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Campos Neto diz que estado de calamidade pode trazer mais prejuízos que ganhos

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Campos Neto diz que estado de calamidade pode trazer mais prejuízos que ganhos
Campos Neto afirmou ainda que observa uma grande melhora fiscal no Brasil no curto prazo, citando que o aumento nos preços de commodities melhora as contas do governo | Crédito: Adriano Machado/Reuters

São Paulo – O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alertou, nesta terça-feira, que o eventual acionamento do estado de calamidade para aumentar a margem que o governo tem para gastar na pandemia traria mais prejuízos do que ganhos.

Se esse for o caminho a ser seguido, o País precisará ter cautela em adotar uma “narrativa correta” para justificá-lo, frisou Campos Neto durante live do banco Itaú.

“Se eu disser que vou para calamidade porque quero gastar R$ 20 bilhões a mais, R$ 25 bilhões a mais, posso te garantir que o efeito econômico do ponto de vista de turbulência nos mercados e nas variáveis macroeconômicas será muito maior do que o efeito que você tem de gastar R$ 25 bilhões a mais”, disse Campos Neto.

“Nós temos que ser muito cautelosos com a narrativa que será usada se esse for o caminho adotado. Eu vejo claramente que, se você não tem a narrativa correta, vejo um efeito negativo em termos de algo para o qual você espera um efeito positivo. Acho que é isso que o mercado está nos dizendo, que as variáveis estão nos dizendo”.

Campos Neto também afirmou que o processo de aprovação do Orçamento gerou incertezas que tiveram impacto no prêmio de risco do cenário fiscal.

“Acho que temos que explicar às pessoas o que será feito porque acho que precisamos remover isso (prêmio), acho que isso é relativamente fácil de se fazer”, afirmou.

Congresso

Apesar das preocupações, Campos Neto destacou que o Congresso Nacional não está parado e, citando a aprovação da Lei do Gás e o projeto de autonomia do Banco Central, afirmou que o País é um dos únicos do mundo que está aprovando medidas estruturais em meio à pandemia.

Ele também afirmou que a PEC Emergencial foi uma “conquista” que estabeleceu marcos importantes para a política fiscal.

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