O clima favorável estimulou a safra de cana-de-açúcar | Crédito: REUTERS/Nacho Doce

O clima mais favorável ao longo da safra 2019/20 de cana-de-açúcar fez com que a produção em Minas Gerais se desenvolvesse bem e alcançasse o volume de 68,7 milhões de toneladas, superando a temporada anterior em 8,7%, mesmo em meio à redução de 3,2% na área em produção.

Com demanda elevada ao longo do último ano, a maior parte da cana foi destinada para a produção de etanol, que somou um total de 3,59 bilhões de litros, volume 10,9% maior. A fabricação de açúcar foi de 3,1 milhões de toneladas, ampliação de 4,2%.

Para a safra atual, que já foi iniciada, as estimativas são cautelosas em relação à distribuição do mix, isso em função do mercado instável resultante da crise provocada pelo novo coronavírus. Os dados foram divulgados ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com o gerente de levantamento e avaliação de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, ao longo do desenvolvimento da safra 2019/20, as condições climáticas foram favoráveis, com períodos de chuvas e estiagem ocorrendo nos momentos ideais da safra.

“A safra 2019/20 foi beneficiada pelo clima. Isso foi importante para o aumento da produtividade, que acabou compensando a queda na área em produção. Os pacotes tecnológicos utilizados e a renovação dos canaviais também são fatores importantes que estimularam a produtividade dos canaviais”, disse.

A produtividade média das lavouras mineiras encerrou a safra 2019/20 em 83,7 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, volume 12,3% superior ao rendimento registrado no período produtivo anterior. A área plantada caiu 3,2% e chegou a 820,6 mil hectares, ante 848 mil hectares produzindo anteriormente.

“No último período produtivo, muitos produtores não renovaram os contratos de fornecimento de cana e aproveitaram um cenário mais favorável de outras culturas para migrarem de atividade. Dentre as culturas que estavam com cotações mais atrativas estavam a de milho e soja, por exemplo”, explicou Vasconcellos.

Etanol – A maior parte da produção de cana-de-açúcar foi destinada para a produção de etanol. Das 68,7 milhões de toneladas, 44,4 milhões foram esmagadas para a fabricação do etanol, aumento de 11,2%. No total, o Estado foi responsável por uma produção de 3,59 bilhões de litros, variação positiva de 10,9%.

“Houve maior inclinação à fabricação de etanol, especialmente em razão dos preços praticados no mercado à época e do mercado mais favorável que o do açúcar”, destacou.

Na safra 2019/20, foram destinadas 31,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para a produção de etanol hidratado, volume 6,6% maior. A produção do biocombustível alcançou 2,5 bilhões de litros, ficando 6,4% maior que o volume registrado na safra anterior.

Para a fabricação de etanol anidro, que é adicionado à gasolina, foram destinadas 13 milhões de toneladas de cana, variação positiva de 24,1%. Ao todo, a produção de etanol anidro alcançou 1 bilhão de litros, ficando 23,6% maior que a produção anterior.

A produção de açúcar também cresceu. Ao todo, foram fabricadas 3,19 milhões de toneladas, aumento de 4,2%. Para a produção do adoçante foram destinadas 24,23 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, aumento de 4,4%.

Futuro – Para a safra 2020/21, a Conab está fazendo levantamento de campo e análises de dados. “O cenário atual é nebuloso devido à pandemia do coronavírus. Estamos fechando o levantamento, mas a incerteza é grande e as mudanças estão ocorrendo a todo momento, por isso, ainda não é possível estimar qual será o mix de produção”, avaliou Vasconcellos.

País registra produção recorde de etanol

São Paulo – O Brasil produziu um volume recorde de etanol de 35,6 bilhões de litros na temporada 2019/20, registrando um acréscimo de 7,5% em comparação a 2018/19, informou ontem a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em levantamento para a safra encerrada em março.

Já a produção de açúcar somou 29,8 milhões de toneladas, crescimento de 2,6% em relação ao produzido na safra 2018/19, em meio a um aumento da moagem de cana.
O País colheu 643 milhões de toneladas de cana, com alta de 3,6% em relação a 2018/19, enquanto a área colhida ficou em 8,4 milhões de hectares, com uma redução de 1,7%.

“Isso se deu porque fornecedores que tiveram seus contratos encerrados migraram para outras culturas, além de áreas não propícias à colheita mecanizada”, disse a Conab.
Em meio a uma queda na área plantada, a Conab destacou que as condições climáticas verificadas nas principais regiões produtoras favoreceram a produção de cana, incrementando o rendimento médio.

O relatório da Conab mostrou produção de 34 bilhões de litros de etanol de cana-de-açúcar, um aumento de 5,1% sobre a safra passada.

Já a produção total de etanol à base de milho mais que dobrou na safra, para 1,6 bilhão de litros, uma vez que novas unidades de produção do biocombustível a partir do cereal entram em operação.

Sobre a produção de açúcar, a Conab afirmou que, enquanto as regiões Norte/Nordeste destinaram maior quantidade de sacarose para a produção do adoçante, a região Centro-Sul aumentou a fabricação graças a maior colheita de cana. (Reuters)