Crédito: Abiove/Divulgação

O clima favorável para a produção agrícola e os investimentos em tecnologias estão contribuindo para que Minas Gerais tenha uma safra 2019/20 recorde de grãos. De acordo com o 11º Levantamento da Safra de Grãos 2019/20, divulgado, ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção estadual deve alcançar 15,11 milhões de toneladas, volume 6,4% maior.

O destaque do período é a produção de soja, que cresceu 18%. No Brasil, a estimativa é colher 253,7 milhões de toneladas de grãos, alta de 4,8%. Para a próxima safra, as perspectivas também são positivas e a tendência é de aumento uma vez que a demanda e os preços estão favoráveis.

Este ano, a produção estadual vem crescendo em função do ganho de produtividade, que está 5,8% maior que o verificado na safra passada, com rendimento médio de 4,35 toneladas por hectare. Em relação à área ocupada, a alta foi de apenas 0,6%, com o uso de 3,47 milhões de hectares.

De acordo com o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sérgio De Zen, tanto em Minas como no Brasil foi registrado aumento da produtividade. “Notamos um aumento da produtividade, o que é muito positivo”, avaliou.

Soja – O destaque da safra 2019/20 é a soja. Com a colheita já encerrada, a produção em Minas alcançou 5,98 milhões de toneladas, aumento de 18% frente as 5 milhões de toneladas colhidas no período produtivo anterior. Na produtividade, foi registrada elevação de 12,8%, com rendimento médio em torno de 3,64 toneladas por hectare. Com maior liquidez e preços atrativos, a cultura teve expansão de 4,6% na área, que totalizou 1,64 milhão de hectares.

“Os números da soja foram impressionantes e as exportações estão em alta. O câmbio tem favorecido as negociações com o mercado externo e no mercado interno há uma certa expectativa de aumento da demanda”, disse.

A produção estadual de milho deve somar 7,47 milhões de toneladas, queda de 0,8% frente as 7,53 milhões de toneladas colhidas no ano anterior. Ao todo, a produtividade da cultura caiu 0,3%, com a colheita de 6,42 toneladas por hectare. A área utilizada foi de 1,16 milhão de hectares, 0,5% menor.

Na primeira safra, a produção mineira chegou a 4,67 milhões de toneladas, aumento de 1,6%. No período, a produtividade cresceu 5,6% e encerrou em 6,48 toneladas por hectare. Já na segunda safra, a falta de chuvas prejudicou o rendimento, que caiu 9,4% e somou 6,32 toneladas por hectare. Com a queda na produtividade, houve redução de 4,6% no volume colhido, que chegou a 2,8 milhões de toneladas. No período, a expansão da área foi de 5%, somando 442 mil hectares.

“O milho é a principal fonte energética para a produção de proteína e a demanda segue firme. As exportações também estão elevadas, sustentadas pelo câmbio altamente valorizado, o que favorece as negociações”, explicou De Zen.

Já a produção de feijão total está 2,9% maior. No Estado, a produção será de 558,1 mil toneladas. Houve expansão de 8,4% na produtividade das lavouras, o que gerou um rendimento médio por hectare de 1,6 tonelada. A área plantada caiu 5,1% e ficou em 345,2 mil hectares.

Na primeira safra de feijão, Minas Gerais colheu 194,1 mil toneladas, aumento de 22,6%. Na segunda, a produção foi de 170,7 mil toneladas, queda de 15,9%. Para a terceira safra, que é irrigada e está em período de colheita, a previsão é colher 193,3 mil toneladas, o que, se alcançado, será 6,6% maior.

De acordo com De Zen, a oferta de feijão no mercado segue limitada, o que deve favorecer os preços do grão. “Os preços atuais estão cerca de 50% maiores que os praticados na safra passada e têm se sustentado pelos estoques bastante apertados em relação à demanda”, destacou.

Algodão – A produção de algodão em caroço foi estimada em 162,3 mil toneladas, queda de 3,8% frente à safra anterior. A queda se deve à redução de 9,3% na área, que somou 38,1 mil hectares. As condições climáticas foram favoráveis e a produtividade está estimada em 4,25 toneladas por hectare, variação positiva de 6%.

Queda também é esperada na produção de trigo. De acordo com a Conab, a área em produção retraiu 11,7% e somou 77,7 mil hectares. A produção está estimada em 202,6 mil toneladas, 2,7% inferior as 208,3 mil toneladas colhidas no período anterior. A produtividade esperada está 10,1% maior, com rendimento de 2,6 toneladas por hectare.

De acordo com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), César Halum, a safra 2019/20 de grãos segue para a fase de finalização e as expectativas são positivas para o próximo período produtivo.

“Para a safra 2020/21, esperamos uma produção maior. Um dos motivos é a demanda pelo crédito agrícola, que, no primeiro mês da safra, se manteve bem aquecida. A tendência é de que o produtor invista no plantio, em tecnologias e pesquisas, o que pode trazer resultados muito positivos. Percebemos que a maior demanda tem sido pelos recursos de investimentos e não de custeio. Se as condições climáticas permitirem, teremos uma safra maior”, disse.

Oleaginosa e trigo estão entre destaques do País

Conab melhorou projeção para produção do trigo e agora estima a colheita de 6,8 milhões de toneladas na atual temporada | Crédito: Ilya Naymushin/Reuters

São Paulo – A safra de soja do Brasil 2019/20 deve alcançar o recorde de 120,94 milhões de toneladas, projetou ontem a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que elevou levemente a estimativa ante julho e aumentou também a previsão de exportação.

As exportações da oleaginosa foram estimadas em 82 milhões de toneladas, contra 80 milhões no mês passado, quando a Conab via a produção do País na temporada em 120,8 milhões de toneladas.

“A estimativa das exportações brasileiras de soja em grãos continua muito aquecida devido aos fortes volumes de comercialização antecipada da safra 2019/20 e dólar elevado”, disse a estatal em relatório.

A nova estimativa de produção para a oleaginosa também representa alta de 5,1% em relação ao resultado da temporada 2018/19, apesar dos problemas climáticos registrados nas lavouras do Rio Grande do Sul.

A safra total de milho do Brasil 2019/20 foi estimada em recorde de 102,14 milhões de toneladas, acima dos 100,5 milhões em julho, com um aumento na previsão para a segunda safra.

A Conab projetou colheita de 74,91 milhões de toneladas do cereal na safrinha, devido a um crescimento de 6,7% na área plantada em relação ao ciclo anterior.

Os trabalhos já foram praticamente encerrados em Mato Grosso e ultrapassaram um terço das lavouras no Paraná, os dois principais estados produtores de milho no País.

A safra de algodão em pluma do Brasil foi estimada em 2,93 milhões de toneladas, ante 2,89 milhões em julho. “As condições climáticas, de modo geral, favoreceram o bom desenvolvimento das lavouras. Colheita com finalização estimada para setembro”, disse a estatal sobre uma das culturas mais afetadas comercialmente pela pandemia do novo coronavírus.

Segundo a Conab, até o final deste ano, o principal desafio do setor é manter os contratos já firmados e concretizar as entregas, dado o enfraquecimento da demanda global causada pela pandemia.

“A expectativa agora é que, com a mitigação dos efeitos da crise sanitária, o Brasil exporte cerca de 1,9 milhão de toneladas, patamar próximo ao de 2019”, estimou a estatal.

Com base em dados da Associação Brasileira de Indústria Têxtil (Abit), a Conab disse que o consumo de algodão deve recuar neste ano para cerca de 570 mil toneladas – patamar em nível dos anos 1980. “Esses serão fatores que pressionarão os preços ao longo dos próximos meses”.

 

Trigo – A produção de trigo em 2020 foi projetada em recorde de 6,8 milhões de toneladas, contra 6,3 milhões no mês anterior, segundo a Conab. O Brasil só ultrapassou a marca dos 6 milhões de toneladas de trigo em quatro ocasiões na série histórica, destacou a estatal.

“Apesar do início de julho ter sido marcado por expressivos volumes de chuvas, as lavouras estão em boas condições, com ótimo estande e potencial produtivo, favorecido pelo clima apresentado até agora”, afirmou.

A Conab ainda pontuou que a produção estimada para o trigo neste ano vem na esteira de preços atrativos que incentivaram o produtor a investir no cereal, além de um processo de retomada em relação à temporada anterior.

“A produtividade deve ser maior que na última safra, sobretudo pela recuperação do rendimento no Paraná, principal estado produtor”, afirmou.

Na comparação com o ciclo passado, o trigo paranaense registrou aumentos de 10,4% em área plantada e de 41,8% em produtividade. Com isso, a produção deve crescer 56,6%, para 3,33 milhões de toneladas.

A colheita do cereal deve começar neste mês e se intensificar em setembro, enquanto o Rio Grande do Sul – segundo maior estado produtor – tende a iniciar os trabalhos no mês que vem. (Reuters)

Brasil deve produzir 250 milhões de t

Rio de Janeiro – A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve fechar o ano de 2020 em 250,5 milhões de toneladas. Caso a estimativa de safra feita em julho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se confirme, a produção será 3,8% superior à registrada em 2019, ou seja, 9 milhões de toneladas a mais.

A estimativa de julho é 1,3% superior ao levantamento do IBGE feito no mês anterior. A área a ser colhida neste ano, de acordo com a estimativa, é de 64,9 milhões de hectares, ou 2,6% acima da área de 2019.

Entre as principais lavouras de grãos do País, são esperadas altas em 2020 nas safras de soja (5,9%), arroz (7,3%), trigo (41%) e sorgo (6,4%). O algodão herbáceo deve manter a produção de 2019. São esperadas quedas no milho (0,8%) e feijão (4%).

São esperadas altas para a cana-de-açúcar (2,4%), assim como o café (18,2%) e a laranja (4,1%).

Por outro lado, estimam-se quedas nas safras de batata-inglesa (-10,6%), banana (-5,2%), tomate (-5%), mandioca (-0,3%) e uva (-0,3%). (ABr)