas provocadas pelo coronavírus, é difícil estimar os impactos que o setor produtivo pode sofrer. Mas, quando ocorrer o controle da doença, a tendência é de que a demanda por alimentos seja ampliada.

“Na China, a propagação está menor e haverá uma demanda para recompor os estoques. Não sabemos como ficará nossa logística, mas poderemos ser favorecidos. O real desvalorizado frente ao dólar contribui para a competitividade dos nossos produtos, assim como a queda nos preços do petróleo. Mas as variáveis são muitas e nunca tivemos uma situação como a provocada pelo coronavírus. O imprevisto nunca esteve tão presente, por isso, é preciso acompanhar de perto os desdobramentos para identificar os problemas e tomar decisões”, completou.

Momento no País é de cautela

A coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, ressalta que o momento é extremamente delicado, de cautela e incertezas, por isso, é difícil avaliar o impacto da enfermidade sobre o agronegócio. Mas o setor está mantendo os trabalhos.

“Até o momento, a produção agrícola, pecuária e da agroindústria estão funcionando e atendendo as escalas programadas, o que vai garantir o abastecimento. Mas é importante ressaltar que não sabemos ainda a extensão e não tem como prever as medidas que podem ser tomadas caso haja alastramento da doença de forma a comprometer o transporte e a logística do setor”, disse.

Ainda conforme Aline, a produção de proteína animal no Estado segue dentro do esperado, apesar de em outros estados já ocorrerem a suspensão das atividades em alguns frigoríficos.

Um dos receios do setor está em torno da contratação de mão de obra para atuar na colheita de grãos, que já se aproxima. “É uma questão delicada porque, normalmente, os trabalhadores são provenientes de várias localidades e, como existe a necessidade de isolamento para evitar a disseminação do coronavírus, é um problema que estamos acompanhando”.

Ainda conforme a representante da Faemg, por Minas ser um estado de produção diversificada, com o controle da doença no mundo e dependendo das condições do Brasil, haverá oportunidades interessantes para o setor produtivo.

“Haverá uma demanda reprimida e, por termos uma produção diversificada em Minas Gerais, será oportuno atender tanto o mercado interno como o externo. Esperamos que seja momento curto de emergência, que não tenhamos tantos problemas. Mas o agronegócio não está imune e pode ter impacto no fluxo de comércio, por isso, é preciso continuar avaliando o setor e a cadeia produtiva”, concluiu.