Acordo Mercosul-Efta é bem visto pela indústria do Estado e pode gerar novas oportunidades para produtos mineiros

Associação Europeia de Livre Comércio é formada por países de economia forte, como Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein; entre principais produtos mineiros já exportados estão ouro e café
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Acordo Mercosul-Efta é bem visto pela indústria do Estado e pode gerar novas oportunidades para produtos mineiros
Atualmente, entre os principais produtos enviados por Minas Gerais está o ouro, muito apreciado na Suíça, segundo Fiemg | Foto: Reprodução Adobe Stock / Volff

O Mercosul está vivendo um bom momento, o que pode beneficiar a economia mineira e brasileira no curto, médio e longo prazos. Em 2026, o bloco conseguiu acertar um acordo de livre comércio com a União Europeia depois de 27 anos e recentemente abriu outra “porta” comercial com Singapura, na Ásia.

E, caminhando para o fim de 2026, o bloco conquistou mais um parceiro relevante: a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), composta por países de economia forte, como Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

O acordo com essas nações permitirá uma nova rota para a indústria do Estado exportar sua produção. Atualmente, os principais produtos enviados por Minas são o café, metais preciosos, como o ouro (muito consumido na Suíça), minério, ferro e aço.

Em 2025, as vendas para o Efta somaram US$ 1,01 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões). E 2026 promete ser ainda melhor, pois, de janeiro a agosto, as empresas mineiras já exportaram US$ 861 milhões (R$ 4,4 bilhões), 64% a mais do que no ano passado. Logo, o mercado de livre comércio com o Efta pode gerar uma nova rota para escoamento da produção industrial mineira.

As importações mineiras do ano passado somaram US$ 183 milhões (cerca de R$ 948 milhões), resultando em superávit de aproximadamente US$ 827 milhões (aproximadamente R$ 4,2 bilhões).

Sem perder o pique

Segundo o analista de Negócios Internacionais da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Cristian Lopes, para a indústria mineira seguir forte e ampliar o comércio com os países do Efta, é preciso fortalecer o que já vende bem e abrir espaço para novos produtos. Em 2025, ouro e café concentraram 94,4% das exportações de Minas para a Efta. Segundo o analista, há espaço para diversificar, com alimentos e bens industriais de maior valor agregado.

“Para isso, as empresas precisam identificar compradores e entender as tarifas, as regras de origem e as exigências de cada mercado. A Fiemg, por meio do Centro Internacional de Negócios, apoia nessa preparação e emite Certificados de Origem, que comprovam a origem das mercadorias. No caso da Efta, orientamos sobre a comprovação de origem prevista no acordo, necessária para acessar os benefícios tarifários”, comenta Lopes.

Vantagens e oportunidades

Entre os produtos que podem ser contemplados pelas novas condições de acesso estão carnes bovina, de aves e suína, café, mel, milho, farelo de soja, frutas e sucos. O tratamento varia conforme o produto e o mercado, podendo incluir livre comércio, preferências tarifárias ou cotas.

Para Minas, o café também aparece entre as oportunidades mais relevantes da pauta atual. Em 2025, o produto respondeu por cerca de US$ 114 milhões das exportações mineiras para a Efta, ficando atrás apenas do ouro.

A análise realizada também identifica possibilidades em produtos como chocolate e preparações com cacau, vinhos e sucos de frutas, embora em volumes menores. Cristian Lopes diz que o acordo pode dar um “upgrade” na competitividade dos produtos mineiros e brasileiros na relação com o Efta.

“O acordo pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos ao reduzir tarifas e trazer maior previsibilidade para as empresas, com regras mais claras sobre origem e procedimentos aduaneiros. Isso ajuda tanto quem já exporta quanto quem quer conquistar novos mercados”, disse.

Nos mercados em que o acordo estiver vigente, produtos industriais originários do Mercosul também poderão se beneficiar da eliminação de tarifas. Para os agropecuários, as condições devem ser verificadas produto a produto e de acordo com o país de destino.

Parecidos

Por ser um acordo com países da Europa, há o questionamento se o acesso aos países do Efta pode ser um “selo de qualidade absoluta” para os produtos nacionais terem mais facilidades nas negociações com a União Europeia.

“O acordo com a Efta e o acordo com a União Europeia são independentes, mas se complementam comercialmente, ampliando o acesso preferencial a diferentes mercados europeus”, explica o analista de negócios internacionais Cristian Lopes.

“Pode contribuir, de forma indireta (a parceria com o Efta). O acordo não é um selo de qualidade, mas cria oportunidades para as empresas demonstrarem que conseguem atender às exigências desses mercados. A qualidade, a rastreabilidade e a regularidade nas entregas ajudam a construir confiança. Com isso, uma presença maior na Efta pode gerar referências comerciais e fortalecer a imagem dos produtos brasileiros junto a outros compradores globais”, conclui Cristian.

O acordo entra oficialmente em vigor em 1º de outubro para Brasil e Islândia. Já para Brasil e Noruega, vale a partir de 1º de novembro. Quanto à Suíça e Liechtenstein, o início da aplicação de tarifas preferenciais ainda depende de processos internos.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


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