Evento internacional vai até amanhã, com uma programação com 170 palestrantes, além de conteúdos para todo o segmento cafeeiro e cursos de capacitação | Crédito: Divulgação

Um dos maiores eventos da cafeicultura mundial, a Semana Internacional do Café (SIC) foi iniciada ontem em edição totalmente virtual em função da pandemia da Covid-19. Ao todo, vão ser três dias de evento, gratuito, com conteúdos para toda a cadeia produtiva e cursos com especialistas. A realização da Semana de forma virtual é considerada essencial, já que a SIC é uma vitrine mundial para o café produzido em Minas Gerais e no Brasil, um espaço para capacitação e geração de negócios.

O evento vai até amanhã, com uma programação com 170 palestrantes, debatendo 65 conteúdos diferentes, entre painéis, entrevistas, palestras e cursos que abordam consumo, torrefação, agronegócio, comercialização, foco no barista e cafeterias. Cerca de 60 marcas vão ocupar estandes virtuais. No ano passado, a SIC, que até então era presencial, teve visitação recorde de 23 mil pessoas e movimentou R$ 50 milhões em negócios iniciados, com 40 eventos simultâneos, 220 expositores e 31 países visitantes.

De acordo com o presidente do Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, a realização do evento é importante para toda a cadeia e movimenta os negócios.

“Nós tivemos que fazer o evento virtual tendo em vista a pandemia. Não poderíamos deixa de fazer, já que a SIC é um evento internacional e consolidado. Sendo virtual, vamos alcançar mais pessoas. É um evento intenso, com muitas reuniões, palestras, rodadas de negócios e workshops. Sempre com o lema de atender a toda a cadeia, da produção à xícara. Devido ao atual momento, os principais temas são a sustentabilidade, a qualidade, tecnologia, inovação e agregação de valor”, destacou.

Durante a abertura do evento, Simões chamou a atenção para o fato de que 2020 tem sido um ano excepcional para a produção de café. Somente do café arábica, a produção será 34% maior no País. Em Minas Gerais, a safra total do grão será 36,3% superior, com a colheita de 33,46 milhões de sacas beneficiadas de café, segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com este volume, Minas Gerais responderá por 55% da produção nacional.

Terceira onda – O representante do Sistema Faemg também destacou que estamos vivendo a terceira onda do café, quando os consumidores querem conhecer a produção, a origem e as formas de preparo.

“Nessa terceira onda, as pessoas querem mais conhecimento sobre as propriedades produtoras, sabores, regiões de origem, tipos, preparo e torra. Isso significa que o consumo de cafés especiais está se sofisticando. Preparamos nossos produtores oferecendo assistência técnica. Nossa orientação é que o cafeicultor pegue uma parte da produção e invista nos cuidados para ter cafés especiais. Assim, ele terá um preço diferenciado”, afirmou.

Simões informou que, em 2021, entre abril e maio, será inaugurado, em Varginha, no Sul de Minas Gerais, o primeiro Centro de Excelência em Cafeicultura do País. “O Centro irá irradiar inovação, tecnologia e conhecimento para o Brasil”, explicou.

Pequenos produtores se destacam

O café tem grande importância para a economia de Minas Gerais e do País. Um dos pontos mais relevantes é que a maior parte do grão é produzida em propriedades de pequeno porte e na agricultura familiar, que se organizam em cooperativas e vendem cafés para todo o mundo.

O presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg), Ronaldo Scucato, ressaltou que Minas Gerais, se considerado um país, seria o maior produtor de café do mundo. Por isso, a importância da realização da SIC em Belo Horizonte.

“Ressalto os números e a importância do café, que, em sua grande maioria, é produzido por pequenos cafeicultores, organizados em cooperativas. Mais de 50% do café produzido no País vem de Minas e cerca de 70% do volume passa por cooperativas mineiras. São dados muito significativos. A cada 10 xícaras consumidas no País, quatro são de cooperativas. O volume de produção aumenta ano após ano, acumulando alta de quase 50% nos últimos cinco anos”, disse.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, destacou que o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. Tem uma produção sustentável e cafés de excelência.

“Este ano, estamos finalizando uma grande safra. O Mapa tem o café como um dos principais produtos. Trabalhamos com o Funcafé, que ajuda no financiamento dos cafeicultores. Quero dizer que estamos juntos”.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também destacou a importância do setor cafeeiro e se disse disposto a contribuir para alavancar ainda mais o setor.

“Minas Gerais é o estado que mais produz e que tem os melhores cafés. Meu governo dará total apoio em tudo que estiver ao nosso alcance”, disse.

Serviço

Semana Internacional do Café 2020 – 100% Digital
Datas
: 18 a 20 de novembro
#conectadospelocafé
Cadastro gratuito: semanainternacionaldocafe.com.br