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Coronavírus

UFMG inicia testes da vacina contra a Covid-19 em primatas

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Crédito: Andrej Ivanov/Reuters
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A UFMG iniciou esta semana os testes em primatas de vacina contra o Sars-CoV-2 que está sendo desenvolvida pelo Centro de Tecnologia em Vacinas (CT-Vacinas) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Trata-se de um imunizante, batizado provisoriamente de Spintec, cuja plataforma tecnológica consiste na combinação de duas proteínas, entre elas a proteína S, que é utilizada pelo Sars-CoV-2 para invadir as células humanas. O composto formado pelas proteínas combinadas, também chamado de “quimera”, é injetado no organismo e induz à resposta imune.

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De acordo com o professor Flávio Fonseca, pesquisador do CT-Vacinas, a Spintec, entre as vacinas em desenvolvimento na UFMG, é a que apresentou os melhores resultados nos testes pré-clínicos em camundongos. Por isso, teve a autorização para os testes com os primatas.

“Os camundongos imunizados ficaram 100% protegidos, ou seja, nenhum veio a óbito ou adoeceu. Isso é o sinal da eficiência da vacina que esperamos confirmar com os testes com os primatas”, diz.

A fase de testagem com os macacos é pré-requisito exigido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que a vacina possa avançar para a fase de testes clínicos em humanos. Três grupos de primatas participam dos testes.

O primeiro grupo, com quatro macacos, está recebendo o imunizante com um adjuvante, substância que aumenta a resposta imunológica do indivíduo. O segundo grupo, também formado por quatro animais, recebe a vacina com outro tipo de adjuvante. O terceiro grupo, o de controle, é formado por dois macacos que não receberão a vacina.

“O experimento com os primatas testa a segurança e a imunogenicidade da vacina, ou seja, nos permite ver se ela provoca algum efeito colateral e se gera anticorpos nas células de defesa. O primata é o animal mais próximo do ser humano. Portanto, nessa fase de testes pré-clínicos é possível verificar qualidade e eficiência da vacina em humanos”, explica Flávio Fonseca.

O pesquisador acrescenta que os animais usados no experimento são provenientes de resgates feitos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Eles foram microchipados e retornarão ao órgão após os testes para serem devolvidos à natureza. “Nenhum animal sofrerá eutanásia”, afirma Flávio Fonseca.

Vacina em 2022

Os primatas já receberam a primeira dose da vacina, e os testes devem durar 60 dias. Após essa etapa, os pesquisadores esperam a autorização para iniciarem os testes clínicos em humanos, que contarão com três fases. “Nossa intenção é começar os testes em humanos em outubro deste ano. Essa próxima etapa pode ser dividida em três momentos: as fases 1 e 2 levarão de 60 a 80 dias. A fase 3 durará cerca de seis meses. Caso os testes confirmem a segurança e a eficácia da vacina, teremos um imunizante no mercado no fim de 2022”, projeta o pesquisador.

Flávio Fonseca afirma que esse horizonte pode parecer distante, mas argumenta que o desenvolvimento de uma vacina nacional é importante porque dá autonomia ao país. “Acreditamos que o coronavírus será como a gripe, ou seja, serão necessárias doses de reforço anuais. Não podemos contar com o recebimento de vacinas em conta-gotas, como vem acontecendo. Essa autonomia é necessária para garantir a imunidade da nossa população. As vacinas costumam levar cerca de 10 anos para ser desenvolvidas, o que mostra que estamos lidando com estudos feitos em tempo recorde em todo o mundo”, conclui o professor.

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