Crédito: Flávio Borges

A proximidade das festas de fim de ano faz crescer a procura por vinhos e espumantes para a harmonização na ceia e também como opção para presentes. Destaque em premiações que avaliam a qualidade da bebida, os vinhos finos do Sudeste brasileiro, produzidos pela inversão do ciclo da videira, técnica desenvolvida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), figuram como uma alternativa atrativa e diferenciada.

Nos últimos anos, vinhos de marcas mineiras como Maria Maria, Luis Porto, Primeira Estrada, Quinta D’alva, Villa Mosconi e Casa Geraldo se tornaram conhecidos do público.

“Em 2014, quando começamos a comercializar o vinho mineiro, havia uma desconfiança por parte dos compradores. A consolidação veio após a medalha do vinho Maria Maria Bel Sauvignon Blanc 2015 no World Wine Awards 2017. Hoje cerca de um terço de nosso faturamento vem da venda dos vinhos mineiros para restaurantes”, conta a sócia da Rex Bibendi, distribuidora dos vinhos de inverno em Belo Horizonte, Elen Menezes dos Reis.

A loja, que também é aberta para o público em geral e funciona com restaurante, oferece possibilidades de degustação e informações sobre o processo produtivo. “Nós visitamos as vinícolas e os produtores sempre vêm aqui na loja. É um trabalho de parceria para reafirmar a qualidade dos produtos e exaltar a iniciativa e o esforço desses produtores”, diz Elen, que destaca uma mudança na percepção dos consumidores, que, antes de adquirir, têm buscado mais informações sobre a bebida.

“É um processo gradual, a pessoa não precisa entender de vinhos, precisa gostar, daí surge o interesse por conhecer novos sabores e combinações”, afirma.

A enóloga da Epamig Isabela Peregrino alerta para cuidados na hora de escolher os vinhos. “O mais recomendável é adquirir os produtos nos varejos das vinícolas, em casas especializadas e em supermercados. E desconfiar sempre de ofertas que trazem vinhos muitos baratos. Vale lembrar que a qualidade do vinho começa no processo produtivo, se o vinho tinto não for de boa qualidade quando jovem, também não será ao envelhecer. Já o vinho branco é para ser consumido jovem”.

Tecnologia – As uvas Syrah e Sauvignon Blanc são as que tiveram os resultados mais favoráveis por meio da dupla poda. A metodologia, implantada a partir do ano 2000, altera o ciclo da videira. Dessa forma, a colheita, que tradicionalmente acontece no verão, é feita no inverno, período seco no qual as uvas apresentam mais cor e aroma. Tais fatores potencializam a qualidade final da bebida.

Na região da Serra da Mantiqueira, as uvas Chardonnay adaptaram-se bem às características de clima e solo e têm sido utilizadas na produção de espumantes. No último mês de agosto, a Epamig iniciou a comercialização do espumante marca própria. O pacote tecnológico que propõe a adoção de clones, porta-enxertos e de diferentes técnicas de manejo, além de sistemas de condução específicos e o uso de metodologia semelhante à francesa champenoise, tem garantido aos produtores prêmios pela qualidade da bebida.

“Os espumantes são opção para a colheita de verão. Os tratos culturais e necessidades da uva são diferenciados. A Chardonnay não necessita de maturação fenólica (acúmulo de taninos, pigmentos e compostos ligados ao sabor e aroma) e exige maior acidez e menor acúmulo de açúcares”, explica Isabela Peregrino.

Os espumantes e vinhos da Epamig podem ser adquiridos nos empórios da empresa, que funcionam na sede em Belo Horizonte (avenida José Cândido da Silveira, 1.647) e no Instituto Cândido Tostes, em Juiz de Fora. (Com informações da Epamig)