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Financiamento está difícil para os lojistas mineiros

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Crédito: REUTERS/Sergio Moraes


Com a crise provocada pelo novo coronavírus e parte do comércio fechada há cerca de 100 dias para o controle da disseminação da doença, os lojistas de Minas Gerais estão sentindo fortemente os efeitos negativos e buscando alternativas para sobreviverem ao período.

Neste momento de redução do faturamento, o acesso ao crédito é considerado essencial para que as empresas consigam pagar as despesas.

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Porém, segundo a pesquisa “Linhas de Crédito Empresariais Pandemia Covid-19”, realizada pelo Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas-BH) e mais 14 sindicatos patronais de Minas Gerais, apenas metade das empresas que buscam crédito tem o contrato aprovado. O acesso tem sido dificultado pelas instituições financeiras, que estão trabalhando com juros e taxas altas e burocracia elevada.

A pesquisa, realizada de 16 a 22 de junho, abrange 25 cidades mineiras, incluindo Belo Horizonte. Foi aplicada por sindicatos patronais do Estado em 423 empresas, que respondem por um total de 1.334 pontos de vendas e geram 10.908 empregos.

O levantamento incluiu 14 ramos de atividades, como vestuário, óticas, alimentação atacado e varejo, móveis, material de construção, autopeças, livrarias e papelarias.
A pesquisa mostrou que 53% das empresas participantes tentaram contratar alguma linha de crédito.

Do total de empresas que solicitaram os recursos – 223 empresas com 700 pontos de vendas -, metade não conseguiu. A maioria das empresas pediu empréstimo para folha de pagamento e capital de giro. Apenas 20% conseguiram a contratação dos recursos para capital de giro no Bradesco e Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

De acordo com o presidente do Sindilojas, Nadim Donato, o acesso aos recursos da linha de capital de giro é importante para que os empresários consigam quitar pagamentos de funcionários e despesas como energia elétrica, aluguel, entre outras.

“O governo lançou medidas importantes que os empresários adotaram, como a suspensão temporária dos contratos de trabalho e a redução de jornada e salários. Nesse tempo, os salários dos funcionários suspensos e a diferença dos que tiveram a redução foram custeados pelo governo federal, garantindo um alívio para o empresário. Agora, é fundamental que o empresário consiga acessar a linha de capital de giro, com juros baixos, para que possa pagar os salários e retornar às atividades”, disse.

BNDES – Já nas linhas lançadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o índice de aprovação foi menor que 1%. Para a linha do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), o acesso aos recursos foi conseguido por apenas 2% das empresas que buscaram crédito.

No caso do Programa de Geração de Renda (Proger), o acesso aos recursos também só foi conquistado por menos de 2%. Nos bancos privados, apenas 10% das empresas tiveram os contratos aprovados.

De acordo com Donato, os recursos disponibilizados pelo governo federal não estão chegando aos lojistas. Ele explica que os motivos são variados, incluindo a burocracia, juros altos e dificuldades de contatar os gerentes.

“O grande dificultador dos repasses foram os bancos, todos eles, incluindo Caixa, Banco do Brasil, os grandes bancos do setor privado e os de desenvolvimento”.
Uma das linhas que mais atendem à demanda do setor, por ser a mais barata, é a do Pronampe, que tem os recursos liberados via BNDES.

“Essa linha é a mais barata que o comércio teve em toda a história, com juros de cerca de 4% ao ano e prazo amplo de pagamento. O mais importante é que essa linha não exige o ‘nada consta’. Isso é essencial porque, nesse momento, o lojista está endividado. Essa linha precisa chegar ao lojista, é a mais importante e, hoje, ela não chega. O acesso ao crédito, por parte das micro, pequenas e médias empresas tem sido muito difícil. De março a junho, segundo dados do BNDES, Minas Gerais só fez 298 operações de crédito para micro, pequenas e médias empresas. Isso não representa nada”, afirmou.

Ainda segundo Donato, a única forma de o dinheiro chegar às empresas é se o governo federal pressionar as entidades financeiras, inclusive os bancos públicos.

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