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Economia

Ambiente político pode atrapalhar a recuperação

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Inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA, já acumula uma alta de 8,99% em 12 meses | Crédito: Marcos Santos/USP Imagens
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O ambiente político do Brasil traz incertezas em relação à melhoria da economia do País. O alerta vem dos economistas que fazem projeções de crescimento tímido do Produto Interno Bruto (PIB) e uma inflação um pouco controlada, mas com alta taxa básica de juros para 2022.

O DIÁRIO DO COMÉRCIO procurou os economistas para entender a situação de desequilíbrio econômico do País. Atualmente, o acumulado da inflação em 12 meses é de 8,99 %. Desde março, o indicador acumulado em 12 meses tem ficado acima do teto da meta estabelecida pelo governo federal para a inflação deste ano, que é de 5,25%. A taxa Selic, conforme dados do Banco Central, foi elevada pela quarta vez em agosto para 5,25%.

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O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Joelson Sampaio, avalia que o segundo semestre tem, historicamente, um bom desempenho econômico. “Avalio que teremos uma melhora nessa recuperação da economia devido ao avanço da vacinação e o aumento da flexibilização da população devido à diminuição do isolamento social”, opina.

Porém, o economista da FGV avalia que a inflação será um grande desafio para o fim deste ano, fechando 2021 em torno de 7,6%.  Na perspectiva do economista Joelson Sampaio, 2022 será um ano com um PIB baixo “em torno de 1% e uma inflação com patamares menores do que tivemos neste ano”, complementa.

Para o economista Paulo Casaca, do Ibmec, a projeção é que o ano feche com um PIB de 5%.  “Esse aumento não é porque o País teve um crescimento. É um reflexo do impacto que sofremos no ano passado e das ações deste ano”, esclarece.

A respeito da inflação, o economista do Ibmec explica que o comportamento depende de uma série de fatores. “A turbulência política, a desvalorização do real frente ao dólar, os grandes investimentos que fugiram do País, a crise hídrica, a alta do combustível, a pandemia e a falta de uma estruturação de um programa social, que de fato auxiliem a população mais carente, afetam a inflação no País. A tendência é que continue a subir. A perspectiva é de que, até o fim do ano, a inflação chegue na casa dos dois dígitos”, pontua Casaca.

Para 2022, a expectativa ainda é incerta devido ao cenário político. “Ainda não sabemos o que irá ocorrer ano que vem. A estimativa é de um crescimento de 1% para o PIB e que a inflação fique na média de 3% no início do ano. O Banco Central terá que elevar a taxa de juros, principalmente, para controlar essa desvalorização cambial”, avalia.

Paulo Casaca acrescenta que, enquanto a situação política do País não for resolvida, a economia não voltará aos ‘trilhos’. “Existem questões mais importantes a serem discutidas no governo como a PEC dos Precatórios, de onde virão os recursos financeiros do novo Bolsa Família, as privatizações que neste momento não resolvem o problema econômico do País. Além disso, temos que ficar preocupados com os problemas criados pelo presidente do Brasil”, detalha.

Crise institucional

O professor de economia do Departamento de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Mauro Sayar pontua que os indicadores vêm caindo e mostrando que com a ‘subida de tom’ de alguns poderes da República, os impactos na economia são inevitáveis. “Tínhamos uma boa perspectiva para o fechamento do PIB, porém com a mudança do cenário político, a estimativa é que feche em 5%”

Sayar avalia que, neste momento, não há, em curto prazo, como reverter a inflação e que a tendência é de elevação. A escalada dos preços, a desvalorização cambial e o cenário de incerteza política são ações que poderiam ter sido evitadas ou contornadas pelo governo federal ao longo do ano. “Essas ações foram provocadas pelo governo e poderiam ter sido revertidas. Agora, pandemia, crise hídrica, alta do combustível são ações que não dependem apenas ou somente do governo, vão além. Esses fatores também comprometeram a economia do País. Além disso, ainda temos o risco Brasil, o teto dos gastos públicos, o dólar e o preço da cotação subindo e nossa moeda desvalorizando”, pontua.

O economista Mauro Sayar acredita que o PIB para 2022 ainda está em um cenário ‘nebuloso’, com uma estimativa baixa de crescimento em 2,5% devido à situação política e, principalmente, em relação à crise hídrica do País. “O Banco Central terá que atuar com juros para o controle da inflação. Ainda vamos depender da situação política para o retorno de investimentos estrangeiros”, esclarece.

Pochmann critica a falta de projetos estratégicos

Brasília – O Brasil precisa definir em que bases quer crescer e levar em conta a ascensão da Ásia e especialmente da China na cena global, indicou o presidente do Instituto Lula, Marcio Pochmann, criticando a ausência de projetos estratégicos para o País e uma discussão tributária que desconsidera as transformações da economia digital.

Em entrevista à Reuters, Pochmann defendeu a taxação de fluxos financeiros e criticou a concentração do debate econômico em temas como a manutenção ou não do teto de gastos. Sobre a alta da inflação, o economista aponta que por trás do problema estão opções equivocadas de uma política econômica excessivamente liberalizante.

Doutor em Ciência Econômica pela Universidade de Campinas e um dos coordenadores do plano econômico da candidatura do PT à presidência em 2018, Pochmann disse que a gestão e o debate econômico atuais dão foco a desafios do presente, mas escanteiam a definição de um norte em torno do qual o crescimento do Brasil seria estruturado.

“Não quero menosprezar o problema da inflação, sobretudo num País como o nosso, mas estabilizemos a inflação e daí? O que acontecerá? Espontaneamente virão os investimentos? Da onde? Em que setores?”, afirmou.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito publicamente que ainda não definiu se será ou não candidato às eleições de 2022, mas seu nome aparece na liderança de pesquisas de opinião mais recentes.

Pochmann ponderou ser fundamental definir o país que o Brasil pode ser em meio ao deslocamento do centro dinâmico da economia para o Oriente, com o salto na importância relativa da Ásia e explicitamente da China.

“A economia brasileira parece que está em coma e só reage quando tem alguma injeção. Libera o PIS/PASEP, agora vai ter o Auxílio Emergencial, agora vai ter o precatório que aumenta o Bolsa Família. Mas isso aí não está fazendo girar a economia, é uma recuperação pontual e ela volta ao seu estado normal, que é um estado de estagnação”, disse.

Para Pochmann, o Brasil não produz o que precisa e depende cada vez mais do exterior, ficando sujeito às oscilações cambiais que acabam impactando o avanço de preços na economia. Ele defendeu uma reconstituição do sistema produtivo para além de produtos agropecuários primários e a construção de “projetos grandiosos” que atraiam o investimento do setor privado.

A ideia, prosseguiu ele, seria aproveitar uma liquidez que é hoje abundante, mas majoritariamente direcionada aos títulos públicos do governo.

Questionado sobre como promover essa mudança num ambiente em que a remuneração dos títulos longos fica mais atrativa em meio às dúvidas sobre o real compromisso do País com sua sustentabilidade fiscal – quadro que tende a se intensificar com a aproximação das eleições -, ele pontuou que isso poderia ser resolvido via acordo político.

“É um acordo político que alguns vão aceitar, outros não vão aceitar, mas a realidade faria com o que o País pudesse ter uma convergência em torno dessa perspectiva”, afirmou, sem detalhar.

“Estamos falando aqui de uma economia híbrida. Não acredito em Estado forte e setor privado fraco ou vice-versa. É uma convergência e, na verdade, isso pressupõe um horizonte em que a política precisa ser resolvida diante do impasse que está situado. Estamos num impasse dramático, desde 2014 o Brasil não tem crescimento na renda per capita, isso jamais vimos na história do País”, acrescentou.

Inflação – Sobre a acelerada alta de preços na economia, o economista pontuou que o país vive uma inflação de custos provocada, em sua opinião, pelas opções da política econômica.

Ecoando discurso recente de Lula, que atribuiu o aumento da inflação à política da Petrobras de vender a gasolina pelo seu preço em dólar, Pochmann avaliou que o Banco Central atua “como espécie de bombeiro na medida que quem provoca esse aumento tem sido o próprio governo diante da liberalização dos macropreços, nitidamente a questão dos combustíveis e ao mesmo tempo a energia elétrica”.

“Tem de outro lado o preço dos alimentos que reflete o abandono de qualquer política de abastecimento, segurança alimentar, e uma dependência crescente dos preços internacionais. E obviamente o produtor quer ganhar mais, então se ele tem alternativa no mercado externo por que que ele vai manter no mercado interno?”, disse Pochmann.

Para o economista, o País deveria ter estoques reguladores dentro de uma política agrícola que financiasse produtores.

“Isso é política pública, isso é Estado. Mas não, o Estado atrapalha, é corrupto. Então não faz. Mas se não faz, voltamos à estaca zero”, disse.

“O Estado é parte do problema, mas também o Estado é parte da solução. Isso não significa dizer que o Estado tem que ser aquele mesmo que era anteriormente, é um Estado digital, e não mais um Estado industrial do passado”, completou. (Reuters)

Digitalização pode ser aliada na tributação

Brasília – O presidente do Instituto Lula, Marcio Pochmann, defendeu que, com a digitalização da economia, acelerada inclusive pela pandemia de Covid-19, o País deveria tributar fluxos financeiros, que são facilmente rastreáveis.

“É possível acompanhar apenas pelo fluxo financeiro a situação das empresas, por exemplo. Obviamente a tributação pode ser feita desta maneira e não da forma que fazemos hoje, num sistema arcaico, que vem desde a chegada dos portugueses, emissão de nota fiscal, isso não está em diálogo com o que estamos vivendo diante de uma economia digital. Esta década possivelmente fará desaparecer a moeda tal como nós a conhecemos”, disse.

Questionado se a ideia seria semelhante à do ex-secretário da Receita Federal Marcos Cintra, que tentou no governo Jair Bolsonaro, com o respaldo do ministro Paulo Guedes, implementar um imposto único sobre pagamentos que incidiria sobre todas as transações econômicas em substituição aos impostos declaratórios, Pochmann afirmou que ambos estão “no mesmo patamar”, mas que ele não abre mão do diferencial de tributação.

“Talvez a minha diferença em relação a ele (Cintra) é que ele trabalhava com um imposto só. Eu trabalho com uma visão em que o país é tão desigual, tão diferente, setores, famílias, que isso justificaria uma tributação com uma diversidade”, afirmou.

A forma de cobrança do ICMS, IPI e mesmo do Imposto de Renda dependem hoje de declarações que poderiam ser abolidas, indicou o economista.

Pochmann também afirmou que o Brasil deveria apostar na geração de riqueza em frentes às quais dedica pouca ou nenhuma atenção, começando pela exploração do espaço sideral, numa realidade em que as maiores empresas globais são hoje as que operam com dados.

“Brasil não tem GPS. Como podemos dizer que Brasil é país autônomo quando todo seu sistema de informação e comunicação vinculado ao espaço sideral, portanto à internet, depende de empresas que não são brasileiras?”, disse.

“O Facebook desconectou até o presidente dos Estados Unidos, pode desconectar um país. Se nós entrarmos em um conflito, espero que nunca, mas cujo adversário sejam os Estados Unidos eles simplesmente nos desconectam do satélite. Imaginemos o Brasil sem internet. Dificilmente decola algum avião. Como fica o hospital, a universidade? Isso é uma questão estratégica”, complementou.

De acordo com Pochmann, o Brasil também deveria voltar seu planejamento estratégico para a exploração em águas profundas, contando com a expertise da Petrobras, e para o enfrentamento das mudanças climáticas, considerando a realidade de seus diferentes biomas.

“Amazônia é praticamente o passaporte do Brasil para o século XXI se soubermos aproveitar”, disse. “Poderia ser um excelente laboratório industrial de produção de tecnologia vinculada à diversidade dos biomas.” (Reuters)

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