Último recorde de produção de trigo registrado pela Conab ocorreu em 2016, com 6,7 milhões de t | Crédito: Pascal Rossignol/ Reuters

São Paulo – A safra brasileira de trigo tem potencial para superar 7 milhões de toneladas neste ano e atingir um recorde, caso as condições climáticas permaneçam favoráveis até a colheita, um alento aos moinhos, que têm chance de reduzir parte das importações em 2021.

Analistas e representantes do setor ouvidos pela Reuters disseram que o alto nível de capitalização do agricultor adquirido com a venda da soja de verão contribuiu para elevar investimentos no plantio e produtividade do trigo, cereal que também está com preços atrativos devido ao câmbio.

Com a colheita próxima de começar no Sudeste e no Sul do País, um dos maiores importadores globais do cereal, levantamento da consultoria Trigo & Farinhas indica que a produção nacional do cereal pode chegar a 7,34 milhões de toneladas.

A previsão supera em pouco mais de 1 milhão de toneladas a projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que espera por 6,31 milhões de toneladas em 2020. No ano anterior, o Brasil colheu 5,15 milhões de toneladas, após adversidades climáticas.

Até o momento, o recorde registrado pela estatal ocorreu na temporada de 2016, quando o País produziu 6,7 milhões de toneladas de trigo, segundo a Conab. Antes disso, o patamar mais elevado foi visto somente em 1987, com colheita de 6,13 milhões.

Apesar de não apontar uma estimativa, a consultoria StoneX compartilha da percepção de que um novo recorde pode ser alcançado nesta safra. “Existe a possibilidade de a produção de trigo no Brasil atingir 7 milhões de toneladas e até mesmo passar. Realmente temos visto este potencial”, disse a analista da StoneX Ana Luiza Lodi.

Ela afirmou que ainda não foi identificada nenhuma ameaça significativa às lavouras, tanto em termos de clima quanto de pragas e doenças.

Os trabalhos de colheita no Paraná, maior produtor brasileiro, vão começar em agosto e se intensificar em setembro.

Em um cenário mais cauteloso, no entanto, a consultoria Safras & Mercado mantém a estimativa de produção nacional do cereal em 6,6 milhões de toneladas. “Produtores estão otimistas, mas com produtividades, segundo nosso levantamento, dentro da expectativa e cautela com possibilidade de algumas perdas no processo”, afirmou o analista da Safras Jonathan Staudt.

Entre os fatores que podem pesar para a lavoura nacional estão o excesso de chuva na colheita, que vez ou outra reduz a qualidade do produto, ou mesmo alguma geada.

Importações e Mercosul – Ana Luiza, da StoneX, disse que a queda nas importações de trigo tende a ser proporcional ao aumento na produção nacional, principalmente mediante um patamar de câmbio elevado, o que afetaria principalmente a Argentina, principal fornecedor do produto adquirido pelos brasileiros.

Já o diretor da Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco, calcula que as compras externas poderiam baixar dos atuais 7,3 milhões de toneladas para a faixa entre 6,32 milhões e 5,66 milhões de toneladas.

No Mercosul, Pacheco acredita que a produção do cereal da Argentina, maior produtora da região, pode crescer 9,04%, para 20,5 milhões de toneladas, mesmo com algumas áreas afetadas pela seca. (Reuters)