Câmara França-Brasil cria comissão para ampliar negócios em minerais críticos e terras-raras
A Câmara de Comércio França-Brasil de Minas Gerais lançou, na quarta-feira (26), a Comissão de Mineração, durante evento na Skema Business School, em Belo Horizonte. A iniciativa pretende aproximar os ecossistemas minerários francês e brasileiro, estimular negócios e desenvolver projetos relacionados aos minerais críticos, às terras-raras e à transição energética. Na cerimônia, foram assinados acordos de cooperação com o governo de Minas Gerais, a Fundação Gorceix, o Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra) e a Skema. As parcerias abrangem formação profissional, pesquisa, inovação e integração com a indústria. A comissão também anunciou para este ano seu primeiro evento dedicado aos minerais críticos e às terras-raras.
A presidente da Câmara de Comércio França-Brasil em Minas Gerais, Alessandra Sampaio, ressaltou que o objetivo da comissão recém-criada é manter uma “plataforma permanente de conexão” entre governos, empresas, instituições de pesquisa e entidades representativas. “A proposta é transformar diálogo em cooperação, conhecimento em projetos e relações institucionais em oportunidades concretas para os dois países”, disse Alessandra, completando que, apesar de a iniciativa partir de Minas Gerais, o que se pretende é contribuir para uma discussão que ultrapasse fronteiras e ocupe posição central na agenda econômica e geopolítica mundial.
A comissão é liderada por Philippe Dozolme e pelos vice-presidentes Loïs Panchevre, da Eramet; Sébastien Dupont, da Systra; e Edilson Zanardi, da Snef. O grupo reúne experiências em exploração e processamento mineral, infraestrutura, tecnologia, automação, sustentabilidade e desempenho ESG. Para Dozolme, presidente da comissão, “o Brasil não precisa procurar parceiros; ele os escolhe”. Ele explicou que isso se deve à posição estratégica do país diante da crescente disputa internacional por minerais. Nesse sentido, ele considera que é importante consolidar a relação entre os dois países que têm interesses e história em comum.

Minas Gerais responde por 45% da arrecadação nacional da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) e registrou aproximadamente R$ 120 bilhões em produção mineral em 2025. A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Mila Corrêa da Costa, destacou a França como referência na revitalização de territórios após o encerramento de atividades minerárias e falou sobre o protagonismo mineiro no setor e o apoio do governo de Minas à iniciativa. “A mineração está no DNA, no nome e na identidade de Minas Gerais. O desafio é avançarmos da condição de produtores de matérias-primas para uma indústria capaz de agregar conhecimento e valor aos minerais críticos e às terras raras”, disse a secretária.
Segundo o ministro-conselheiro para Assuntos Econômicos da Embaixada da França no Brasil, Philippe Gassmann, os minerais estratégicos estão entre os principais temas da cooperação bilateral. “Temos muito a fazer em conjunto para o desenvolvimento das indústrias brasileira e francesa. Estaremos ao lado da comissão para apoiar seu trabalho e apresentar novas ideias”, afirmou Gassmann, que demonstrou satisfação diante da mobilização do setor privado e da Câmara de Comércio França-Brasil.
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