Crédito: Divulgação/Fiemg

Com o intuito de reduzir o passivo ambiental gerado pelos resíduos da indústria madeireira e frigorífica, com forte presença no estado de Mato Grosso (MT), o Senai MT se uniu à experiência do Senai MG para elaborar um composto capaz de trazer melhorias para a produção agrícola: o condicionador de solo.

O produto, que teve sua etapa de pesquisa e desenvolvimento finalizada em 2020, é fruto do trabalho concebido dentro do edital de Inovação para a Indústria do Senai Nacional.

“Esse projeto é um exemplo do que o Senai pode trazer de inovação para a indústria brasileira. O trabalho em equipe, a competência técnica e a visão estratégica das equipes de Minas e do Mato Grosso trouxeram resultados significativos para o setor, abrindo um leque de possibilidades para a preservação ambiental associada à viabilidade econômica”, afirmou o diretor regional do Senai MG, Christiano Leal.

De acordo com a diretora regional do Senai MT, Lelia Rocha Abadio Brun, a demanda pelo produto veio da indústria mato-grossense e, para ser desenvolvida dentro do programa nacional do Senai, precisava do suporte de profissionais com experiência em áreas diversas. Nesse sentido, o Centro de Inovação e Tecnologia (CIT Senai Fiemg) foi o escolhido para dar andamento ao projeto inovador.

“Preconizamos o trabalho em rede e buscávamos profissionais com competência nas áreas do meio ambiente e de química. Dessa forma, o CIT, com seus institutos, completou a equipe necessária para o desenvolvimento do produto. Minas Gerais faz parte da nossa rede de pesquisa e com esse bom relacionamento já desenvolvemos quatro projetos juntos”, explicou Lelia Brun.

O composto – A indústria madeireira tem como seu principal resíduo a serragem. Já a frigorífica, tem como um dos principais passivos o rúmen, conteúdo retirado da primeira porção do estômago de animais ruminantes que é removido durante o abate.

“Ambos são passivos ambientais que necessitam de uma destinação adequada. Ao desenvolvermos o condicionador de solo, a empresa deixará de gastar para gerenciar esses resíduos, ajudará o meio ambiente e ainda poderá comercializar um novo produto”, contou Layla Teixeira, gerente do Instituto Senai MT de Tecnologia, que acompanhou o projeto desde sua concepção.

O pesquisador Líder em Química do CIT Senai Fiemg, Luiz Cláudio de Melo Costa, conta que, para chegar ao condicionador de solo, os resíduos passaram pela técnica da compostagem.

“O rúmen e a serragem passaram por diversos experimentos de compostagem, que é o processo de decomposição biológica dos resíduos orgânicos em condições controladas de temperatura e aeração. Com isso, conseguimos usar os resíduos de forma útil, gerando valor agregado a algo que antes seria descartado”. Segundo Costa, alguns dos principais benefícios do novo produto são a melhoria da capacidade de retenção de água e elevação de carbono e nitrogênio no solo, que são elementos essenciais para o crescimento das plantas.

Todo o trabalho técnico da pesquisa foi realizado no município de Juína (MT), por profissionais mato-grossenses e mineiros. “O papel dos profissionais do Senai MG foi de planejar e orientar a realização de experimentos de compostagem e realizar as análises laboratoriais e interpretação dos resultados”, destacou Costa.

A partir de agora, as duas regionais do Senai, junto à empresa que solicitou o projeto, darão início ao desenvolvimento do protótipo do condicionador de solo em escala industrial para, depois da aprovação no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), seguir para a fase de produção e comercialização. (Com informações da Fiemg)