Clima favorável na atual temporada contribuiu para o desenvolvimento da cultura, que deve somar 68 milhões de toneladas - Crédito: Marcio Bruno

A produção de cana-de-açúcar, em Minas Gerais, foi estimada em 68 milhões de toneladas na safra 2019/20, o que representa um aumento de 7,7% frente à safra anterior. No Estado, a maior parte da cana será destinada à produção de etanol, uma vez que o mercado do biocombustível está mais favorável que o do açúcar. Os dados são do 3º Acompanhamento da Safra Brasileira de Cana-de-Açúcar, divulgado, ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com os pesquisadores da Conab, o clima foi favorável para o desempenho da safra. A boa distribuição das chuvas, especialmente no período entre fevereiro e abril, contribuiu para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, assim como a posterior redução dos índices pluviométricos no momento da colheita. Desta forma, as condições climáticas são consideradas benéficas ao longo do ciclo, mesmo com o registro de geada (início de julho) em algumas regiões produtoras, principalmente aquelas localizadas em áreas de baixada e de altas altitudes.

O resultado disso foi o acréscimo na produtividade média em comparação à safra passada, chegando a 82,5 toneladas de cana por hectare, 10,8% maior que na última safra. Além das boas condições climáticas que ocorreram durante a primeira metade do ano, outro fator que promoveu a produtividade, segundo os pesquisadores da Conab, foi o pacote tecnológico utilizado no campo. Entre as ações desenvolvidas, houve a renovação gradual das lavouras, com introdução de novas variedades, melhoria no manejo da cultura, com redução de possíveis falhas durante o plantio, e melhoria nos tratos.

Em Minas Gerais, a área em produção de cana foi estimada em 824,3 mil hectares, espaço 2,8% menor. A diminuição de área se deve ao cultivo de soja e milho, produtos que têm boa rentabilidade. O percentual de colheita mecanizada é de 97,3%, com o uso de 578 colhedoras.

Distribuição – Com os preços de comercialização do açúcar aquém do esperado, a destinação de cana-de-açúcar está maior para a fabricação de etanol. Da produção de 68 milhões de toneladas de cana, 44 milhões serão voltadas para o biocombustível, alta de 10,3% frente ao volume destinado na safra anterior.

A produção de etanol total, em Minas Gerais, deve alcançar 3,6 bilhões de litros, alta de 11,4% ou 370,1 milhões de litros a mais.

Das 44 milhões de toneladas de cana, a maior parte será para a fabricação de etanol hidratado. A estimativa aponta para o esmagamento de 30,5 milhões de toneladas de cana, volume 3,7% maior que o registrado na safra 2018/19. A projeção é de produzir 2,53 bilhões de litros de etanol hidratado, o que, se alcançado, será 5% maior.

Para a fabricação de etanol anidro serão destinadas 13,5 milhões de toneladas de cana, variação positiva de 28,7%. A produção vai crescer 30,3%, somando 1 bilhão de litros.

A produção mineira de açúcar está estimada em 3,2 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 4,7% ou de 142,6 mil toneladas. Para a produção serão destinadas 23,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 3,4% maior.

Conab eleva projeção para Centro-Sul

São Paulo – A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aumentou ontem a estimativa para a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil em 2019/20 para 589 milhões de toneladas, ante 571 milhões na projeção de agosto, citando condições climáticas favoráveis.

Já a produção de açúcar no Centro-Sul foi reduzida para 27,35 milhões de toneladas, ante 28,97 milhões de toneladas previstas em agosto, uma vez que as expectativas iniciais de um maior mix de produção de açúcar pelas usinas não foram confirmadas.

A produção de etanol, por sua vez, foi revisada para 31,57 bilhões de litros, ante 28,11 bilhões de litros em agosto.

A Conab disse que, apesar das chuvas abaixo do normal no início do ano, no Centro-Sul do Brasil, o clima a partir de então foi geralmente favorável às culturas, permitindo um bom desenvolvimento da cana.

Em seu levantamento, a Conab aumentou ainda sua projeção de produtividade agrícola para 75 toneladas em 2019/20, ante 72 toneladas em 2018/19. No estado de São Paulo, maior região produtora de cana do Brasil, a produtividade cresceu 5% ante a safra anterior, para 79 toneladas por hectare.

O governo também vê maior produção de cana na região Norte/Nordeste, uma área produtora menos relevante no Brasil. Nessa região, a Conab projetou produção de 53,7 milhões de toneladas de cana, contra 47,7 milhões de toneladas no ano passado. Com isso, a safra total de cana no Brasil foi estimada em 642 milhões de toneladas, ante 620 milhões de toneladas em 2018/19.

A produção total de açúcar no Brasil foi estimada em 30,15 milhões de toneladas, contra 29,04 milhões de toneladas na safra anterior. O número está muito abaixo dos recordes anteriores da produção de açúcar, como em 2016/17, quando o Brasil produziu quase 40 milhões de toneladas do adoçante.

As usinas priorizaram a produção de etanol nos últimos anos, reduzindo a produção de açúcar.

A produção total de etanol no Brasil foi estimada em uma máxima histórica de 35,5 bilhões de litros, não apenas devido ao maior uso de cana para produzir etanol em vez de açúcar, mas também devido ao aumento da produção de combustível de milho no Centro-Oeste do Brasil.

A Conab espera que a produção de etanol de milho salte 114% em 2019/20, para 1,7 bilhão de litros. (Reuters)