Dados da Aneel apontam que 50 concessionárias de distribuição aderiram ao plano e requisitaram R$ 14,8 bi em crédito | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Energisa Minas Gerais aderiram ao Conta-Covid, auxílio do governo federal para elétricas em meio à crise imposta pela pandemia de Covid-19 no Brasil.

Embora não tenha revelado o montante pretendido, a estatal mineira poderá tomar até R$1,78 bilhão. Já a Energisa confirmou a solicitação de R$ 1,35 bilhão.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), das 53 concessionárias de distribuição existentes no País, 50 formalizaram pedidos de empréstimo atendendo os critérios estabelecidos.

Juntas, as concessionárias requisitaram créditos de R$ 14,8 bilhões, o que representa 92% do limite de captação aprovado que era de 16,2 bilhões.

Ainda segundo a agência, a previsão é que o desembolso dos valores acordados ocorra até o fim deste mês.

Os próximos passos para o processo incluem: o despacho da Aneel aprovando o valor global do empréstimo e a minuta dos contratos a serem celebrados; a realização das assinaturas dos contratos; a publicação de despacho da Aneel com as condições prévias do desembolso para as distribuidoras e, por fim, o desembolso dos recursos.

Em todo o País, apenas Cooperaliança e João Cesa, de Santa Catarina, e Forcel, do Paraná, não enviaram o termo de adesão ao empréstimo. No caso de Minas Gerais, tanto a Cemig quanto a Energisa aderiram ao projeto.

Em comunicado enviado ao mercado na última sexta-feira (3), a Energisa confirmou a adesão ao Conta-Covid para suas 11 concessionárias de distribuição. E que o valor total pretendido, apresentado foi de R$ 1,35 bilhão, correspondendo a 78% do valor máximo da operação definido pela Aneel.

Já a Cemig, procurada pela reportagem, se limitou a confirmar a adoção do projeto, “devido aos impactos financeiros do coronavírus sobre o setor elétrico” e que aguarda os próximos passos a serem divulgados pela Agência.

O Ministério de Minas e Energia e a Aneel defendem que a operação vai aliviar reajustes tarifários neste ano, diluindo os impactos no longo prazo.

Os recursos também visam evitar riscos de as distribuidoras não terem como quitar compromissos de compra de energia e pagamento pelo uso de sistemas de transmissão.

Condições – Conforme já publicado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e bancos públicos entrarão com cerca de R$ 5 bilhões na operação.

O empréstimo terá taxa de juros de CDI + 2,9% ao ano, enquanto o custo total, incluindo taxas, será de CDI + 3,9% ao ano, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), gestora da Conta-Covid, que tomará a operação de crédito e repassará os recursos para as elétricas.

Os financiamentos poderão ter custos de amortização repassados às tarifas dos consumidores ao longo dos próximos cinco anos, conforme autorizado por medida provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro, em abril.

Bancos privados nacionais e estrangeiros também participarão da operação, mas os nomes ainda não foram divulgados.

Atlas tem planos de dobrar carteira de ativos no País

São Paulo – A empresa de energia solar Atlas Renewable Energy está animada com as perspectivas de negócios no Brasil e tem planos de dobrar a carteira de ativos no País nos próximos anos, mesmo em meio à projeção de forte retração da economia local devido ao Covid-19.

A companhia controlada pelo grupo de private equity britânico Actis pode inclusive aproveitar eventuais dificuldades de rivais durante a pandemia para expandir suas operações com aquisições, disseram executivos da empresa à Reuters.

A Atlas, com negócios na América Latina, possui atualmente cerca de 400 megawatts em usinas solares em operação no Brasil, além de quase 500 megawatts já com energia vendida em contratos e prontas para implementação.

“Diria que nossa meta seria dobrar de volumes nos próximos três anos. Então, desde que haja oportunidades no mercado… estamos prontos para qualquer operação que se encaixe nessas metas”, disse o gerente-geral da Atlas no Brasil, Luis Pita.

Além de possíveis compras de ativos, outra frente para alcançar o objetivo será a venda de contratos privados de energia renovável para empresas que operam no chamado mercado livre de eletricidade.

Esses contratos corporativos de energia se tornaram tendência nos Estados Unidos e na Europa, mas também têm ganho popularidade no Brasil, que já é o maior mercado da América Latina para esses negócios, disse o presidente-executivo da Atlas, Carlos Barrera.

O mercado brasileiro, inclusive, tem sido o primeiro da região a apontar sinais de recuperação na demanda por esses contratos, acrescentou o executivo.

“A pandemia obviamente afetou o mundo todo e talvez desacelerou um pouco as coisas… no início da pandemia as coisas ficaram meio quietas, mas agora já começamos a ver uma retomada de processos para contratar energia, pessoas buscando energia limpa”, disse.

A companhia anunciou recentemente o fechamento de contratos privados de 15 anos com a mineradora Anglo American e a empresa de produtos químicos Dow. Os acordos serão atendidos com a produção de usinas construídas em Minas Gerais e na Bahia.

Compras – No campo das aquisições, a avaliação da Atlas é de que algumas possibilidades de negócio deverão aparecer um pouco mais à frente. “Nós provavelmente veremos mais oportunidades de fusões e aquisições surgirem em 6 a 12 meses”, afirmou Barrera, que disse já ter visto algumas empresas no setor demonstrarem interesse em serem vendidas.

“Nós somos flexíveis, seríamos capazes de comprar ativos operacionais, ativos em desenvolvimento, ativos contratados… poderíamos comprar até mesmo pequenas empresas.”

O executivo destacou ainda que a Atlas está “muito bem capitalizada” para enfrentar a pandemia mesmo enquanto investe em seus projetos em andamento e busca expansão.

Ele disse que a empresa tem financiado os investimentos no Brasil com recursos próprios e fontes que incluem financiamentos com o Banco do Nordeste (BNB).

A companhia também tem avaliado a emissão de debêntures, que poderiam ser classificadas como títulos verdes devido à sustentabilidade de seus projetos de energia solar, apontou. (Reuters)