Crédito: REUTERS/Adriano Machado

São Paulo – Às vésperas das eleições presidenciais no principal sócio do Mercosul, com provável vitória da oposição, os governos do Brasil e da Argentina assinam na sexta-feira (6) um novo acordo automotivo.

O documento prevê o livre-comércio de veículos e autopeças em 1º de julho de 2029 -nove anos a mais que a previsão do entendimento atual. Em compensação, não há condicionalidades para que o livre-comércio seja estabelecido.

Pelos cálculos da equipe econômica, isso significa que o comércio de veículos entre Brasil e Argentina estará finalmente liberado cinco anos antes da implementação do acordo Mercosul-União Europeia.

Desde a criação do Mercosul, em 1990, o setor automotivo é um dos poucos que ficaram de fora do bloco e sempre teve um comércio administrado. A possibilidade de livre troca de carros e peças vem sendo postergada sucessivas vezes.

O acordo também prevê um aumento gradativo do chamado “flex”, múltiplo que regula o comércio de veículos e peças entre os dois países. Hoje está em 1,5: para cada US$ 1,50 exportados do Brasil para a Argentina, os argentinos podem enviar US$ 1 aos brasileiros.

Com o novo entendimento, esse indicador sobe para 1,7 e avança gradativamente até 3,0 perto do fim da vigência do tratado. O novo acordo também prevê equalização das regras de origem (porcentual de peças nacionais nos carros) entre Brasil e Argentina ao acordo entre Mercosul e União Europeia até 2027.

Outra diferença entre o acordo atual e o que vai ser assinado é o tratamento para veículos híbridos e elétricos. Hoje não há tratamento diferenciado. Automóveis, ônibus e caminhões híbridos e elétricos serão beneficiados.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o acordo automotivo assinado na sexta-feira entre Brasil e Argentina independe das eleições no país vizinho.

“Acordo automotivo é mais um avanço no processo de integração e trata-se de uma maior aproximação com a Argentina”, afirmou Guedes a jornalistas, após solenidade de assinatura do acordo, no Rio de Janeiro.

O ministro ressaltou que a política do governo do presidente Jair Bolsonaro é de “abertura gradual porém segura” da economia, e lembrou que o país também está em negociações comerciais com os Estados Unidos e com o México, depois de ter concluído acerto de acordo de livre comércio com a União Europeia.

“Serão cada vez mais acordos bilaterais abrangentes”, afirmou o ministro.

O ministro da Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica, diz que a definição de regras mais estáveis para o acordo, que até então vinha sendo renovado a cada dois ou três anos, trará mais estabilidade. (Folhapress/Reuters)