A colheita de café em Minas será de 33,46 milhões de sacas, aponta a Conab | Crédito: Amanda Perobelli/Reuters

O clima favorável foi essencial para a produção de café em Minas Gerais. A safra total do grão será 36,3% superior no Estado, com a colheita de 33,46 milhões de sacas beneficiadas de café. A produção de café arábica deve atingir 33,14 milhões de sacas e a de conilon 318 mil sacas de 60 quilos.

Ao todo, Minas Gerais é responsável por 54,3% da produção nacional de café, que foi estimada em 61,62 milhões de sacas. Todas as regiões produtoras apresentaram crescimento na produção, mas o destaque foi as Matas de Minas, que tiveram um aumento de 60% na colheita, com um volume recorde estimado de 8,59 milhões de sacas.

Os dados são do 3º Levantamento da Safra 2020 de café, divulgado, ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em Minas, a colheita está em fase final de execução, com previsão de encerramento das operações em outubro.

De acordo com o diretor-presidente da Conab, Guilherme Bastos, as condições climáticas foram favoráveis para a produção de café. Além de permitir uma colheita mais ágil, devido ao tempo seco, a qualidade do grão também ficou melhor, o que tem contribuído para a melhor formação de preços.

Além disso, os estoques mundiais do grão estão menores, fator importante que permitiu elevação dos preços mesmo ao longo da colheita. A alta do dólar também foi positiva para a capitalização dos cafeicultores.

“Apesar da maior disponibilidade do produto, os preços do café apresentaram de junho a agosto, uma trajetória de crescimento. Tivemos estoques finais da safra 2019/20 estimados em 35 milhões de sacas, volume 3% menor em comparação com a safra anterior. Tivemos queda dos estoques certificados da ICE, em Nova Iorque, que contam com 1,2 milhão de sacas, e em Londres, que mantêm estoques com 10,9 milhões de sacas. Os números chamam atenção por se tratarem dos estoques monitorados mais baixos dos últimos 20 anos”, explicou Bastos.

Antecipação – Bastos ressaltou ainda que no cenário de preços valorizados, os cafeicultores aproveitaram para comercializar boa parte da safra antecipadamente. “Uma parte significativa da safra 2021 também já foi comercializada”, disse.

Segundo a Conab, em meados de setembro, os preços recuaram em função das chuvas, que reduziram o medo da quebra de produção projetada para a próxima safra. Além disso, o tempo seco que permitiu o avanço mais rápido da colheita e a maior disputa por contêineres nos portos, o que provocou dificuldades de armazenagem, são fatores que, segundo Bastos, também justificam o recuo nos valores pagos em setembro.

Produção de arábica domina a cultura em MG

Com uma produção total estimada em 33,46 milhões de sacas beneficiadas de café, a colheita de café arábica em Minas Gerais deve atingir 33,14 milhões de sacas, representando um avanço de 36,8%. No período, a produtividade do cafezal ficou 29,1% superior, com rendimento médio de 32,12 sacas de 60 quilos por hectare. A área em produção foi de 1,03 milhão de hectares, 5,9% maior.

Já a produção mineira do conilon deve somar 318 mil sacas de 60 quilos, valor igual ao registrado no ano anterior.

Dentre as regiões produtoras, o Sul de Minas é a maior. A produção esta estimativa em 18,21 milhões de sacas, apresentando um incremento de 30,3% em relação à safra passada. As condições climáticas foram consideradas boas ao longo do ciclo, favorecendo o rendimento da cultura e a qualidade dos grãos colhidos. Além disso, o efeito da bienalidade positiva e o aumento de área em produção potencializaram o crescimento.

Nas regiões da Zona da Mata, Rio Doce e Central, o histórico climático também foi considerado benéfico para o desenvolvimento das lavouras na safra atual. A perspectiva é de resultado histórico para a cafeicultura da região, devendo chegar a 8,59 milhões de sacas de café beneficiadas, sinalizando aumento de 60,6% em relação à temporada anterior. Segundo a Conab, fatores como o efeito da bienalidade positiva, melhores tratos e manejo das lavouras, chuvas bem distribuídas no período pós-florada e volume de chuvas ideal para o desenvolvimento pleno dos grãos, contribuíram para o aumento significativo.

Na região do Cerrado, o clima foi considerado adequado ao desenvolvimento das lavouras na maior parte do ciclo, mesmo com alguns períodos de estiagem registrados, principalmente nesse último trimestre, mas que acabou favorecendo a maturação e a colheita dos grãos, que caminha para o seu encerramento agora em setembro, devendo alcançar uma produção de 5,92 milhões de sacas de café beneficiadas, representando incremento de 29,1% em relação a 2019.

Nas regiões Norte de Minas, Jequitinhonha e Mucuri, produção será de 716,4 mil sacas de café beneficiadas em 2020, demonstrando acréscimo de 13,9% em comparação à temporada passada.