Em meio à pandemia, mel de aroeira ganhou mais espaço por ser conhecido por elevar a imunidade | Crédito: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus está estimulando as vendas de produtos apícolas no Norte de Minas Gerais. Somente o comércio de própolis verde cresceu em torno de 300% e do mel de aroeira cerca de 30%.

Os apicultores da região, em grande maioria da agricultura familiar, estão otimistas com o mercado e o retorno proporcionado pelas vendas dos itens apícolas. Está prevista a ampliação do entreposto, que aumentará a capacidade de produção em 200% na região, com investimentos próximos a R$ 1,5 milhão.

De acordo com as informações da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o aumento da venda é importante e traz maior rentabilidade para cerca de 1.500 famílias de pequenos produtores rurais organizados em 25 associações comunitárias e em uma cooperativa regional com sede no município de Bocaiúva.

O chefe da unidade de Desenvolvimento Territorial da Codevasf em Minas Gerais, Alex Demier, explica que o projeto de desenvolvimento e estruturação da apicultura no Norte de Minas foi iniciado em 2005.

Os trabalhos são desenvolvidos em diversas etapas, que incluem a capacitação dos produtores, disponibilização de kits de produção e a parte de beneficiamento, adquirindo e disponibilizando produtos. Neste período, foram construídas estruturas como as unidades de extração e o entreposto.

“Com toda a estruturação, hoje, no Norte de Minas, são cerca de 1.500 apicultores, sendo que cerca de 1.000 estão envolvidos nestas diversas ações. A região ampliou muito a produção, que gira em torno de 1 mil a 1,2 mil toneladas por ano dos diversos tipos de méis. Nós já construímos sete casas de mel e um entreposto. Tudo isso foi importante para os produtores obterem o Serviço de Inspeção Federal (SIF) e poderem atuar no mercado formal, o que expandiu o mercado e agregou valor”, disse Demier.

Com a demanda de mercado em crescimento e a estruturação dos produtores, o entreposto que tem capacidade de beneficiar de 250 toneladas a 300 toneladas de mel fracionado passará para 900 toneladas ao ano. O aporte, que será feito com recursos do governo federal, será de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão.

Hoje, a produção é comercializada em Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, em diversas cidades do Norte de Minas e também exportada para os Estados Unidos e Europa.

Mel de aroeira – Dentre os produtos, o mel de aroeira é o destaque, já que é considerado importante para aumentar a imunidade e no controle de algumas infecções.

De acordo com Demier, o quilo desse mel tem valor de mercado entre 50% e 100% maior que o dos demais méis.

“Em período de coronavírus, as vendas estão em alta tanto de mel como de própolis. As negociações do mel de aroeira cresceram 30% e de própolis, cuja produção ainda é muito pequena, cerca de 300%. Enquanto o mel de aroeira é vendido, no atacado, a R$ 10, R$ 11 o quilo, os demais estão em torno de R$ 5 o quilo. O mel de aroeira tem grande importância para a região e esperamos, até o final do ano, obter a Identificação Geográfica dele. O processo já está em andamento no Inpi”, destacou.

Ainda conforme Demier, ao registrar a IG, o consumidor terá a garantia de que o produto é o verdadeiro mel de aroeira do Norte de Minas. Será um grande beneficio para a região, onde mais de 90% dos produtores são da agricultura familiar. Nesse período de seca, a renda gerada pela comercialização do mel é fundamental para as famílias.

Problema logístico é superado

O presidente da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), Luciano Fernandes de Souza, destaca que, em função da pandemia do novo coronavírus, a demanda pelos produtos apícolas está em alta. A princípio, devido ao isolamento social e suspensão de algumas atividades, foram enfrentados problemas com a logística de transporte, mas o gargalo já foi resolvido e as negociações seguem normalmente.

“Nós estamos conseguindo vender. A demanda de mercado aumentou muito, no caso da própolis, a alta foi de 300%, ainda que a produção seja pequena, cerca de 3 toneladas por ano. Vendemos o produto processado para farmácias e supermercados, o que é importante para agregar valor. Este ano, o quilo é negociado entre R$ 800 e R$ 850, muito acima dos R$ 250 registrados em 2019”.

Souza explica que as vendas de mel de aroeira também são crescentes. O entreposto começou a funcionar em abril de 2019 e a produção vem sendo aumentada de forma gradativa. Hoje, a produção no entreposto está em torno de 150 toneladas, mas a produção total da cooperativa é de 350 toneladas ao ano. A expectativa é de encerrar 2020 com a produção no entreposto próxima a 200 toneladas.

“Além de fornecer o produto para o mercado interno, estamos exportando. No ano passado, para os Estados Unidos (EUA), embarcamos 15 toneladas de mel de aroeira e, este ano, vamos chegar a mais de 100 toneladas para os EUA e Europa”, explicou Souza.

O apicultor de Montes Claros Roberto Rodrigues Soares está preparando as colmeias para a próxima safra de mel de aroeira. As estimativas são positivas, uma vez que a demanda é grande. A produção é vendida para o varejo e é considerada lucrativa.

“Estamos esperando essa safra com muito otimismo, porque a procura é muito grande. Chega a faltar mel. Vamos vender no varejo, onde os preços estão muito bons”, afirmou.