Economia

ICMS impulsiona arrecadação de Minas no 1º semestre e garante alta de quase 3% nas receitas

Receita de Minas Gerais cresceu quase 3% no 1º semestre, impulsionada pelo ICMS, totalizando R$ 61,5 bilhões
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ICMS impulsiona arrecadação de Minas no 1º semestre e garante alta de quase 3% nas receitas
Arrecadação do governo de Minas Gerais manteve trajetória de crescimento no primeiro semestre deste ano; apesar disso, no resultado isolado de junho, a arrecadação total do Estado caiu 3,42% | Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

A arrecadação do governo de Minas Gerais manteve trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2026, impulsionada principalmente pelo desempenho do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Entre janeiro e junho, o Estado arrecadou R$ 61,5 bilhões, alta de 2,96% em relação ao mesmo período de 2025, quando o total somou R$ 59,7 bilhões.

A arrecadação do imposto atingiu R$ 42,7 bilhões no acumulado do semestre, crescimento de 3,62% frente aos R$ 41,25 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano passado. O tributo respondeu por cerca de 76% de toda a receita tributária estadual e por aproximadamente 70% da arrecadação total.

Na avaliação do economista e professor do UniBH, Fernando Sette Junior, o desempenho do ICMS merece mais atenção do que o crescimento da arrecadação total, por ser um indicador mais próximo da atividade econômica. “O principal destaque do semestre foi o desempenho do ICMS, que superou levemente a inflação e apresentou pequeno ganho real. Como esse imposto representa cerca de 70% da arrecadação estadual e reflete diretamente o comportamento da produção, do comércio e do consumo, seu resultado indica que a atividade econômica mineira manteve-se resiliente no primeiro semestre”, avalia.

Segundo ele, o avanço da arrecadação total deve ser analisado com cuidado. “Considerando que a inflação acumulada pelo IPCA no período foi de aproximadamente 3,36%, esse crescimento foi apenas nominal, ficando ligeiramente abaixo da variação dos preços. Em termos reais, a arrecadação total permaneceu praticamente estável”, diz.

Também contribuíram para o desempenho positivo da receita tributária o IPVA, que avançou 4,85% no acumulado do ano, alcançando R$ 10,91 bilhões, e as multas e juros, que cresceram 7,41% e 10,11%, respectivamente. No total, a receita tributária, formada por ICMS, IPVA, ITCD e taxas, somou R$ 56,04 bilhões no semestre, aumento de 3,72% sobre os R$ 54,03 bilhões arrecadados entre janeiro e junho de 2025.

Por outro lado, parte do avanço foi parcialmente compensado pela redução das receitas não tributárias. A arrecadação proveniente da dívida ativa caiu 20,87% no semestre, enquanto o grupo “Demais Receitas” recuou 5,39%.

IPVA acumula alta no semestre, mas perde força em junho

Embora tenha encerrado o primeiro semestre com crescimento superior ao do ICMS, o IPVA apresentou desaceleração significativa em junho. Entre janeiro e junho, a arrecadação do imposto somou R$ 10,91 bilhões, alta de 4,85% em comparação com o mesmo período de 2025.

No entanto, considerando apenas o mês de junho, a receita caiu 14,71% frente ao mesmo mês do ano passado, passando de R$ 406,37 milhões para R$ 348,73 milhões. Na comparação com maio deste ano, a retração foi ainda maior, de 16,46%. O movimento é considerado esperado, uma vez que a maior parte dos pagamentos do IPVA ocorre nos primeiros meses do ano.

Sette Junior ressalta que o desempenho do imposto não deve ser interpretado como um retrato direto do mercado automotivo. “O IPVA é influenciado por fatores como a atualização da tabela Fipe, a valorização da frota, a quantidade de veículos tributados e o nível de adimplência dos proprietários. Dessa forma, o crescimento da arrecadação demonstra fortalecimento dessa base tributária, mas não permite concluir, por si só, que houve aumento das vendas de veículos ou expansão significativa da indústria automotiva”, pontua.

Junho interrompe sequência de alta e arrecadação estadual recua 3,4%

Apesar do desempenho positivo no acumulado do semestre, o resultado isolado de junho mostra perda de fôlego. A arrecadação total do Estado caiu de R$ 9,75 bilhões em junho de 2025 para R$ 9,42 bilhões em junho deste ano, retração de 3,42% e única registrada no comparativo anual do semestre.


Mesmo com crescimento de 3,06% da receita tributária e avanço de 4% no ICMS, o desempenho mensal foi pressionado pela redução das receitas extraordinárias e não tributárias. Na comparação com maio deste ano, a arrecadação total também apresentou queda, de 2,74%.

Nesse caso, Sette Junior pontua que quando considerada apenas a comparação entre maio e junho de 2026, ela mostra que a perda de arrecadação esteve concentrada principalmente nessas receitas extraordinárias. “Analisando a composição dessas receitas, é possível verificar que parte relevante das receitas extraordinárias registradas no mês anterior decorreu de compensações financeiras entre o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), incluindo devoluções e acertos de contribuições previdenciárias. Como esses ingressos possuem natureza administrativa e não recorrente, sua redução em junho impactou diretamente o resultado mensal”, explica.

A arrecadação de dívida ativa despencou 59,49% em relação a junho de 2025, representando a maior queda entre todos os grupos de receita. Também apresentaram forte retração as chamadas “Demais Receitas”, que caíram 36,86%, além do grupo “Outras Receitas”, com redução de 34,47%.

Por outro lado, as multas cresceram 1,13%, enquanto a arrecadação de juros recuou 2,5%, variações insuficientes para compensar a forte perda das demais fontes de receita. Para Fernando Sette Junior, o resultado de junho não indica, necessariamente, perda de dinamismo da economia mineira. “Junho foi o primeiro mês de 2026 em que a arrecadação total ficou abaixo da registrada no mesmo mês do ano anterior, interrompendo a sequência de resultados positivos observada desde janeiro. Esse comportamento indica uma desaceleração do ritmo de crescimento da arrecadação, mas não significa, necessariamente, uma piora da atividade econômica”, avalia.

O economista destaca ainda que a retração decorre principalmente da redução das receitas extraordinárias. “A queda observada não indica enfraquecimento da arrecadação tributária nem da atividade econômica, mas sim a diminuição de receitas excepcionais registradas no mês anterior”, diz.

Na avaliação do especialista, um único resultado mensal também não é suficiente para caracterizar uma mudança de tendência. “Será importante acompanhar o comportamento da arrecadação ao longo do segundo semestre para verificar se junho representou apenas uma oscilação pontual ou o início de um movimento mais persistente de desaceleração”, ressalta.

Para os próximos meses, a expectativa é de estabilidade nas receitas tributárias, desde que o ICMS continue refletindo o ritmo da atividade econômica, desempenhando acima da inflação. “Por outro lado, a arrecadação total poderá apresentar maior volatilidade em função das receitas extraordinárias, que dependem da ocorrência de eventos administrativos específicos”, conclui.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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