Produto pode ser aplicado nas folhas e nos solo, mas somente em plantas assintomáticas | Foto: Pedro Crusiol

O controle do greening, doença mais grave que acomete a citricultura, ainda é um desafio para os produtores. Sem um produto que é capaz de exterminar a doença, várias pesquisas têm mostrado resultados positivos no manejo, o que é importante por reduzir a proliferação e os impactos negativos na produção.

Uma alternativa foi criada pela startup CiaCamp, a partir de pesquisa avançada dos laboratórios do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Através dos estudos, foi criado um fertilizante líquido, que pode ser aplicado no solo ou nas folhas, e que desfaz as colônias de bactérias que impediam a passagem da seiva e acabava comprometendo a planta.

De acordo com a bióloga, pesquisadora e criadora da startup CiaCamp, Simone Cristina Picchi, em estudo realizado com bactérias foi identificado que elas se aglomeram e vivem em uma espécie de biofilme, onde desenvolvem meios de sobreviver. O produto desenvolvido, o N-acetilcisteíina (NAC), como fertilizante sob a marca Granblack, desfaz esse biofilme.

Em forma de fertilizante líquido, aplicado no solo ou nas folhas, o princípio ativo é levado até a colônia de bactérias que impede a passagem da seiva, exercendo o produto à função de desentupidor da planta, permitindo que ela desbloqueie os vasos e, ao mesmo tempo, volte a absorver plenamente os nutrientes e a retornar ao seu ciclo sadio de desenvolvimento.

Além de controlar a ação do greening, o fertilizante pode evitar outras agressões, mas de origem ambiental, como calor, radiação ultravioleta e falta ou excesso de água. Por ser sustentável, o produto evita a geração de resíduos e seus impactos ambientais. Pode, também, ser aplicado em associação com tradicionais defensivos até agora empregados. A tecnologia possibilita uma expressiva queda da severidade do greening.

Para atender a demanda dos produtores no manejo da doença, também foram estudadas formas de aplicação do produto, permitindo que seja aplicado em diferentes partes da planta, ainda assintomática.

“O produto não vai acabar com a doença, ele não cura a planta. O produto deve ser introduzido no manejo do greening e aplicado nas plantas assintomáticas. O objetivo é controlar a proliferação e reduzir o aparecimento de plantas sintomáticas, uma vez que doente, a planta tem que erradicar”.

Por ser um aminoácido modificado, ele tem o papel de antioxidante, dessa forma, toda toxina produzida pela bactéria é eliminada. Todo o processo deve contar com um trabalho voltado para a nutrição das plantas, o que junto com o NAC vai permitir que as árvores se reestabeleçam.

“Para o bom manejo do pomar em tratamento, é preciso fazer análise da parte nutricional. Nesta análise, será possível identificar necessidades nutricionais de reposição. Como o NAC faz a limpeza, a planta vai precisar da nutrição correta para responder”.

Resultados – O produto vem sendo aplicado em pomares de Minas Gerais e de São Paulo e os resultados têm sido positivos. Até o momento em pomares onde a severidade da doença é de até 30%, no primeiro ano de tratamento, houve redução de 14% da severidade. O que significou uma redução da perda de frutos de 50%.

Já em lavouras com severidade de 50% para cima, no primeiro ano não foi notada diferença na recuperação, porém houve redução de 7% nas perdas. Esses 7% que deixaram de ser perdidos significou um aumento na produção de 24%.

“Se transformarmos isso em caixas de laranja por hectare, representa um ganho de 42 caixas por hectare. Com base nos dados, na média no primeiro ano de tratamento, vimos ganhos próximo de 20% na produtividade”, disse a bióloga, pesquisadora e criadora da startup CiaCamp, Simone Cristina Picchi.

Com resultados positivos, os estudos continuam. Embora o foco inicial do produto seja o controle do greening, já se estuda a viabilidade de aplicação da tecnologia, em formulações diferentes, na eliminação do cancro cítrico nas plantações do Sudeste e Sul do País e no amarelinho nos pomares do Nordeste. Outras culturas – como o milho, ameixa, uva e tabaco – também já estão recebendo, em formulações diversas, aplicações bem-sucedidas do fertilizante para controle de doenças bacterianas.