Economia

Brasil reage às restrições da União Europeia à carne com cautela e confiança

Ministro e vice-presidente do Brasil defendem solidez sanitária e buscam diálogo para manter comércio com o bloco europeu
Brasil reage às restrições da União Europeia à carne com cautela e confiança
Foto: Malu Moura/Abramilho

Durante a abertura do 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, comentaram a decisão da União Europeia de impor restrições à carne brasileira, demonstrando surpresa com o anúncio e reforçando a solidez do sistema sanitário brasileiro.

Segundo o ministro, o governo brasileiro foi surpreendido pela medida, considerada uma antecipação de discussões que ainda estavam em andamento no campo técnico. Ele destacou que o Brasil tem convicção de que atende às exigências do mercado europeu.

“O Brasil tem um sistema sólido e robusto de defesa agropecuária. Não por acaso, somos os maiores produtores de proteína animal do mundo e fornecemos para mais de 170 mercados”, declarou.

Ele reforçou a credibilidade do sistema de defesa agropecuária brasileiro e também lembrou a longa relação comercial com a Europa, destacando que o País exporta carne para o bloco há cerca de 40 anos.

Apesar da restrição anunciada, o ministro afirmou que, na prática, o fluxo comercial segue inalterado e que os impactos imediatos são limitados. “Ontem nós exportamos carne para a Europa, hoje vamos exportar e seguiremos assim”, disse.

O chefe da pasta também revelou que o governo já iniciou tratativas diplomáticas e técnicas para esclarecer o episódio e trabalha com prazo de 15 dias para restabelecer as negociações. De acordo com ele, uma reunião entre o embaixador brasileiro na União Europeia e autoridades sanitárias do bloco ocorreu na manhã desta quarta-feira (13) para buscar uma solução para o impasse.

Entre os pontos discutidos estão o aprofundamento das informações sobre a decisão e a definição de medidas para eventual adequação às exigências europeias.

Um dos aspectos que mais chamou a atenção do governo foi a ampliação do escopo da restrição. Inicialmente focada na carne bovina, a medida passou a incluir outros produtos de origem animal, como aves, ovos, mel e pescado. “Isso nos surpreendeu”, afirmou o ministro, indicando que o tema será tratado de forma segmentada, “cadeia por cadeia”.

Relação comercial deve ser preservada

O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou o tom diplomático ao destacar a importância da parceria entre Brasil e União Europeia. Segundo ele, a relação comercial deve ser preservada, mesmo diante de divergências pontuais, e o diálogo é o caminho para superar a situação. “Nós somos parceiros”, afirmou.

Dessa forma, o governo brasileiro aposta em uma solução negociada, sustentada por argumentos técnicos e pela tradição comercial entre as partes.

“A União Europeia representa o maior acordo entre blocos do mundo. Nós estamos falando de um mercado de US$ 22 trilhões e de uma resistência pontual. O acordo está bem formatado; foram colocadas salvaguardas tanto para nós quanto para eles, e ele já entrou em vigência provisória por aqui no dia 1º de maio. Por isso, acredito que essa questão será esclarecida. Até porque, como bem colocou o ministro, somos referência mundial em cuidado sanitário, tanto em proteína animal quanto vegetal”, finalizou Alckmin.

* A repórter viajou a Brasília a convite da Abramilho

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