Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

O segundo Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2019/20 mostrou uma tendência de crescimento na colheita de Minas Gerais. De acordo com os dados, que são iniciais e podem ser modificados com o avançar da safra, a previsão é colher 14,3 milhões de toneladas de grãos, o que, se concretizado, ficará 0,7% maior que o volume registrado na última safra.

O aumento é resultado da previsão de alta nas culturas da soja e do milho primeira safra.  Os dados foram divulgados, nesta quarta-feira (13), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Nesta safra, a área plantada no Estado é de 3,5 milhões de hectares, espaço 1,5% maior. A produtividade média estimada está em 4 toneladas por hectare, retração de 0,7%.

O engenheiro agrônomo e analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Caio Coimbra, ressalta que os dados do levantamento são bem iniciais e que, provavelmente, serão modificados ao longo da safra. Ele explica que, no Estado, as possíveis alterações no volume da safra podem ser decorrentes dos fatores climáticos, que impactam na decisão dos produtores em investir no plantio e no pacote tecnológico a ser aplicado.

“O que tem acontecido no Estado é que alguns produtores semearam a soja no início de outubro, mesmo antes do início das chuvas. Tivemos poucas chuvas nesse período, mas foi suficiente para o desenvolvimento. Ao chegar ao final de outubro, quando o volume de precipitações foi maior, o desenvolvimento foi beneficiado”, explicou.

Coimbra destaca que o número de produtores que arriscou no plantio antecipado no Estado não foi grande e que a maior parte esperou as chuvas mais regulares para plantar, o que reduziu a janela de plantio da segunda safra e pode provocar queda no plantio e menor investimento no pacote tecnológico.

“A maioria dos produtores plantou tardiamente a primeira safra, que pode ser de milho, soja ou feijão. Plantaram no final de outubro e início de novembro. Então, na sua grande maioria, a janela da segunda safra será encurtada. Historicamente, quando isso acontece, produtores têm medo de arriscar, então utilizam menor pacote tecnológico em função do aumento do risco pela maior aproximação com o período seco. Além de reduzir o pacote, pode haver redução da área plantada”, disse.

Soja – Dentre os grãos, o destaque da safra 2019/20 será a soja. A produção foi estimada em 5,4 milhões de toneladas, o que, se alcançado, será 6,6% maior que os 5 milhões de toneladas colhidas em 2018/19. O aumento na produção se deve à expansão de 2% na área plantada, 1,6 milhão de hectares, e à produtividade 4,5% superior, com rendimento médio por hectare calculado em 3,36 toneladas. A ampliação da produtividade está ligada ao uso de um pacote tecnológico maior.

“A soja é o produto que mais garante lucro ao produtor, em função da maior liquidez. Este ano, com os casos de peste suína africana na China, o que dizimou grande parte do rebanho, pode ser que ocorra queda nas exportações do grão. Porém, a soja é utilizada na alimentação dos rebanhos bovinos, suíno e de aves, através do farelo de soja, e existe a possibilidade de suprir a demanda deixada pela China com as exportações de carnes sendo feitas pelo Brasil, o que vai demandar mais soja para alimentar os animais”, destacou.

Aumento também é esperado na produção do milho primeira safra. A área ocupada pela cultura, 758,4 mil hectares, está 1,3% maior que a usada no ano anterior.  A produtividade deve crescer 2,9%, alcançando 6,3 toneladas por hectare. Com o aumento na área e na produtividade, a tendência é de que a colheita cresça 4,2%, com 4,78 milhões de toneladas de milho.

Sendo a janela de plantio menor, a estimativa é de que ocorra um recuo de 14,5% na produção do milho segunda safra. A previsão inicial é colher 2,5 milhões de toneladas.

A produção de feijão primeira safra foi estimada em 199,1 mil toneladas, um aumento de 25,8% frente a igual período produtivo da safra anterior. A área de produção está em 150 mil hectares, 6% superior ao registrado no ano passado. Já a produtividade pode ficar 18,6% maior, com rendimento médio de 1,25 tonelada por hectare. Para a segunda safra, a produção de feijão deve chegar a 194 mil toneladas, retração de 4,4%.

A previsão é colher, em Minas Gerais, 164,4 mil toneladas de algodão em caroço. O volume, se alcançado, será 2,5% menor. O plantio do algodão será iniciado após 20 de novembro, quando se encerra o vazio sanitário.

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A estimativa da safra 2019/2020 de grãos do País aponta para um novo recorde, com 246,4 milhões de toneladas, um aumento de 1,8% ou 4,3 milhões de toneladas em comparação à safra 2018/19. Os números são do Segundo Levantamento divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A intenção de plantio sinaliza uma variação positiva de 1,4% quando comparada à área da última safra, chegando a 64,1 milhões de hectares.

A área a ser semeada com soja aponta para um crescimento de 2,3% em relação à safra passada. O plantio no Brasil atinge 56% da área. A produção está estimada em 120,9 milhões de toneladas, mesmo com os problemas climáticos que atrasaram o plantio em Mato Grosso do Sul.

Já o milho primeira safra, que nos últimos levantamentos perdia espaço para a soja, mostrou aumento de área e alcançou 4,1 milhões de hectares. A produção pode chegar a 26,3 milhões de toneladas, 2,4% superior a 2018/19. As condições das lavouras no Rio Grande do Sul e Paraná estão boas. A partir de janeiro, começa o plantio da segunda safra do cereal, que representa mais de 70% da produção de milho no País.

O algodão, cuja janela de plantio começa no final deste mês, mantém a projeção de crescimento tanto em área, alcançando mais de 1,6 milhão de hectares, quanto no volume total esperado, podendo chegar a 2,7 milhões de toneladas de pluma. O produtor segue apostando na demanda externa pela pluma brasileira. Em outubro, o Brasil exportou o maior volume mensal da história: 279 mil t de pluma.

Para o feijão primeira safra, a estimativa é de redução da área, devendo ficar em 917,8 mil hectares. Ainda assim, a perspectiva é de produção superior à safra passada, podendo chegar a mais de 1 milhão de toneladas. Com o atraso das chuvas e a opção por culturas mais rentáveis, o produtor também prefere investir na segunda safra, para garantir uma colheita com maior qualidade.

Outras culturas, como o arroz, devem ter redução de 1,8% na área cultivada. Apesar do atraso no plantio, em função do excesso de chuvas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a produção deverá ser 0,2% maior que a da safra passada, chegando a 10,5 milhões de toneladas.

O clima, especialmente na região Sul, tem prejudicado a finalização da colheita dos cereais de inverno. O trigo, por exemplo, deve apresentar redução de 2,8% na produção final, alcançando 5,3 milhões de toneladas. No entanto, outras culturas como aveia branca, centeio e cevada apontam para aumento no volume produzido em comparação ao ano anterior. (Com informações da Conab)