Há dez anos no mercado, a Queijo D’Alagoa-MG vai expandir a comercialização em 2020. Pioneiros na venda do produto pela internet, a expectativa é ampliar em 10% o volume atual, que está em torno de 2,5 toneladas mensais.

O aumento ocorrerá com a construção de uma nova queijaria com estrutura de maturação subterrânea em uma fazenda adquirida pela empresa, este ano, em Alagoa, no Sul de Minas. As perspectivas em relação ao mercado são positivas.

Além da qualidade do queijo e das premiações conquistadas, a produção de queijos no município de Alagoa está em processo de certificação, o que é fundamental para agregar valor ao produto.

De acordo com o fundador da Queijo D’Alagoa-MG, Osvaldo Martins de Barros Filho, o mercado para o queijo artesanal é crescente. Por mês, são comercializadas pela empresa cerca de duas toneladas de queijos pela internet e 500 quilos na loja física, localizada em Alagoa. Os principais mercados atendidos são São Paulo e Rio de Janeiro.

“O queijo artesanal vem sendo cada vez mais reconhecido no mercado. Este ano, adquirimos uma fazenda, em Alagoa, com 11 hectares e a 1.600 metros de altitude. Nosso plano é construir uma queijaria nova para ampliar, a princípio, em cerca de 10% a nossa produção. O projeto é construir uma queijaria com maturação subterrânea”, explicou.

Ainda conforme Osvaldo, as obras da nova queijaria devem ser iniciadas em meados do primeiro semestre de 2020, logo após o período das chuvas. A expectativa é começar a produção no segundo semestre. “A altitude da fazenda permite a produção de um queijo de características únicas. Além de produzir o queijo, a ideia é que a queijaria também passe a integrar as visitas da Rota do Queijo e do Azeite, o que vai estimular o turismo”, explicou.

A Rota do Queijo e do Azeite foi idealizada por Osvaldo com o objetivo de estimular o turismo na região. O roteiro inclui a visitação em fazenda, em uma queijaria, em um plantio de oliveiras e degustação.

Os visitantes também conhecem a loja da Queijo D’Alagoa-MG, onde podem comprar diversos produtos da região, incluindo os queijos premiados e de outros produtores da região. A rota é considerada fundamental para movimentar a economia da cidade, gerar empregos e renda.

Um dos pontos que vem interferindo de forma negativa na Rota do Queijo e na comercialização dos produtos são as condições precárias da Rodovia LMG-881, que não foi totalmente asfaltada.

“A rodovia começou a ser asfaltada em 2007 e as obras foram interrompidas duas vezes, a última em 2013. A rodovia tem 38,5 quilômetros e 6,5 quilômetros não foram asfaltados. Os turistas reclamam do acesso, e encontramos dificuldades de escoar a produção. É um gargalo que precisa ser solucionado”, destacou.

Certificação – Uma ação que está em desenvolvimento e que beneficiará os produtores de queijo do município é o reconhecimento da região como produtora de queijo artesanal. De acordo com o fundador da Queijo D’Alagoa-MG, o pedido para reconhecimento da região já foi feito junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Atualmente, estão sendo realizados estudos de caracterização, mapeamento e levantamento de documento.

Todo o processo vem sendo desenvolvido junto à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), ao IMA e à Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).

“O reconhecimento do queijo artesanal de Alagoa será muito importante para atestar a qualidade, as características únicas e para agregar valor ao produto. Em Alagoa, são 135 produtores que poderão passar pela certificação. É uma segurança para o produtor e para os consumidores”, explicou.

Mesmo que ainda não reconhecida oficialmente como região produtora de queijo artesanal, a produção do município ganhou visibilidade com os prêmios conquistados pela Queijo D’Alagoa-MG, incluindo prêmios internacionais. O queijo conquistou medalha de prata em 2019 e bronze em 2017 no Mondial du Fromage,  na França.

A maior visibilidade e a qualidade dos queijos da região têm contribuído para a valorização do produto final, que antes era comercializado entre R$ 10 e R$ 15 e hoje é vendido acima de R$ 30 por peça. O preço mais valorizado garante renda e condições dos produtores investirem nos processos e na melhoria do rebanho.