Crédito: Divulgação/BH Airport

Não fossem as limitações impostas pelo novo coronavírus (Covid-19) nas operações industriais de todo o Brasil, o aeroporto-indústria de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), enfim iniciaria suas atividades. O equipamento acaba de ser certificado pela Receita Federal e já pode funcionar.

No entanto, diante das medidas de distanciamento social recomendadas pelas autoridades médicas mundiais, como forma de conter o avanço da doença, isso deverá ocorrer somente no segundo semestre.

De acordo com o gestor Executivo de Soluções Logísticas da BH Airport, concessionária que administra o equipamento e o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, Rafael Laranjeira, o projeto homologa o primeiro entreposto aduaneiro do País e tem como objetivo principal aumentar a competitividade das empresas mineiras no contexto internacional e atrair investimentos externos para Minas Gerais.

“Nos próximos dias celebraremos o primeiro contrato, mas as operações, na prática, ainda dependerão da retomada das atividades à normalidade. Acreditamos que no início do segundo semestre isso ocorra. De toda maneira, seguimos com outras negociações em andamento e em busca de outros parceiros interessados em se instalarem no complexo”, afirmou sem revelar maiores detalhes.

Segundo Laranjeira, com a homologação do sistema de gestão do processo alfandegário junto à Receita, será possível garantir a conexão das empresas que forem atuar no aeroporto com o órgão, gerando ganhos em logística e segurança.

Com isso, as mercadorias admitidas neste regime poderão ser submetidas às operações de exposição, demonstração e teste de funcionamento; industrialização e manutenção ou reparo, com suspensão do pagamento dos impostos incidentes na importação e na exportação, bem como suspensão de impostos ou utilização de benefícios fiscais.

“A certificação da Receita Federal e homologação do sistema é um passo importante para darmos andamento à operação do aeroporto-indústria. Embora o País passe por um momento delicado, o projeto será fundamental não apenas para a retomada da economia mineira, mas da nacional. Além disso, como o principal foco está nos produtos de alto valor agregado, acreditamos que isso vai colaborar também para a diversificação econômica do Estado”, comentou.

No fim do ano passado, enquanto aguardava a homologação por parte da Receita, a BH Airport negociava com pelo menos 15 empresas interessadas a se instalar no local – com diferentes particularidades, demandas, setores e estágio de negociação.

Projeto – O projeto de transformar o aeroporto no primeiro entreposto aduaneiro do País, onde empresas possuem isenção de impostos federais e estaduais para produzir mercadorias destinadas à exportação, começou a ser desenhado pelo governo do Estado em 2000.

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que até meados de 2014 era a única administradora do terminal, tentou licitar as áreas para indústrias, mas não obteve sucesso.

Agora, a execução do projeto enfim promete elevar a participação do transporte de cargas nas receitas da concessionária dos atuais 10% para algo em torno de 40% e atrair investimentos bilionários para Minas Gerais. A estimativa da BH Airport é que o início das operações atraia aportes da ordem de R$ 1,5 bilhão por meio da atração de empresas de alto valor agregado para a área alfandegária do aeroporto nos próximos anos.

Gol suspende as projeções para desempenho em 2020

São Paulo – A Gol suspendeu ontem suas projeções para 2020 e 2021, citando a contínua incerteza sobre o impacto e a duração da pandemia de Covid-19, que fez a companhia aérea reduzir drasticamente sua oferta de voos.

O presidente-executivo da Gol, Paulo Kakinoff, afirmou em teleconferência com analistas e jornalistas que a empresa deve definir em até duas semanas se aceita uma linha de crédito do BNDES, que reservou cerca de R$ 10 bilhões para apoiar o setor aéreo, um dos mais afetados pelo coronavírus no mundo.

“A gente acha que está em uma evolução positiva na construção desta linha…O BNDES tem falado de R$ 3 bilhões, com cinco anos para pagamento, dois primeiros de carência de amortização e um de carência de juros”, afirmou Kakinoff.

“Ainda deve ter mais uma ou duas semanas de trabalho para tentarmos concordar nos demais pontos”, acrescentou o executivo, citando entre os pontos qual será o gatilho que disparará uma eventual conversão do crédito em ações da Gol para o BNDES, qual a taxa que será aplicada na linha e eventual nível de diluição.

Enquanto isso, a Gol tem tomado medidas para reduzir despesas em meio a uma queda de 90% na demanda por seus voos no país e incertezas que levaram as ações da empresa a acumularem queda de mais 70% em 2020.

A companhia afirmou que espera manter a maioria da frota em terra durante abril e maio, depois de deixar 120 aeronaves sem voar no final de março.

Desde a segunda quinzena de março, a Gol retirou 120 aviões de operação e reduziu oferta para 50 voos diários entre o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e as 26 capitais brasileiras e Brasília. Kakinoff evitou comentar se a empresa já está avaliando mudanças na malha adiante, afirmando que a situação “está muito fluida”.

“Não temos discussão sobre o que será a malha após o período de maio…A malha pode ser prorrogada em função da demanda.”

Apesar disso, o executivo mencionou que a Gol tem flexibilidade para reduzir sua frota de 130 para 100 aeronaves em 12 a 18 meses, eventualmente, a depender da demanda futura, sem sofrer grandes impactos no fluxo financeiro da empresa. Isso porque a companhia pode fazer devoluções antecipadas de aviões e encerrar contratos de leasing de curto prazo. Além disso, Kakinoff afirmou que a fornecedora de aviões da Gol, a Boeing, está “tendo altíssimo nível de flexibilidade” nas discussões de frota da companhia brasileira.

A Gol disse que a pandemia teve efeito limitado no desempenho do primeiro trimestre, quando a companhia deve ter registrado lucro por ação de 0,25 real, excluindo variação cambial e no Exchangeable Senior Notes, conforme projeções preliminares e não auditadas da empresa.

Nos primeiros três meses do ano, a margem Ebitda deve ter ficado entre 44% e 46% e a margem Ebit, entre 27% e 29%. A Gol também estimou redução de cerca de 1% na receita unitária de passageiro e queda de cerca de 23% no custo unitário excluindo combustíveis, ambos na comparação ano a ano.

A alavancagem financeira da companhia, medida pelo indicador dívida líquida/Ebitda ficou em aproximadamente 2,8 vezes no trimestre encerrado em março. A companhia disse que tinha R$ 3 bilhões em caixa e aplicações, além de R$ 1,3 bilhão em recebíveis.

O vice-presidente financeiro da Gol, Richard Lark, afirmou que a liquidez total da companhia no final de março era de R$ 6 bilhões se considerado ainda R$ 1,7 bilhão em despesas antecipadas, reserva de manutenção e depósitos em garantia. O executivo comentou ainda que a Gol não tem vencimentos de estrutura de capital no curto prazo. (Reuters)