Soja Plus já é desenvolvido em cinco regiões mineiras: Noroeste, Alto Paranaíba, Triângulo, Sul de Minas e Central | Crédito: Roberto Rocha/RR

Criado para auxiliar os produtores de soja na melhoria da gestão no que diz respeito à regularização ambiental e trabalhista, o programa Soja Plus vem crescendo em Minas Gerais. Até o encerramento de 2019, já haviam sido atendidas 170 fazendas no Estado e o objetivo é assistir outras 60 a 70 unidades em 2020.

A regularização das propriedades é considerada fundamental para o uso correto do meio ambiente e para a saúde dos colaboradores, além disso, ao estar de acordo com a legislação, evitam-se problemas com a fiscalização.

No Estado, o Soja Plus é desenvolvido pela parceria formada entre a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

De acordo com o coordenador-técnico do programa Soja Plus em Minas Gerais e analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Caio Coimbra, a estimativa é de expansão do programa.

“Em 2019, o Sistema Faemg fez 49 visitas e, para este ano, mesmo com a pandemia, pretendemos somar entre 60 e 70 visitas. É um número muito interessante e a tendência é de expansão para 2021 também. A organização das fazendas é importante para os trabalhadores e para o meio ambiente. É uma forma que o produtor tem de atender à legislação vigente, que é muito abrangente, e evitar problemas com as fiscalizações”, destaca.

No Estado, o programa já é desenvolvido nas regiões Noroeste, Alto Paranaíba e Triângulo. Neste ano, a atuação foi ampliada para o Sul de Minas e a região Central. Para 2021, a meta é expandir os atendimentos, somando de 90 a 100 novos. “Nosso objetivo é (crescer) cerca de 20% a 30% ao ano”, diz Coimbra.

Coimbra explica ainda que o Soja Plus tem a missão de promover a melhoria contínua das propriedades, melhorias que são voltadas para o meio ambiente, saúde e segurança do trabalho.

Funcionamento – O projeto é desenvolvido com a aplicação de um checklist na propriedade que aceita participar. Toda a ação é baseada na Norma Reguladora 31 (NR 31), que define as regras a serem adotadas pelas propriedades rurais e envolve determinações voltadas para construções rurais, meio ambiente, sinalização de áreas, saúde, legislação trabalhista entre outros.

Após aplicado o checklist, são identificados os pontos que precisam de ajustes para garantir a segurança e a organização das propriedades. Dentre os itens checados estão as áreas para armazenagem de agrotóxicos e condições dos alojamentos e refeitórios de funcionários, por exemplo.

A avaliação é repassada ao produtor rural e nela estão identificadas as melhorias que necessitam ser implantadas. É feito um planejamento para que o produtor execute as melhorias e, após um período, ele receberá uma nova visita para análise das intervenções.

“Com o projeto, o produtor rural consegue adaptar a fazenda à legislação, que é tão complexa. Mesmo produtores de grande porte encontram dificuldades de atender a NR 31. Em muitos casos, quando fazemos o checklist, até mesmo nas fazendas mais organizadas, o nível alcançado fica em torno de 90% a 92%. Por isso, o programa vem para auxiliar todos os produtores participantes a conseguir aplicar as normas da forma correta”, explica.

Outra ação importante do projeto é o fornecimento do kit de placas para mapear e sinalizar a fazenda. No projeto, o material é fornecido de forma gratuita, mas no mercado custa em torno de R$ 4 mil. As placas identificam áreas de armazenamento de produtos, reservas legais, entre outras.

“O Soja Plus ajuda o produtor a se adaptar e mostrar ao mercado da soja que ele está preocupado com o trabalhador rural e com o meio ambiente”, afirma.

Todo ano, também é realizado um curso sobre a NR 31, porém, em função da pandemia, o evento está suspenso e será retomado logo que houver segurança para os envolvidos.

Declaração de vazio deve ser feita até dia 31

A produção de soja é crescente em Minas Gerais e os produtores já estão adotando medidas para a próxima safra. Começou, em 1º de julho, o vazio sanitário da soja, que vai até 15 de setembro. No período, não é permitido semear ou manter plantas vivas da cultura nas lavouras mineiras.

O objetivo é evitar a proliferação do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, principal praga que acomete o grão. Este ano, o produtor rural deve fazer uma declaração de conformidade do cumprimento do vazio sanitário na lavoura, mediante preenchimento de questionário disponível no site do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

“O produtor precisa ficar atento e fazer a declaração até 31 de julho. As informações são importantes e irão auxiliar nas fiscalizações. O vazio da soja é importante para evitar a ferrugem, que causa muitos prejuízos nas lavouras. Quando não controlada, a doença pode causar perdas de 60% ou mais. Além disso, o produtor terá aumento dos custos com produtos químicos para controle, prejudicando também o meio ambiente”, explica o analista de Agronegócio da Faemg, Caio Coimbra.