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Agronegócio

Programa Nacional de Bioinsumos vai apoiar agronegócio

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O desenvolvimento de bioinsumos reduzirá a dependência de produtos importados | Crédito: Divu

O lançamento do Programa Nacional de Bioinsumos, que tem o objetivo de aproveitar o potencial da biodiversidade brasileira para reduzir a dependência dos produtores rurais em relação aos insumos importados e ampliar a oferta de matéria-prima para o setor, foi avaliado como positivo pelos representantes do segmento agropecuário de Minas Gerais.

A expectativa, principalmente pela previsão de recursos no Plano Safra 2020/21 para o programa, é de que as pesquisas voltadas para os bioinsumos avancem, favorecendo a descoberta e o aprimoramento de produtos que venham a contribuir para a melhor produtividade e qualidade das produções agrícola e pecuária, tornando-as também mais sustentáveis.

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A iniciativa pretende estimular a pesquisa, a produção e o uso de produtos biológicos como fertilizantes e defensivos agrícolas. As ações visam ampliar e fortalecer o segmento de bioinsumos, ofertando ao usuário tecnologias, produtos, processos, conhecimento e informações sobre uma diversidade de insumos de base biológica aplicados no campo, desde a nutrição do solo, o controle de pragas, como em processos relacionados à pós-colheita e à agroindústria.

O analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Caio Coimbra, explica que o programa é essencial para que a produção de bioinsumos avance. A demanda pelos produtos biológicos é grande, mas é preciso avançar nas pesquisas para descoberta de opções e aprimoramento das já utilizadas.

“A grande reclamação do setor de bioinsumos é que não há investimentos, o que tem travado o avanço. Há uma necessidade muito grande, por parte da produção agrícola e pecuária, pelos bioinsumos. Temos um mercado muito exigente, que busca por produtos de qualidade, saudáveis e produzidos de forma sustentável. Hoje, utilizam-se muitos produtos químicos, que, se aplicados da forma correta, são aliados, mas, tendo a opção eficiente para substituir de forma natural, seria menos agressivo e melhor”, avalia.

Plano Safra – Ainda segundo Coimbra, um dos pontos importantes do projeto é a previsão de recursos no Plano Safra – que deve ser lançado em 15 de junho – para o setor de bioinsumos. O aporte deve financiar biofábricas e o custeio do setor.

O estímulo à produção de bioinsumos também é considerado essencial para que o Brasil se torne menos dependente da importação de fertilizantes, defensivos e produtos voltados para o controle de parasitas.

“Cerca de 90% dos insumos utilizados na agricultura são importados, principalmente, os fertilizantes. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e não pode ficar dependente de fornecedores internacionais. É preciso buscar alternativas locais, que, além de reduzir a dependência da importação, vão gerar riquezas e empregos no País, o que é muito importante”, explica.

Aplicação no Estado – Conforme Coimbra, na produção mineira, vários bioinsumos já são utilizados. Dentre eles estão os fungos Metarhizium anisopliae (utilizado contra as cigarrinhas) e Beauveria bassiana, registrado para controle da mosca branca, moleque de bananeira, ácaro rajado, bicho mineiro e cigarrinha do milho.

A Trichogramma pretiosum é uma vespa utilizada no controle biológico de borboletas no início da infestação em campo. As fêmeas localizam no campo os ovos do hospedeiro e, neles, depositam ovos, interrompendo o desenvolvimento da praga logo no início do seu ciclo, tornando-os de coloração escura e dando origem a novas vespas, ao invés de lagartas.

Em relação aos fertilizantes, na produção em menor escala, utiliza-se o esterco de boi e cama de frango, porém, em grande escala, o uso é inviável.

“Usamos alternativas interessantes, mas para chegar aos níveis de produtividade alcançados com os produtos químicos, teríamos que usar um volume muito alto, o que torna inviável. Se em um hectare utilizamos 400 quilos de ureia para suprir o nitrogênio, quando falamos em esterco e cama de frango, ao invés de 400 quilos de ureia teríamos que usar 30 toneladas, o que fica inviável. Por isso, o programa de bioinsumos será importante, para buscar alternativas e atender a uma demanda que existe”.

Outro setor que pode ser beneficiado é o de orgânicos, que, além de conviver com limitação de produtos naturais para adubar e controlar pragas, tem o custo de produção elevado.

De acordo com as informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a cesta de bioinsumos é ampla e abrange desde inoculantes, promotores de crescimento de plantas, biofertilizantes, produtos para nutrição vegetal e animal, extratos vegetais, defensivos feitos a partir de microrganismos benéficos para controle de pragas, parasitos e doenças, como fungos, bactérias e ácaros, até produtos fitoterápicos ou tecnologias que têm ativos biológicos na composição, seja para plantas e animais, como para processamento e pós-colheita.

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