Área de algodão cultivada em Minas foi ampliada, passando de 25,23 mil hectares para 42,8 mil hectares - Créditos: Divulgação

Minas Gerais deve encerrar a safra 2018/19 como o terceiro maior produtor de algodão do País. Somente neste período produtivo, a expectativa é de um incremento de 67,3% na produção, que somará 73,2 mil toneladas de algodão em pluma.

Os investimentos em tecnologias, os preços remuneradores praticados no mercado e o Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas), que paga um valor acima do mercado pela pluma comercializada com as indústrias têxteis locais, são fatores que vêm estimulando o aumento da produção de algodão em plumas no Estado.

A colheita da safra atual já foi iniciada no Norte de Minas, onde predomina a produção familiar. A expectativa é de que, nas demais áreas, a colheita comece no próximo mês.

De acordo com a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), caso a estimativa de produção se confirme, Minas Gerais irá superar a produção dos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul, subindo da quinta para a terceira colocação no ranking dos maiores produtores de algodão em pluma do País, atrás apenas dos estados do Mato Grosso e da Bahia.

Além da expectativa de aumento na produção do algodão em Minas Gerais, de acordo com dados da Amipa, a área cultivada também foi ampliada, passando de 25,23 mil hectares para 42,8 mil hectares, aumento de 69,6%.

“Estamos registrando mais um incremento na produção e na área de algodão em pluma em Minas Gerais. O Proalminas, que é o programa de incentivo, tem um papel fundamental no aumento da produção estadual. Nos últimos três a quatro anos, começamos um trabalho muito forte na divulgação do Proalminas e isso foi fundamental para estimular o plantio. O que segura o algodão em Minas, tanto a indústria como a produção, é o programa, que é sólido e garante a segurança para o produtor que quer investir no plantio do algodão”, explicou o diretor-executivo da Amipa, Lício Pena.

Mercado favorável – Na safra atual, os produtores seguem otimistas em relação ao mercado e ao plantio do algodão. Um dos motivos é o consumo do parque têxtil instalado no Estado, que gira em torno de 100 mil toneladas de algodão em pluma ao ano, volume que é superior à produção mineira.

Ao comercializar a produção através do Proalminas, o produtor recebe um valor 7,85% superior à cotação registrada no Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A indústria local que adquire o algodão mineiro tem como benefício a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS).

Atualmente, no Estado, a arroba de algodão em pluma é negociada a R$ 100, valor que é considerado remunerador. O custo de produção é alto e está próximo a R$ 1,5 mil por hectare. Mesmo com os custos elevados, as tecnologias utilizadas no campo contribuem para uma maior produtividade, o que é fundamental para garantir a lucratividade com a cultura.

Outro programa que vem contribuindo para a expansão da produção é o cultivo do algodão nas áreas semiáridas. A Amipa, desde 2007, desenvolve “Projeto de Retomada do Algodão no Norte de Minas”.

O projeto foi iniciado com seis produtores e hoje são 128 agricultores familiares. Com programas voltados para a convivência com a seca, foi possível ampliar a produtividade média dos produtores envolvidos no projeto, passando de 30 arrobas por hectare para 230 arrobas por hectare.